quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

TELEVISÃO: Parece que o BBB de Pedro Bial já foi longe demais, no Festival de Mediocridades que Assola a Nação!


Desde que surgiu, há mais de dez anos, o BBB
está aí, na televisão brasileira, para azucrinar a
paciência de muita gente.
 Confesso que gosto de ver televisão. Sobretudo no período da noite, quando chego cansado do trabalho, e fico interessado em pegar a resenha das informações do dia, vendo o noticiário da CNN ou da Globo News, ou então me divirto com os programas culturais e curiosidades que posso encontrar no Discovery Channel, no History, National Geographic ou no Travels Channel; pois este último tem sempre uma programação interessante sobre viagens, mostrando a cultura e a paisagem de países e lugares novos. Gosto também dos canais de música, de ver esportes, desenhos animados do Cartoon Network e filmes. E para a alegria dos vendedores de TV por Assinatura, sou também fã dos seriados (ou sitcoms) que proliferam nos diversos canais do gênero, como Fox, Warner, Sony, AXN ou Showtime Channel (destaque para Two and a Half Man e meu protesto sentido pela falta do Charlie Sheen!).


Sorry! Mas no mês de janeiro de cada ano, chega-me a dar
calafrios no que vou ver pela frente, na televisão nacional, com
a divulgação de mais uma edição do BBB. É a Rede Globo
apelando pela mediocritização nacional!
 Mas uma coisa que eu não suporto é a programação da TV aberta. Nem as novelas eu tolero mais; com exceção da novela O Astro, refilmagem da clássica obra de Janete Clair, que fez sucesso com Francisco Cuoco nos anos setenta, e que na sua versão 2011 teve um impagável Rodrigo Lombardi interpretando as peripércias do personagem Herculano Quintanilha, um típico herói de folhetim (que poderia ter uma série própria) que adorei. Mas, tirando isso, entre Faustões e Lucianas Gimenez da vida,  tirando o Jornal da Globo, da Band e o humoristico CQC, não consigo assistir a mais nada, pois acho tudo uma imensa porcaria. A pior delas é o BBB (Big Brother Brasil), liderado há mais de dez anos pelo (ex) jornalista e tentativa de apresentador Pedro Bial.


O FEBEAPÁ: um  clássico da literatura
nacional. Se estivesse vivo, provavelmente
Stanislaw Ponte Preta teria dificuldades
em listar tanta mediocridade encontrada
no BBB.


 Nos anos sessenta e setenta, o genial escritor Sérgio Porto utilizou o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta para publicar suas engraçadas crônicas nos jornais, e lançar em livro o seu antológico FEBEAPÁ: O Festival de Besteiras que Assola o País. Se Ponte Preta tinha o FEBEAPÁ, eu digo que Bial no Big Brother tem o seu FEBEMEARDÁ: Festival de Baixarias e Mediocridades que Assola a Realidade Diariamente no Ano. Eu pensava que já tinha visto tudo, em termos de imbecilidade na televisão (até porque, infelizmente, TV não é apenas um veículo de difusão de cultura, mas também é um espaço para o exercício das mais absurdas expressões humanas jamais vistas); mas, depois da última edição do BBB, acabou-se meu estoque de paciência diante de tanta mediocridade, estupidez e falta de respeito com o público. Demorei anos para escrever qualquer coisa sobre esse programa, já que muito já foi escrito (e esculachado) sobre ele. Resta aqui agora a minha indignada manifestação.

Semana passada, li o inteligente artigo escrito por Nirlando Beirão, na Revista Carta Capital (edição nº 680), intitulado: O império da indigência. Nele, até com uma certa compaixão pelo personagem, Beirão desanca Bial e sua trupe, denunciando a usina de mediocridades que se tornou o programa BBB, comandado pelo seu (outrora) consagrado apresentador-mor. Pelo tom da excelente matéria escrita por Beirão acerca de Bial, dá pra se perceber que aquele jovem, austero e bonito jornalista de olhos verdes, que além de réporter também era escritor e compositor (com direito à participação e classificação no longínquo MPB Shell do começo dos anos oitenta), que ficou conhecido por matérias jornalísticas históricas e reportagens sensacionais, como a narração da Queda do Muro de Berlim, em 1989, não mais existe. Aquele bom jornalista tornou-se agora um bobo da corte, um clown a serviço dos interesses das Organizações Globo, que nos tempos do patrão ainda vivo, esmerou-se em publicar uma biografia de qualidade duvidosa de Roberto Marinho, exaltando as enormes qualidades do falecido chefe; mas sem esboçar uma única linha de críticas ou fato desabonador da personalidade pesquisada. Bial passou a representar o jornalismo lacaio, que se submete de forma quase prostituída ao grande empregador, mesmo sendo a opinião pública sabedora do comprometimento de "doutor Roberto" com a ditadura militar e a sabotagem feita pela Rede Globo no último debate entre presidenciáveis, na primeira eleição para presidente em 1989, no histórico embate entre Lula e Collor, garantindo a vantagem para este último, para desgraça do país, na célebre piscada do globo azulado, fazendo "plin-plin".


