quinta-feira, 19 de maio de 2011

METRÔ EM SÃO PAULO: O mundo e suas pessoas "diferenciadas".

São Paulo é a terra da garoa, dos sambas clássicos e adoráveis de Adoniran Barbosa, da Avenida Paulista e do "progressiu" do sotaque ítalo-brasileiro de bairros como a Mooca, Brás e Pompéia, ou da graça japonesa das ruas da Liberdade. É o palco histórico da célebre Revolução de 32, assim como dos comícios da Praça da Sé, do movimento das Diretas Já, em 1984, como também revela, entre prédios, pontes e viadutos, a beleza verde do parque do Ibirapuera, a modernidade nas pistas do autódromo de Interlagos ou dos prédios coloridos desenhados por Tomie Ohtake, a majestade do Edifício Martinelli, bem como também é um celeiro de cultura global, com seus museus, ateliês, teatros, cinemas, casas de cultura, livrarias, sebos, bibliotecas, shows, os músicos de rua do bairro de Pinheiros e uma centena de faculdades e universidades, espalhadas pela metrópole bandeirante.

Mas São Paulo também é a meca do capitalismo selvagem brazuca, a prova inconteste e exposta a olho nu das acirradas desigualdades sociais, do jogo de gato e rato de quem tem mais e de que tem menos. São Paulo é uma megalópole, uma metrópole global, onde circula a maior parte do capital na América Latina; mas São Paulo tem outra particularidade: seus meios de transporte, em especial o metrô.

Uma das maiores chagas ou um verdadeiro câncer em metástase eterna na metrópole bandeirante é sua deficiência de meios de transporte, implantados numa cidade cujo crescimento urbano foi intensamente desordenado, ao sabor dos caóticos processos de ocupação das urbes nos países latino-americanos de modernidade tardia. Pelo tamanho da cidade e a quantidade de sua população, as distâncias são imensas, os meios para se chegar de um lugar ao outro são dos mais dificultosos, e a extensa malha viária da cidade sempre foi altamente deficiente. O dilema que muitos países do Primeiro Mundo enfrentaram de maneira satisfatória, equilibrando investimento público em transporte coletivo de massa, junto com a contenção conscientizada do tráfego de veículos particulares (mormente em dias de semana), parece que nunca ecoou bem na cidade paulista. Ao contrário, sempre se investiu em mais e mais carros, e num momento histórico de transformação social, onde nos últimos 8 anos o poder aquisitivo da classe trabalhadora aumentou, e os postos de trabalho avançaram, incluindo os excluídos, todos os indivíduos integrantes, outrora, das classes "E" e "D", agora decidiram ter um carro, no momento em que galgaram de posição social,  transformando-se numa festiva classe "C".

Mas não há meio de transporte mais conflituoso e que expressa bem a cara de São Paulo que o metrô. Fundado tardiamente no Brasil na década de setenta do século passado (levando-se em conta que a Argentina já contava com metrô desde as primeiras décadas do século XX), o sistema de transporte público de metrô em São Paulo sempre necessitou de uma atualização, não apenas com o aumento de sua malha viária, mas também a partir de uma distribuição racionalizada de estações por toda a cidade, que propiciasse o acesso a um meio de transporte mais rápido e acessível, a milhões de trabalhadores que todos os dias deslocam-se de sua casas ainda de madrugada, no começo de cada dia, para encarar a labuta diária de ônibus lotados, vagarosos, num trânsito que é a antesala do inferno. Tudo isso para, após horas, poder chegar finalmente aos seus postos de trabalho, reiniciando o calvário no final de cada expediente.

Eis que na atual reforma do metrô, após a badalada inauguração da estação Pinheiros, toda com apoio da iniciativa privada ( após os tétricos desabamentos há dois anos atrás, com vítimas fatais, que mostraram a deficiência da obra), o atual governador do estado, Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab se vêem as voltas com uma nova polêmica: uma polêmica de classe.

Há poucos dias atrás, sabedores de que iria ser construída uma estação de metrô na rua Sergipe, nas proximidades da Avenida Angélica, moradores do elegante e tradicional bairro de Higienópolis enviaram um abaixo-assinado, com mais de três mil assinaturas ao governo do estado, revelando o protesto de quem, por sua condição de classe, não admite a convivência entre diferentes. No manifesto, os grã-finos e intelectulizados vizinhos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que mora no bairro), revelaram seu medo de que a construção de uma estação do metrô em Higienópolis culminaria com dantescas cenas vistas em outros lugares, por onde passam as linhas do metrô, tais como: camelôs com suas bancas de bugigangas ao redor das estações, vendedores de churrasquinho, mendigos, proxenetas interessados na venda de passagens falsas, viciados em drogas, assaltantes trombadinhas e outros vagabundos de plantão. Curioso foi o teor até singelo da carta endereçada ao governador Alckmin, onde no decorrer do texto, segue-se a transcrição literal  das palavras que sintetizavam o porquê da ojeriza dos moradores de Higienópolis da chegada do novo meio de transporte em seu bairro: a presença futura de "gente diferenciada". Este também foi o entendimento de uma psicóloga, moradora do bairro, que numa entrevista a uma rede de televisão, fez crer que ida do metrô para o tradicionalíssimo bairro acabaria atraindo as classes populares, para o entorno tradicionalmente conhecido como point de uma clientela selecionada, de pessoas de classe alta e classe média alta. Pessoas também "diferenciadas", só que, nesse caso, diferenciadas para o bom e para o melhor.

