terça-feira, 15 de novembro de 2011

INTOLERÂNCIA: O discurso do ódio e toda maldade de classe subjacente às mensagens de internet, acerca do câncer do ex-presidente Lula.


Na alegria e na doença o apoio indisfarçável de sua
pupila, a presidenta Dilma Roussef, ao seu mentor,
um Lula acamado no hospital (fonte:foto retirada de
agência Brasil-R7 notícias).
 A verdade dói, mas tem muita gente reaçonária nesse mundo, principalmente no Brasil. Gente esdrúxula, psicologicamente reprimida, esnobe e elitista, fascista e altamente preconceituosa. Já faz duas semanas que sabemos pelos meios de comunicação que o ex-presidente Lula foi acometido de um maligno câncer de laringe, de gravidade considerável, e que já matou outros de seus familiares, inclusive a mãe dele. Mesmo acometido de uma doença grave, que mereceria toda a consideração e respeito do mundo, até por razões humanitárias, pulularam junto com as mensagens de solidariedade na internet, outras mensagens descabidas e medonhas, com pérolas do preconceito, da ignorância e da falta de respeito com a condição humana, sempre garantidas pelo anonimato de seus covardes agressores, responsáveis pelas mensagens. A última que escutei, de um de meus colegas de trabalho que viu isso numa página na internet, foi a seguinte mensagem de um leitor não identificado, em um site de notícias: "nunca fiquei tão amigo do câncer. Espero que ele desintegre o sapo barbudo!". Pode uma coisa dessas?

As mensagens enviadas por esses facínoras, disfarçados de leitores, começaram com irônicos comentários nos sites de jornais, redes sociais e outros meios de comunicação sobre o câncer de Lula, dizendo que, agora, ele seria obrigado a se tratar pelo SUS. Revelando sua completa ignorância quanto à saúde pública no Brasil, como se o SUS se restringisse a um péssimo atendimento médico e a falta de leitos hospitalares, os comentários maldosos acerca da saúde de Lula revelam apenas a faceta negra de dois Brasis: um identificado com a democracia, com a justiça social e com o livre debate de ideais na rede, através da manifestação pública de opiniões diferentes; o outro Brasil é marcado por gente hipócrita, escondida por detrás de avatares, pseudônimos ou simplesmente anônimas na internet, que além de preconceituosas quanto a um presidente de origem operária, ainda manifestam o quanto são burras, desconhecendo o serviço de saúde pública neste país. Quando infartou, há quase dez anos atrás, meu pai precisou do SUS, foi atendido por um dos hospitais da rede pública, e só está vivo até hoje porque teve um pronto atendimento, da equipe de cardiologistas que trabalhava na emergência do hospital. Golpe da sorte? Destino? Obra de Deus? Talvez e tudo um pouco, mas a verdade é que o SUS está distante de um modelo ideal de atendimento médico, mas também não está a calamidade que os babaquíssimos representantes do eleitorado tucano ou neoreaçonários tentam mostrar em seus insultos contra Lula e comentários na rede.Tais comentários revelam o mesmo setor da classe média burra, urbanizada, com pretensões de riqueza e ascensão social, eleitora de José Serra na última eleição e aficcionada pela revista Veja, que do alto de sua ignorância e pagamento de privados planos de saúde caros, são incapazes de saber que a saúde pública não é somente o destino fatal dos pobres ou necessitados; ou não toleram que um ex-presidente que já foi torneiro mecânico possa ter condições financeiras suficientes para utilizar um plano de saúde, ao invés de procurar um hospital público, simplesmente porque tem recursos materiais para isso.

Não precisava tanto, Gilbertão. Simancol pra vc!
(fonte:retirado
de anaispoliticos.blogspot)
Comentários infelizes, como o do jornalista Gilberto Dimenstein, na Folha de São Paulo, supostamente fazendo um alerta acerca dos riscos do tabagismo (uma vez que é sabidamente público, que o ex-presidente petista era tabagista crônico, antes de largar a presidência), mas na verdade despontando para o comentário político, serviram de munição para que alguns idiotas na rede, antilulistas, desfilassem todo seu ódio de classe e rancor numa eleição presidencial perdida pelos tucanos e ainda mal digerida, de um grupo de eleitores tucanos ou simplesmente alienados e altamente reaçonários, que remeteram desaforos disfarçados de mensagens pela internet, desejando o pior dos piores para uma personalidade pública como Lula. Os homens públicos sofrem por conta de sua exposição na mídia, mas "nunca antes na história desse país" um ex-presidente foi tão sacaneado por contrair uma doença quanto Lula. Será que todas as pessoas públicas estão sujeitas a isso? Cadê o bom senso?