Pedro Bial: ele já foi " o cara" algum dia, mas
agora, rendeu-se às vantagens do bom salário
para apresentar o "inapresentável", na sua
filosofia tico-tico no fubá do vale-tudo
na televisão nacional.
 Que pena que um ex-grande jornalista, leitor ávido de Guimarães Rosa e conhecedor de Roland Barthes, deixe de lado seu conhecimento universitário, para pôr no lugar versos de poesia chula e oportunista, através de seu sotaque carioca, de brasileiro criado nas praias fluminenses, para louvar não a expoentes da cultura nacional (como fazia em suas antigas entrevistas), mas sim para adular Analices, Ronaldos, Mayaras, Moniques, Yuris e Laísas. Tais criaturas são apresentadas por Bial aos olhos de seu criador (o agora triturado pelo mídia, José Bonifácio Sobrinho Jr.: o "Boninho") tirados pelo primeiro nome de agências de modelo, academias de musculação, festas de solterio, ou de books pornográficos para revistas masculinas.





Pessoas comuns, gente normal, representantes de nossa
"gloriosa juventude nacional"? A verdade é que, com o tempo,
o BBB não consegue mais se justificar pelos tipos rasos que
seleciona, propositadamente, recrutados muito mais pela
bela aparência. Só que cada vez mais fica dificil tentar encontrar
quem é o menos pior (retirado de blogs.pop.com.br)
 Como afirma em seu bem escrito artigo, Beirão considera que a propositada escolha esculachada dos tipinhos mais rasos e mais imbecilóides da sociedade nacional (dentre bíceps, pernas e bundas de fora), acabou por revelar saudáveis (e raras) exceções, como a feliz consagração de um, hoje deputado, Jean Willis, em uma das edições do programa, que não se conformou em fazer o papel da "bicha barraqueira", como é comum nos estereótipos trazidos pelo BBB, pois soube dar a volta por cima naquilo que poderia ser burlesco ( a reveleção de sua homossexualidade, ao vivo, perante as câmeras de televisão), revelando-se mais do que todos ali, um tipo interessante, um sujeito boa praça, centrado, intelectualizado e, sobretudo, esperto, e que diferente de seus desmiolados colegas de confinamento,  soube conquistar com astúcia e muito carisma o desejado prêmio de um milhão de reais. Porém, foram apenas Jean,  a suburbana e gordinha Cida, ou o cowboy Rodrigo, em outras edições do BBB, as raras exceções do programa, dentre um ex-vendedor de côcos, Kleber "Bam Bam" , musculoso e sem noção (que acabou virando capa de revista masculina), e um Dourado, que em sua homofobia e tatuagem de suástica, conseguiu aproveitar o lado negro do público brasileiro, que acabou por elegê-lo o vencedor do prêmio máximo, como o menos medíocre dos medíocres.


Tem certas coisas que ficam difíceis de explicar, ate para
o carismático apresentador do BBB (retirado de
humorpolítico.com.br)
  Por conta de um bom salário, Pedro Bial é capaz de manchar sua biografia, como um Fernando Henrique Cardoso que mandou que esquecessem tudo o que escreveu ( e que agora tenta recuperar sua imagem defendendo, oportunisticamente, a legalização da maconha), deixando para trás seu passado jornalístico para virar um apolegeta da vergonha nativa. Sim! Pois é vergonhoso o papel que Bial vem desempenhando na condução do Big Brother Brasil, como um maestro da ópera de horror da baixaria em rede nacional. Mas, mais vergonhoso ainda é um filho ser criticado publicamente pelo próprio pai, como ocorreu na crítica feita  pelo ex-todo poderoso Boni (pai de Boninho, responsável pelo BBB) ao seu fllho, organizador do programa, em recente reportagem publicada na revista Veja, acerca do descrédito nacional do público brasileiro sobre o BBB. A polêmica nacional se deu diante da suspeita de ter havido um estupro dentro do programa, entre o modelo Daniel (expulso do BBB depois do episódio) e a suposta vítima, a estudante Monique; enquanto esta se encontrava alcoolizada, depois de tantas festas e tentativas de suruba na "casa mais observada do Brasil"( como diz com forjada alegria, seu apresentador, Pedro Bial). Se o modelo afrodescendente passou dos limites, saindo do tom, fazendo mais do que deveria na alcova, após uma paquera mais ou menos entabulada com Monique durante a festa, e se aproveitou de sua semi-inconsciência debaixo dos edredons para violá-la sexualmente (se isso é possível); agora, somente a polícia civil carioca poderá averiguar, levando em conta que as baixarias e apelações do programa saíram dos canais de entretenimento para virar assunto das páginas policiais.