O fato despertou a atenção da mídia brasileira, com notícias e manchetes que pululuram nas duas últimas semanas nos meios de comunicação, chamando a atenção da imprensa e dos grandes jornais. Não tardou para que até o ex-presidente Lula se pronunciasse sobre o acontecimento, chamando de preconceituosos os moradores do bairro, que não querem a construção do metrô, para que isso não atraía gente pobre para a região. Já alguns gaiatos na internet, logo iniciaram uma campanha nas redes sociais, conseguindo convocar centenas de manifestantes para participar de um "churrascão da gente diferenciada", onde estudantes, artistas e repórteres do CQC divertiam-se com o mote das piadas que se seguiam diante de estupefatos olhares de reprovação da elite paulistana. Sobrou até para o ex-candidato à presidência, José Serra, do partido de oposição ao governo, citado em algumas charges como principal representante de um eleitorado, que não gosta do "cheiro do povão".

Pois se cheiro de povo é o cheiro de churrasquinho feito nas banquinhas de camelô, à beira da escadaria das estações de metrô nas grandes cidades, parece ser esse o destino da futura estação Higienópolis, mesmo que o governo tenha alterado o plano inicial de construir a estação na Avenida Angélica, nas proximidades da Universidade Mackenzie, e ter decidido começar as construções na mais afastada rua Sergipe. De qualquer forma, o episódio que ocorreu em São Paulo reacendeu o debate sobre a luta de classes, segundo alguns jornais paulistanos, mas revelou principalmente, de maneira escancarada, o real preconceito que até então encontrava-se enrustido em numerosas comunidades de classe média da metrópole paulistana, que quando são atingidas diretamente, não medem esforços para destilar verbalmente toda sua carga de preconceito e discriminação social. Em recente pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, a maioria dos entrevistados pertencentes às classes "D" e "E", trabalhadores subalternos, e que prestam os mais diversos serviços como empregados em condomínios luxuosos, garçons, zeladores, porteiros, empregadas domésticas e motoristas, concordam com a existência de metrô no bairro de Higienópolis, como forma de garantir um transporte mais barato e acessível para todos os trabalhadores que se deslocam para região. Afinal, transporte público é de interesse de quem, cara-pálida?

Nas maiores metrópoles do mundo, o sistema do metrô é bem vindo, geograficamente espalhado por toda a cidade e visto como uma iniciativa apoiada por todas as classes sociais, tendo em vista que num ambiente urbano, com trânsito desenfreado, poluição e uma quantidade imensa de veículos, ver o metrô funcionar é quase uma benção para quem defende um meio de transporte alternativo, organizado, não-poluente e que emprega milhares de pessoas, além de transportar milhões. Parece que no seu provincianismo, oriundo de um conservadorismo latente, em que os altos prédios  e mansões em Higienópolis, no passado abrigavam imensas xácaras e fazendas, os ricos moradores da região parecem às vezes se comportar como senhores feudais, ou como antigos membros da Casa Grande, onde os habitantes da senzala deveriam ficar bem afastados, de preferência, do outro lado da cidade. Mas eis que hoje a realidade é bem diferente, o Brasil é diferente.

Resta saber se irá prevalecer o bom senso, se o governo do estado de São Paulo não irá ceder aos mesquinhos interesses econômicos de uma elite insossa, e, ouvindo o clamor popular e a reprovação da opinião pública, finque de vez a estaca pela construção de uma estação de metrô em Higienópolis. A população pobre e trabalhadora de Sampa agradece. Já para o eleitorado serrista e tucano residente em São Paulo, mormente no bairro pivô do controvérsia, é no mínimo mais um revés para seu estilo de vida, ter que conviver com  pessoas feias e pobres, que podem sair de qualquer lugar, a partir do metrô. Enquanto isso, os trabalhadores que se dirigem para lá, encaixotados como sardinhas dentro dos ônibus vão à luta, pegando no batente, com a dor e a delícia de serem...................."diferenciados".

quarta-feira, 11 de maio de 2011

FATO HISTÓRICO: Bin Laden it's over!! Na troca das letrinhas, agora é Obama ao invés de Osama!


Osama! A cara do mal durante dez anos!
 Quem foi em criança em 2001 ou nasceu no começo do século já deve ter convivido nas aulas escolares, nos comentários de seus pais ou de adultos, na televisão ou em jogos de videogame, com o fantasma de Osama Bin Laden. Desde os atentados terroristas nos EUA em 2001, com a destruição das Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e as cenas até hoje espetaculares, de um avião se projetando contra um dos prédios como se fosse um míssil, havia se construído um sentimento universal de vingança, viabilizado no discurso globalizado de Guerra ao Terror, através do governo de George W. Bush.