Por exemplo, o mago da computação e empresário norte-americano, Steve Jobs, recentemente falecido, também vítima de câncer, apesar de gênio teve em vida uma trajetória polêmica, colecionando desafetos em quantidade proporcional a de fãs, uma vez que era visto no local de trabalho como um chefe intolerante, autoritário e por vezes ditatorial, devido ao grau de perfeccionismo que exigia de suas criações; além das críticas formuladas por seus concorrentes, como Bill Gates, patrono da Microsoft. Nem por isso, com a morte do CEO da Apple, viu-se na internet comentários tão baixos ou ignorantes, em relação a uma pessoa que está morrendo de uma doença terrível, como agora se viu na divulgação do câncer que assolou o ex-presidente da república brasileiro.



Na mídia, a descrição da doença
terrível que acomete o ex-presidente (fonte:retirado de
correiodobrasil.com.br).
 Não é preciso ser de esquerda, simpatizante do PT ou socialista para repudiar a estupidez das mensagens que ainda enlameam a internet, transformando o ambiente virtual num chiqueiro de ideias. Mesmo na grande imprensa golpista, em seus editoriais, os magnatas da imprensa se apressaram em, nas entrelinhas, dizer que não tinham nada a ver com isso, permitindo que seus articulistas criticassem abertamente o tom agressivo de certas mensagens dirigidas à doença de Lula e divulgadas na internet. Até o ex-presidente tucano Fernando Henrique saiu na mídia em apoio ao seu sucessor e desafeto político, dizendo que ninguém tinha direito de esculachar uma pessoa doente pela internet, mesmo que por motivações políticas. Eu mesmo tenho verdadeira ojeriza por determinadas personalidades da vida pública que já morreram ou que ainda estão por aí, como Paulo Maluf, por exemplo. Mas nem por isso eu desejo que Maluf morra de uma doença terrível num leito de hospital, ou saía por aí destilando pérolas do mau gosto, como a desgraça que se abateu sobre a família do político baiano, Antônio Carlos Magalhães, logo que ele morreu numa disputada briga por sua herança; ou me aprazer com o sofrimento do casal de bispos Sônia e Estevam Hernandez, da Igreja Renascer em Cristo, que além de ver o fechamento de suas igrejas e a perda de fiéis, por conta de suas picaretagens, ainda vêem tristemente o calvário do filho comatoso, herdeiro natural dos religiosos, acometido de uma doença rara. No Rio Grande do Norte, mais precisamente na capital do estado, Natal, a atual prefeita Micarla de Sousa, amarga um percentual de 90% de rejeição popular após uma administração desastrosa, marcada pela demagogia e pelas promessas falsas e "incumpríveis", mas nem assim foi detonada na internet por conta de uma séria doença cardíaca que a acometeu (talvez pelo stress de ser tanto cobrada na cidade), resultando numa viagem às pressas da prefeita até um procedimento cirúrgico, num hospital em São Paulo. Castigo divino? Praga? Compete tão somente a Deus o julgamento final. A mim, cabem as críticas, mas críticas civilizadas, dentro de um processo democrático.


FORÇA, LULA!! (fonte: brasilia247.com.br)
 Fico me perguntando se em relação a outros líderes políticos, celebridades ou estadistas, se o grau de violência é dosado nos ataques, como foi com o caso de Lula. Sei que Lula não é um santo, iniciou seu governo debaixo de uma biografia que é, em si, uma epopeia, e teve um mandato presidencial de erros e acertos, dentre eles o crescimento econômico, a distribuição de renda, a ascensão de uma nova classe média, mas também escândalos políticos como o "Mensalão", o apoio e nomeação de políticos com caráter duvidoso em ministérios e em estatais, teve a adesão ao governo de um partido ultrafisiológico como o PMDB, e houve a guinada mais à direita dada pelo partido do ex-presidente, o PT, que de partido de massas e popular, tornou-se mais uma legenda pragmática, de centro-esquerda, vinculada a real politik. Tudo isso pode ser atribuído ao governo Lula, com seu misto de assistencialismo e demagogia, de um hábil líder populista (assim como Vargas, mas diferente deste, pela origem popular) que conseguiu em sua trajetória reunir um contingente de milhares de fãs, como também de desafetos, distribuídos principalmente no eleitorado urbano, das regiões sul e sudeste do Brasil, de posição social mais elevada, centrado mais no perfil de uma classe média escolarizada, leitora de jornais, mas altamente preconceituosa. Se é legítimo numa democracia que os opositores de um governo manifestem sua liberdade de expressão, também é certo que a Constituição Federal exige a revelação da autoria da fonte, vedando o anonimato. Pessoas públicas como os políticos recebem o ônus de ser criticados, mas também tem o direito de ser respeitados, principalmente em momentos pessoais ruins, quando da descoberta e do acometimento de uma grave doença. Simancol pra vocês aí, anônimos da internet! Vão procurar o que fazer. Corja de reaçonários!
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