Pego com a "boca (ou será com o dedo?) na botija", só resta
ao modelo Daniel explicar o ocorrido no BBB com acusações
de racismo. Enquanto isso, dentro da casa do programa, a
polêmica rola solta (retirado de pipocamoderna.com.br)
 Dentre um Ratinho da Vida, um Programa do Gugu, as palhaçadas do Pânico na TV e a escória televisionada por um Wagner Montes ou Datena, parece que Pedro Bial e Boninho somam-se ao time dos maestros do freak show nacional, vendendo a alma ao diabo do patrocínio a todo custo. Tudo em prol da audiência. Se business is business, nem me dou ao trabalho de me juntar ao movimento iniciado na web, pedindo o boicote nacional à programação da Rede Globo, no atual dia 25 de janeiro, como forma de protesto contra a falta de ética na TV. Afinal, eu não assistia há décadas a programação da rede Globo (com exceção dos telejornais e O Astro) e só vi o Big Brother Brasil em poucas ocasiões, somente por acidente, dentro de um restaurante ou bar, ou no saguão de um aeroporto. Mas não se preocupem! Desta vez não serei mais vítima dos empregados das Organizações Roberto Marinho no âmbito da televisão brasileira, e não perderei meu tempo (nem neurônios), sequer orando para a figura caricata de um apresentador que só tem a nos legar peitos e bundas, encontráveis na esquina em qualquer revista erótica, dedicada ao público gay ou heterossexual. Se determinadas personalidades preferem deixar para a posteridade o currículo manchado por sua participação em atrocidades na TV, o problema é delas, e não meu. "Basta mudar o canal!", podem dizem muitos deles. Entretanto, quando vejo a sociedade brasileira sendo levada a picos de uma humilhação coletiva, mesmo sem assistir a tais baixarias, ainda me solidarizo com a patuléia chocada com o óbvio da estupidez (apesar do seu conservadorismo fajuto), e acho que até o mau gosto tem limite. Fora com o Big Brother Brasil! E fora com tanta gente que só tem veneno e porcaria para nos mostrar na televisão!! Sorry, Bial! Cansei!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ECONOMIA: A Europa não é mais o que era antigamente, o problema é voltar a ser pior do que era.

Estamos acostumados, em nossa cultura, a usar o jargão: "cada um com seus problemas", e, assim, considerar que os problemas dos outros são somente dos outros e não nossos problemas também. Ao menos em relação ao que ocorre na Europa, isso se revela um ledo engano. Vivemos num mundo globalizado, e como num "efeito borboleta", o que acontece a milhares de milhas daqui, como o tsunami no Japão do ano passado,  provocando um risco de desastre nuclear em Fukushima, pode ter repercussões graves, no comércio de sapatos em Franca, no interior de São Paulo, por exemplo, ou na manutenção da produção de barris de petróleo no litoral do Bahia, no pólo de Camaçari. Tudo o que abala a economia de lá, acaba por ter repercussões diretas aqui, e um exemplo cabal disso é o recente expediente dos países ricos (ou ex-ricos?) de pedir dinheiro emprestado aos países emergentes, dentre eles o Brasil.

O Euro, a moeda única européia, está em crise; mas não é apenas a moeda, mas sim a Europa inteira. A reação em cadeia da economia capitalista, com suas crises sucessivas e a última grave derrocada
 dos países ricos, em função da decadência que passa a Grécia, e o consequente efeito dominó da crise, derrubando a economia dos países restantes, como Espanha, Portugal, Itália e França, anuncia um período de recessão, indefinição e muita insegurança para toda a comunidade européia. A incerteza quanto a sobrevivência do Euro pode significar a incerteza quanto à manutenção de uma Europa unida, depois de tantos séculos (ou até um milênio) de guerras, conflitos e disputas comerciais entre os diversos países da Europa, que outrora, tinham cada um sua moeda própria.