Os atentados das Torres Gêmeas por autoria de seu principal mentor,Bin Laden,  líder da Al Qaeda, inauguraram definitivamente o novo século e também muito coisa ruim que apareceu depois disso. Se na segunda metade do século passado, viveu-se por mais de quarenta anos o clima pesado da Guerra Fria, com todos os conflitos dela resultantes (Guerra do Vietnam, terrorismos, ditaduras, revoluções), a primeira década do século XXI foi marcada pela luta contra o terrorismo, pelo discurso do inimigo oculto, e pelo retorno de práticas arbitrárias, sob o pretexto de renunciar aos direitos de liberdade em prol de uma maior e mais necessária segurança. Com sua tradição belicista, os Estados Unidos envolveram-se em duas guerras (Afeganistão e Iraque), fizeram eclodir no âmbito interno do espírito americano, uma nova direita religiosa, extremamente reaçonária e semifascista, além de fazer recrudescer os conflitos no Oriente Médio, seja no Iraque ou na já tradicional e horrorosa escaramuça entre israelenses e palestinos. Durante todo esse período, como uma espécie de "Che Guevara do mal", Osama Bin Laden pairou dominante, como um espectro nefasto de tudo o que o fundamentalismo islâmico, o militarismo beligerante ou a mera bandidagem internacional  voltada para o tráfico de armas, podiam fazer.

Eis que o mundo é surpreendido pela notícia, esta madrugada, através de um presidente cujo nome só se diferencia do homem mais procurado pelas forças de segurança estadunidenses por uma letra: Osama Bin Laden is dead!! Numa operação que envolveu as centrais de inteligência norte-americana e paquistanesa, além do emprego de um efetivo militar preparado para matar, foi invadida uma mansão próxima a Islamabad (capital do Paquistão), e lá foi encontrado e morto, Bin Laden, além de parte de seu séquito de apoiadores fanáticos e tão perigosos quanto seu líder. O saldo da operação: além da morte de Bin Laden, perdeu a vida um de seus filhos, e, segundo as agências de notícia, uma mulher que supostamente foi usada como escudo humano. Além da morte do principal inimigo da nação norte-americana, foram presos outros filhos de Bin Laden, acompanhados de suas esposas, que, com certo grau de certeza, deverão agora passar por severas humilhações, quiçá sessões de tortura, em alguma prisão militar no Afeganistão ou em Guantánamo. Na atual semana, na guerra de versões, revelou-se, na verdade, que Osama não usou uma mulher de escudo, e sim u uma de suas esposas partiu em direção dos soldados americanos, assim que eles entraram no quarto do terrorista, tentando impedir a sua morte e foi alvejada na perna. Agora o que se discute no Paquistão é o que será feito das mulheres de Bin Laden capturadas. Serão torturadas, já que se tratam de inimigas na Guerra ao Terror?

Aponta-se o atual presidente norte-americano, como o grande vencedor da caçada humana, que resultou como butim, a cabeça crivada de balas do terrorista saudita, ressucitando sua popularidade, despencada desde a crise econômica e por erros políticos que já foram comentados neste blog. Enquanto isso, a mídia brasileira se digladia, com as revistas Veja (da oposição) e Carta Capital (da situação) com versões diferentes acerca da existência ou não de um núcleo de terroristas da Al Qaeda situados no território brasileiro. Será que além de insanos atiradores de colégio, teremos como triste inovação primeiro mundista os nossos próprios ataques terroristas? Ou será que aparecerão novos Jean Charles, agora em Terra Brasilis, pela insanidade do discurso alarmista dos donos do poder? Quem viver verá! De preferência, sem levar um tiro no peito ou na cabeça!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

MÚSICA: No fim do túnel pode não ter uma luz, mas tem a voz de Adele!

O mundo da música pop não vive sem suas divas. Desde os tempos da gravadora Motown, na década de 60 do século passado, até as paradas de sucesso da Billboard, dos clipes da MTV e do VH1, até os videos do youtube e arquivos do MySpace, não se houve música com voz feminina sem idolatrar esta ou aquela cantora. São as darlings da música, as rainhas do rádio da década de 50,  passando pelos pileques de Janis Joplin em Woodstock, até chegar ao estilo Dominatrix de Madonna. Pode-se dizer que, na verdade, a preferência midiática e quase messiânica pelas mulheres de bela voz, remonta desde a Idade Média, o surgimento da música clássica e as primeiras cantoras de música erudita, com a exuberância da potência vocal das primadonas espalhadas entre sopranos e contra-altos. Mas foi a música popular que notabilizou a linda voz de grandes mulheres, em especial a música negra, com o jazz e o blues de Bassie Smith, até a antológica e épica Billie Holliday. Depois tivemos o advento da soul music, o surgimento das Supremes, e com elas cantoras negras maravilhosas, verdadeiras estrelas da música e majestades que iriam reinar com suas vozes durante décadas, como Diana Ross (que parece hoje ter uma sucessora no trono à altura, através da potente e curvilínea Beyoncé). Sim, sim! Se mulheres são maravilhosas, mais maravilhosas ainda são aquelas de bela voz, que conseguem arrebatar seu público nas rádios, filmes, videos, clipes vistos na internet, ou simplesmente quando alguém deixa rolar o som revelador dos anjos, colocando sua música pra tocar durante uma festa.

Engraçado! Foi numa lanchonete, no fim de noite, comendo um sanduíche, que reparei na minha mais nova musa no mundo da música, que me conquistou no primeiro momento que ouvi sua voz. Apesar da fome, parei até de comer meu sanduíche, quando na lanchonete onde estava, perto de casa, tinha um telão onde passavam clipes tirados da internet, e gravados da MTV ou do canal Multishow, e lá pude ouvir uma jovem cantora inglesa, mostrando seus dotes vocais num single que hoje é tocado à exaustão nas rádios. Estou falando de Adele, e a música que ela canta chama-se Rollin in the Deep.

Adele  é o nome dela. Uma cantora inglesa ruivinha e gordinha, de apenas 22 anos, que apesar de sua cara de anjo, quando solta a voz parece a mais negra e calejada das cantoras de soul ou jazz. Não exagero quando digo que Adele tem a voz de uma cantora negra, e de como nos últimos anos, a Grã Bretanha vem exportando com perfeição, uma plêiade de cantoras jovens, belas e de voz que lembra aquelas cantoras de New Orleans, do começo do século passado, tais como Amy Winehouse e Joss Stone. Mas Adele parece fazer a diferença!

Amy Winehouse foi a grande promessa da primeira década do século XXI. A voz fulminante e o topete feminino esquisito e retrô, na hora certa, que fez a cantora de origem judaica vender milhões e milhões de cópias de seu disco Back to Black, além de arrebatar vários Grammys, parecia ser a promessa de que o mundo havia encontrado uma nova Billie Holliday. O problema de Amy, como é de conhecimento público, exaustivamente divulgado nos tablóides, é seu notório alcoolismo e tabagismo, seu vício frenético em drogas pesadas, e que o pior, seu vício em homens sem futuro. O problema dessa notável cantora é quando seu talento foi dando lugar às fofocas e às notícias das páginas policiais, devido a suas constantes bebedeiras, internações, vícios, e a conturbadíssima relação com seu ex-marido, Blake Civil, acusado de tráfico de drogas. O último show da cantora aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, foi até regular, com direito a Miss Winehouse estampar sua cara pálida e ressacada, na sacada de um hotel, em Santa Teresa. Mas seu desempenho nos palcos brasileiros foi bem distante dos últimos três anos que a consagraram, com uma atuação que não foi pífia, mas foi pra lá de modesta. Os admiradores de boa música com vocal feminino estristeceram-se pela ausência de criatividade de sua musa, que nunca mais fez um disco que estivesse à altura de seu talento. Parece que a fórmula tinha acabado. Só restava escutar Lady Gaga.

Quanto a Gaga. É necessário um breve comentário a essa cantora norte-americana, a contraparte dos EUA à música feminina difundida na Inglaterra, e que serviu para torná-la a sucessora da rainha de todas as divas pop dos últimos anos: Madonna. Admito que Stephanie Germanotta (nome verdadeiro da cantora. Também, com um nome desses, tinha que se tornar Gaga, mesmo!) tem lá o seu talento, quando passou a difundir música muito mais através da imagem, do que do som. Lady Gaga foi uma das cantoras que voltou a apostar na estética do videoclipe, um pouco abandonado com a chegada da internet, mas foi essa mesma internet que tornou Lady Gaga uma cantora poderosa, celebrizada como ídolo cult e objeto até de teses acadêmicas. Curto os clipes, o visual erótico-psicodélico da cantora, e o ritmo dançante de sua batida disco meio trivial, mas não compraria um disco de Lady Gaga. Até porque não preciso! É só baixar as que acho mais interessantes pela internet e tocar no rádio (até pra agradar minha esposa, que adora ouvir Lady Gaga).

Agora, quando se trata de ouvir cantoras cujo repertório dá pra fazer uma coleção. Aí, não dispenso, orgulhoso, os álbuns cujas capas posso estender na minha estante, montar minha própria discoteca, e escutar por várias horas canções maravilhosas, de vozes femininas poéticas (de preferência, sorvendo um bom vinho). Por isso que a música de Adele tanto me conquistou: pela suavidade, frescor, uma certa pureza oriunda não apenas de uma voz, mas de um espírito angelical, tratando das dores do mundo, do sofrimento do amor perdido e das dores de ser mulher, como Adele canta. É! Pra alguns que me chamem de exagerado, acho que Adele é a nossa Maísa inglesa. Ouvi-la é tão bom quanto minhas outras musas, que adoro escutar as canções, como Sara Mclahalan, Bjork, Tori Amos, Diana Krall, Dido, Elis Regina, Rita Lee, Gal Costa, Julieta Venegas e tantas outras, que agora me foge a memória. Pra se ter uma ideia, é só escutar a singela canção Turning Tables, pra entender o que eu estou dizendo, ou então escutar a magnética Someone like You ou a swingada Rumour Has It para entender porque a música de Adele está conquistando o mundo. Não se trata de uma conquista agressiva e selvagem, como Lady Gaga fez, quase a forcéps (e com calcinhas de mais e potência vocal de menos), ou da forma meteórica como Amy Winehouse alcançou o estrelato. Na verdade, a música de Adele começou a se impor de forma gradativa, tímida, discreta, assim como parece ser a própria cantora, mas de maneira definitiva e eficaz.

Adele conseguiu a impressionante marca de ter se igualado aos Beatles, ao figurar entre as cinco primeiras colocações nas paradas de sucesso da Grã-Bretanha e EUA, simultaneamente, e ter superado Madonna, pela primeira vez na história, figurando seu segundo disco por mais de dez semanas como um dos mais  vendidos na parada de sucessos britânica. Para se ter uma ideia, nenhum disco ficava tanto tempo na parada dos mais vendidos, desde o álbum Immaculate Collection de Madonna, gravado em 1990.  O sucesso veio de seus dois discos, cujos títulos lembram exatamente a idade da cantora quando foram feitos: 19 e 21. Não sei se Adele vai continuar com seus discos indicando a sua idade até chegar aos 60 (até porque, após os trinta, nenhuma mulher gosta de revelar a idade), mas pelo menos esses, que revelam uma cantora e compositora de tenra idade, se não são de um brilhantismo digno de uma Sara Vaughn, ao menos destacam uma cantora que não é simplesmente uma diva fabricada pela indústria, feita pra fazer um sucesso diáfano nas FMs, para depois desaparecer.