No início da Era Moderna, no conceito de Estado nacional, o princípio da soberania pressupunha a existência de um exército e moeda nacionais. Até a última década do século XX, acostumamo-nos nas aulas de história e geografia a descrever os países da Europa por suas moedas. Lembro-me bem quando era adolescente, que nas minhas aulas eu gostava de ler a edição anual do Almanaque Abril, onde eu memorizava a moeda de cada país, para diferenciá-lo dos outros. Assim, a Inglaterra tinha a sua libra esterlina, a Itália a lira, enquanto que na Alemanha a moeda nacional era o marco alemão, a França dispunha de seus francos, e na Espanha se usava a peseta. Por conta do vil metal, todas essas nações lutaram em guerra umas contra as outras, e foi preciso duas grandes guerras mundiais, que praticamente devastaram a Europa, para que os povos europeus, com suas diversas etnias e idiomas se sentassem juntos nas mesas de negociação, firmassem tratados internacionais, para que então, das ruínas surgisse uma nova entidade que representasse os interesses de uma Europa Unida. Nascia a União Européia, a partir do Tratado de Maastricht, em 1992, e dali nascia também a promessa de que os dias de conflito e destruição ficariam definitivamente para trás, enquanto uma nova Europa se via surgir.

Vi recentemente um comovente drama histórico chamado Feliz Natal (Joyeux Noel), com um elenco estelar de jovens astros do cinema europeu, de diversas nacionalidades. O filme conta os reais e inusitados episódios da confraternização entre soldados britânicos, franceses e alemães na I Guerra Mundial, no dia de Natal, quando os contendores saíam das trincheiras, largavam as armas, numa trégua firmada no front, e diante de um capelão rezavam, cantavam músicas de Natal, bebiam entre si e até jogavam bola, trocando fotografias dos familiares e confidenciando correspondências, como se a Guerra, naquele momento não existisse. O filme retrata fielmente uma Europa que até existia no começo do século passado, que não tinha uma moeda única. Uma Europa em guerra que contrastava com a Europa idealizada pelo filósofo Imanuel Kant, na sua obra A Paz Perpétua, escrita dois séculos antes, em que o filósofo pressagiava o surgimento de uma comunidade internacional, formada uma federação européia de nações, com o próposito de estatuir uma monarquia universal, com um governo e moeda únicos, mas que sabia respeitar a língua e as diversidades culturais de todos os povos que compunham aquela democrática comunidade de interesses. A União Européia nasceu como a concretização do ideal de Kant, e para que ela se mantenha, é fundamental que sua moeda permaneça forte, para unir povos que, outrora, eram inimigos e destruiam uns aos outros.

Se Marx ou Trotsky não conseguiram levar adiante o seu sonho de uma comunidade universal, dotada de uma mesma economia socialista, unindo as nações pela abolição dos meios de acumulação do capital, como defendia Trotsky na sua "Revolução Permanente", ao menos o capitalismo globalizado está tentando unir os diferentes por conta da economia. É cíclico que crises violentas do capital ocorram, como previu Karl Marx, mas também é previsível que o fracasso da moeda européia pode resultar na volta dos nacionalismos, e no retorno de um sentimento muito ruim na Europa, como o totalitarismo. Os novos velhos perigos que surgem para a Europa são o fortalecimento dos neofascismos, com a extrema direita italiana da Liga do Norte, os partidos de ideologia totalitária se desenvolvendo na Holanda e na Escandinávia, assim como o fortalecimento de discursos xenófobos de conteúdo racista, que agora culpam os imigrantes árabes e africanos (e não mais os judeus) como responsáveis pela crise, recessão e desemprego, que assola um em cada três cidadãos europeus em pleno colapso da economia em países como a Espanha e Portugal. Até a Grã-Bretanha foi chamada, e muito a contragosto da fleuma britânica de não querer se envolver nas confusões da Europa continental, o jovem primeiro-ministro conservador, David Cameron, foi obrigado a ir contra seu partido e seu próprio governo, na atual crise cambial, anunciando o apoio da Inglaterra ao pacto firmado pelos países da zona do Euro, como forma de manter a sobrevivência da moeda.

Pois é! Se nos meses que antecederam a Revolução Francesa, com uma economia européia em colapso, Maria Antonieta teve a audácia de sugerir que o povo faminto comesse brioches ao invés de pão, parece que no Palácio do Eliseu, um mais do que preocupado Sarkosy, aliado da Kayser teutônica Angela Merkel, vai ter que recorrer a sua badalada esposa, Carla Bruni, para lhe cantar uma de suas canções folk  ao violão, enquanto a economia da França parece desmoronar, como uma Roma em chamas diante de um Nero a tocar sua harpa. Talvez a cena fosse mais sugerida para Berlusconi na Itália, mas como o capo italiano já saiu de cena, pulverizado por uma dezena de processos de corrupção e abusos sexuais, resta ao povo europeu ver até onde vai dar a ópera bufa que se tornou a manutenção do Euro, e até onde o velho continente, surrado de guerras, vai suportar mais uma visita à lona, na perdição do capitalismo mundial. O mundo assiste aturdido ao desmoronamento da Europa.
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