Talvez o sucesso precoce contamine essa jovem e promissora artista. Talvez não! Alguns críticos já comentaram o desempenho de Adele a de outras cantoras que, pós-adolescentes, conheceram o sucesso e marcaram uma geração, como Alanis Morrisseti, nos anos noventa, mas depois perderam o rumo e a criatividade com discos ruins ou de baixa vendagem, ao passarem dos trinta anos. Pode ser que a cantora gordinha, com cara de anjo e que fala de ex-namorados em suas canções também seja uma febre passageira. Quem sabe?! O futuro a Deus pertence! Mas como bom amante de música e tendo em casa coleções e mais coleções de CDs, só posso dizer que em CD, em algum arquivo de computador, ou em meu pendrive, jamais me esquecerei da voz e da música de Adele, assim como não  me esqueço de muitas outras que, pela voz, também conquistaram meu coração. Agora, deixem-me aqui ouvir o disco 21, mais uma vez. Apertei a tecla play! Até a próxima, pessoal!

terça-feira, 5 de abril de 2011

MÚSICA: Com o Iron Maiden em Recife.

Já assisti a tantos shows de rock (nacionais e internacionais) que perdi a conta, sendo simplesmente impossível recordar quantos eventos musicais espetaculares já presenciei. Confesso que debutei em shows internacionais vendo o antológico, memorável (e à exaustão será contado para os netinhos) show dos Rolling Stones, no dia 4 de fevereiro de 1995, num Maracanã lotado, no Rio de Janeiro. Naquela que seria a primeira (de várias) tournês da dupla Mick Jagger X Keith Richards e seus comparsas no solo nacional. Talvez eu tenha me tornado tão viciado em assistir meus adorados shows de rock, por conta da frustração de minha adolescência, quando ainda um jovem púbere de 14 anos, e fiquei impossibilitado de ir ao primeiro Rock in Rio de 1985, por conta da pouca idade, falta de grana e de um pai militar, que não levaria o filho de Brasília para o Rio de Janeiro, assistir aquela "besteira" de música, com seus "cabeludos drogados" rodopiando em cima de um palco.

Pois eis que desde que cheguei a vida adulta e à independência financeira, não deixei de ir sequer a um showzinho de rock, sem me arrepender dos trocados bem gastos, sempre quando tenho tempo e a possibilidade geográfica de ir. Foi assim durante várias vezes, e felizardo fui quando morei por quase 3 anos em Porto Alegre, a atual meca nacional dos shows globalizados (até mais do que São Paulo), e tive a possibilidade de assistir inúmeros shows, com o conforto de ter uma atração internacional sempre perto de casa. Retornando ao nordeste, pela pobreza de opções culturais e shows internacionais em Natal, só me resta Recife!

E foi através de uma excursão, através do empreendedorismo do simpático empresário Rubens Pedrassoli, é que pude, junto com minha esposa, ir até Recife assistir o show do Iron Maiden, num domingo superdivertido. As poucas horas de viagem, a presença de um coletivo de fãs animado no ônibus, de várias origens e idades, além da possibilidade de assistir uma das melhores bandas de heavy metal do planeta, animou-me para assistir pela primeira vez a apresentação da banda de Bruce Dickinson e companhia.

É verdade! Apesar de meus quase 40 anos de vida e de ter visto centenas e mais centenas de grupos, eu nunca tinha ido a um show do Iron Maiden. Lembro-me, inclusive, que já não me encontrava mais tão ligado no som do grupo, uma vez que, pra mim, a música do Iron Maiden representava aquelas bandas de rock pesado que eu tanto gostava na adolescência, nos anos oitenta; mas com o advento do grunge, das novas tendências do metal, e quando comecei a me interessar mais por rock brasileiro (principalmente o manguebeat), havia me distanciado um pouco do som da turma do Iron.


Nos primórdios dos anos oitenta, o Iron Maiden despontou como uma das grandes bandas da chamada  New Wave of British Heavy-Metal, numa onda de criatividade e de novos grupos musicais interessantes na Inglaterra, com novas bandas britânicas além do Iron,  tais como: Saxon, Def Leppard, Venom e Diamond Head. De todas essas, o Iron Maiden foi, de fato, a banda de metal que mais se consolidou mundialmente, formando um universo de fãs em todos os continentes do mundo. O Iron Maiden foi uma das escolhas acertadas do empresário Roberto Medina, para se apresentar no primeiro Rock in Rio, de 1985, e de lá pra cá, a banda desses ingleses baixinhos e cabeludos, fanáticos por futebol e cerveja, e tendo um pitoresco mascote como o monstro Eddie (que aparece em todas as capas dos discos do grupo), não parou mais de fazer sucesso e encantar os fãs brasileiros. Pode-se dizer que, em certo sentido, nos anos oitenta, grupos como Iron Maiden, Whitesnake e AC/DC reinaram absolutos no universo do heavy metal, na primeira metade da década, até surgirem seus sucessores, como Metallica e Pantera. É dessa época álbuns antológicos e que ficaram marcados não apenas na carreira da banda, mas na história do heavy-metal, como os ótimos e primeiros  álbuns Iron Maiden, Killers, The Number of  Beast e Piece of Mind, até chegar à obra prima Powerslave e à consagração ao vivo, com o álbum duplo Live after Death. Depois dessa época o Iron Maiden decidiu testar novas sonoridades, introduzindo o som de sintetizadores ( o que rendeu muitas críticas dos fãs mais puristas) em discos como Somewhere in Time e Seventh Son, mas nunca perdeu sua marca principal que definiu seu estilo: o baixo encorpado do músico virtuose Steve Harris, a parede de guitarras, sustentada em grande parte pelo autêntico Dave Murray, pelo melódico guitarrista Adrian Smith (que depois saiu e voltou pra banda) e pelo endiabrado Janick Gers, a bateria sincopada de Nicko McBrain, e, é claro, a inconfundível voz do cantor Bruce Dickinson: um vocalista e piloto da aviação comercial, fanático por aviões, que como frontman, foi responsável por algumas das perfomances de palco mais arrebatadoras do rock'n roll.

No documentário Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (2005), o cineasta, músico e antropólogo canadense Sam Dunn, entrevista várias personalidades desse estilo musical, para explicar o fascínio que o rock pesado exerce em milhares de fãs, atravessando gerações. Em uma dessas entrevistas, aparece o simpático baixinho Bruce Dickinson, ensaiando uma passagem de som, na lendária casa de espetáculos londrina, Hammersmith Odeon, falando de sua arte e de como, mesmo chegando aos 50 anos, o vocalista consegue manter o inesgotável vigor da juventude, toda vez que sobe num palco e vê milhares de faces que podem se resumir em apenas uma: aquele fã, jovem, garoto sardento, no meio da multidão, que, segundo Bruce, num exercício de nostalgia, equivaleria a ele próprio na sua inocência de juventude e no amor genuíno a seu grupo musical e à música que tanto aprecia. É de cima do palco que Bruce pode (como fez em Recife), olhar direto nos olhos de cada fã entusiasmado, e dizer, apontando o dedo: Yes! It's you, you! É a magia e emoção da música em toda sua intensidade. É o vigor do Heavy-Metal. This is Iron Maiden!

Em Recife, a banda fundada pelo baixista Steve Harris e celebrizada por Bruce Dickinson, mais uma vez fez por merecer ter tantos fãs e tanta devoção. Os fãs fanáticos do Iron Maiden chegam a tratar a banda como se fosse uma religião, e eu pude ver o entusiasmo de diversos guris cabeludos, barbudos, que ao entrar no frontstage, no pátio externo do Centro de Convenções de Recife, pulavam e gritavam enlouquecidamente e pareciam ter sido tomados por uma benção súbita, ao entrar num estado de graça proporcionado pela alegria de poder ver sua banda favorita. No show, vi gente de todas as idades: fãs antigos, calvos ou de cabelos grisalhos, com mais de cinquenta anos, até adolescentes ou mesmo pré-adolescentes. A abertura do show, com músicas novas, do mais recente álbum, The Final Frontier, começou com o tema introdutório Satellite 15, seguida pela música título. No show, apesar da idade, Bruce Dickinson ainda consegue correr um pouco e dar pequenos saltos pelo palco, naturalmente sem mais aquela elasticidade e vigor físico do passado. Afinal, o tempo passa para todos, não é mesmo?!

Mas, como em todo show de banda que já se eternizou no tempo, o que os fãs mais queriam escutar eram as músicas mais antigas, de um repertório iniciado há mais de trinta anos atrás, mas que até hoje conquista o fã mais recente. Quem esteve em Recife, no dia 3 de abril, não teve do que reclamar, ao escutar sucessos como The Trooper, Fear of Dark, The Evil That Men Do, 2 Minutes to MidnightThe Wicker Man e as mais antigas, do tempo em que Paul D'iano era o vocalista do grupo, como Running Free e a clássica Haloweed by Thy Name. Na onda do politicamente correto, Bruce Dickinson ainda fez uma homenagem às vítimas do terremoto e do tsunami no Japão, dizendo o quanto os brasileiros eram felizardos de viver no lugar em que vivem (Ohh! Yeahh! Ele diz isso pra todos, nos outros países! Mas, e daí?!) e encerrou a noite com um bis, que dá vontade até agora de pular, dançar e tomar umas cervejas. I know! It's only rock'n roll, but I like it! Depois de sua estreia no país com o Rock in Rio, parece que o Iron Maiden adotou o Brasil como sua segunda casa, incluído obrigatoriamente em todas as turnês, nas sete vezes que o grupo já veio tocar aqui. E tomara que venham mais vezes! Apesar de não apresentar mais o brilho e nem a fama mundial dos anos passados, com estouros de vendagem, o Iron Maiden é uma das poucas bandas de rock, que consegue manter unido um séquito de fãs, que vão em romaria em todos os seus shows, cantarolando até os solos de guitarra, e cantando enlouquecidamente para seus ídolos: Can I Play with Madness?? Valeu, turma do Iron! Obrigado pela diversão! Up to the Irons!

segunda-feira, 28 de março de 2011

HOMENAGEM:A vida e morte de Elizabeth(Liz) Taylor é um libelo antifeminista!

Quando eu era criança, via aquelas revistas de celebridade na mesa da sala de casa, que minha mãe gostava de olhar de vez quando, e perguntava a ela qual seria o ator ou atriz mais bonito. De atores, mamãe respondia sem pestajenar: Tarcísio Meira, e de atrizes, das milhares que havia na constelação de estrelas nacionais e internacionais, que ela tinha visto na juventude, ela me mencionava uma que seria a maior de todas: Elizabeth Taylor.

Duvidei do gosto de meus pais. Afinal, nos anos 60, época em que eles viveram bem a juventude, tínhamos também Brigitte Bardoux, ou, para um público mais intelectualizado, Catherine Deneuve. De qualquer forma, quando vejo a popart de Andy Warhol e o famoso poster com o rosto da famosa atriz norte-americana, dou de ombros e reconheço: Liz Taylor era a mega das mega superstars. Em relação à geração de meus pais, daqueles que já se encontram idosos e a geração de hoje, comentar a morte de Elizabeth Taylor (1932-2011) seria, como, comentar para as gerações do futuro, a morte de Angelina Jolie. Elizabeth (ou Liz, como também era chamada nos tablóides) estava para a Terra do Tio Sam,  assim como Mickey Mouse, Coca-Coca ou McDonald's. Era uma das maiores estrelas do cinema hollywoodiano, e também o símbolo de um tempo que já se passou.


Liz Taylor representava a mulher do século XX, que saí de cena para dar  lugar a mulher do novo século. Também representava um modelo de artista que não existe mais: forjado pela indústria, criado para ser estrela, acostumado aos holofotes desde criança, mas destinado à glória, mais por conta do glamour do que pelo talento. Miss Taylor conseguiu superar isso muito bem! A linda mulher de olhos azuis cintilantes, da década de 50, e a senhora gordinha, septuagenária e doente, numa cadeira de rodas, de seus últimos anos de vida, ficarão para a história não apenas como a atriz que colecionava diamantes, assim como maridos(foram ao todo 8, sem contar os namorados e amantes), mas também como a atriz genial, ganhadora de 2 Oscars, que se eternizou nas telas em filmes antológicos e obrigatórios na videoteca de qualquer cinéfilo, tais como: Gata em Teto de Zinco Quente (1958), numa adaptação da peça de Tenesse Williams, contracenando com Paul Newman; ou Quem tem medo de Virginia Woff (1966), um clássico dos clássicos, onde Taylor arrebata a plateia, com a interpretação de uma protagonista gorda, alcoólatra, e perturbada. A própria vida pessoal de Liz Taylor foi um filme, e um pouco de sua história de vida, e de como lidou com as doenças, maridos e o destino, é também um pouco da história do gênero feminino, no século passado.

Senão, vejamos, para ver se vocês concordam ou não com a minha tese.Projetada para o estrelato precocemente, primeiro como atriz-mirim, depois como adolescente imaculada e jovem recém-casada, em comédias românticas do começo dos anos cinquenta, Liz Taylor começou a se desvencilhar do papel que lhe foi dado pelas convenções sociais, com a sucessão de maridos que passou a ter, demonstrando não se tratar de uma mulher que iria se domar muito tempo a um mesmo homem. Ao mesmo tempo, a atriz norte-americana reproduziu os clichês sociais ao se casar tantas vezes, talvez muito para reproduzir um jargão conservador e religioso de que suas uniões não seriam legítimas, se não fossem solenizadas pelos laços do matrimônio, e também por um desejo de toda mulher de encontrar segurança e uma mínima satisfação, nos braços de um homem. Elizabeth Talyor dependia ( e muito) dos homens; não financeiramente, é óbvio, mas sim afetivamente. E nesse momento a vida da atriz rompeu qualquer clichê ou jargão feminista, pois a estrela de megasucesso não tinha medo de expor para toda a mídia sua fracassada vida privada, suas inconstâncias, seus amores frustrados, a enorme carência de uma mulher que tão somente queria alguém, "um homem pra chamar de seu", como diz a música do Erasmo.

Além de expor em sua vida sentimentos tão genuinamente femininos, Liz Taylor correspondia ao biotipo da mulher linda, mas comum, que nas pedradas da vida, apesar da beleza, está sempre sujeita às pedradas do destino e a facilidade de levar porrada das contingências. Além dos maridos e separações Liz tinha uma saúde frágil (muito frágil), que quase a levaram à morte, ao menos em duas ocasiões anteriores. Nessas vezes, a atriz soube dar a volta por cima, e criar, com dignidade, cinco filhos, de seus vários casamentos. Ela correspondia a um padrão de beleza bem conhecido:baixinha, rosto de boneca, estilo mignon, olhos claros, cabelos escuros, as pernas curtas e o busto avantajado, como encontramos muito em belas colegas de trabalho ou na vizinha do lado.Naturalmente, Miss Taylor tinha um diferencial: os olhos (ahhh!os olhos!!aquelas marotas janelas da alma que todo homem apaixonado quer percrustar!). Mas Elizabeth Taylor tinha também um gosto para homens e uma vida afetiva que sintetizavam muito o universo da busca feminina: homens dos mais diversos tipos e estaturas, mas que se resumiam bem num padrão, que misturava virilidade com compreensão. Seu curto e conturbado casamento com o empresário Mike Todd, que resultou em viuvez (após a morte do marido num acidente de avião); a escapadela irresponsável e quase juvenil com o cantor Eddie Fischer( roubado de sua amiga, a atriz Debbie Reynolds) e o histórico relacionamento com Richard Burton, que foi considerado pela própria atriz, o maior amor de sua vida, de todos a que ela já teve.

Burton é um capítulo a parte não só na história de Taylor, mas da história do cinema. Era um ator galês, shakespeariano, que egresso do teatro unia virilidade com elegância e vivacidade intelectual; ou seja, o homem que toda mulher heterossexual desejaria na cama. Com seu jeitão de Sartre num corpo de brutamontes, Richard Burton conseguiu durante anos domar uma estrela indomável, nas idas e vindas de um relacionamento que rendeu que eles se casassem por duas vezes. A própria Liz Taylor dizia em entrevistas que ela e Burton só não vieram a se casar novamente porque ele morreu antes. Ficou para a história a torridez das cenas de amor entre Taylor e Burton no filme Cleópatra, quando seu amado interpretava Marco Antonio, enquanto ela, a protagonista. Ambos fariam ainda juntos outros filmes célebres, como um dos casais mais carismáticos da histórica do cinema.

Mas eis que nas últimas décadas, a aura de Elizabeth Taylor foi se desvanecendo com a idade, assim como raras foram as suas apresentações no cinema (a última na adaptação do desenho animado, Os Flintstones,no cinema). Com o advento de doenças cada vez mais crônicas, a figura de Elizabeth Taylor começou a revelar, com o passar do tempo, os males da modernidade que afetam a maioria das mulheres: a ansiedade. Lutando contra a balança durante anos, a atriz começou a engordar comendo quilos e mais quilos de doces (ahh! Os doces, sempre os vilões das mulheres), além de abusos com álcool e drogas lícitas. A estrela se tornou uma figura tão bizarra quanto seus amigos na época, como Michael Jackson, e após o casamento que durou pouco, com o caminhoneiro Larry Fortensky, em 1991, parecia que o estilo da diva era se tornar um ícone gay, a partir das centenas de drag queens que passaram a imitar o glamour de seu estilo antigo. Os sinais do tempo passaram a atingir uma bela mulher.

Quando digo que Liz Taylor representou uma quebra no paradigma feminista, não digo que ela foi de encontro ao movimento, mas que soube se impor e conquistar seu poder no imaginário dos homens, menos por seu engajamento contra os homens, mas sim muito mais a partir de seu encanto e feminilidade, a favor deles. Liz Taylor amava os homens, assim como muitos homens (poetas, intelectuais, artistas) amam as mulheres. A atriz norte-americana falecida simboliza um século XX que partiu e toda uma geração de astros que se foi, dando lugar a novas belas e encantadoras atrizes da sociedade global do século XXI, novas princesas como a jovem Anne Hathaway, apresentadora da última edição do Oscar, mas que nunca chegarão ao peso do glamour de uma época que já passou. É o sinal dos tempos!

Menos por seu encanto de diva ( assim como foram Marilyn Monroe, Ava Gardner, Grace Kelly, Audrey Hepburn e Rita Hayworth), e mais por sua contribuição para a história do cinema, e para apaixonados pela sétima arte como eu, rendo minha homenagem a uma das artistas-símbolo do século XX, dizendo: BYE,BYE, BABY,!BYE, BYE!!

segunda-feira, 21 de março de 2011

VISITA DE OBAMA AO BRASIL: Hello!!Goodbye!! Brazil is very nice "pra xuxu!"

Neste momento, o presidente norte-americano Barack Obama retorna para sua terra natal, após ter sido saudado por brasilienses e cariocas. Num teatro de uma Cinelândia lotada, vi ontem, no domingo, um chefe de Estado se apresentar como popstar, apesar de receber, durante a semana, uma série de críticas, tanto no espectro político da direita, quanto da esquerda.

Aos meios de comunicação, de praxe, e como lhes soa mais claro, coube amenizar, por demais, a visita do presidente norte-americano, e seu impacto para a economia e para as relações internacionais do Brasil (principalmente a tão sonhada vaga no Conselho de Segurança na ONU), enfatizando muito mais sua família, os penteados e a moda dos vestidos da primeira-dama,  Michelle Obama, além das simpáticas filhas do casal, que na sua pureja juvenil, o que queriam mesmo era curtir a viagem e conhecer um país diferente. Um Obama sorridente apareceu cumprimentando, com a mesma elegância e eloquência, tanto ministros e deputados, nos salões palacianos do poder, como também o povo, na comunidade carioca de Cidade de Deus, numa escola pública, na Cinelândia e até no morro do Corcovado, onde se dirigiu ao final de seu périplo presidencial. Que é simbólica a vinda de um presidente dos EUA ao Brasil, isso sempre ocorrerá. O que me chama atenção são as reações.

Perto de onde Obama discursava para a plateia brasileira, um grupo de 200 gatos pingados, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, representava movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais e associações estudantis, e dos carros de som podíamos ouvir gritos de repulsa, e protestos contra a visita de um presidente norte-americano, como se fosse uma afronta alguém que represente uma nação genuinamente capitalista, vir dar pitaco por essas bandas. Se congelássemos a cena no tempo, poderíamos nos lembrar de que, há mais de quarenta anos atrás, esses mesmos grupos se aglomeravam, aos milhares, discursando contra a ditadura, pregando a revolução, com seus "vários Vietnams" e primaveras de 68, denunciando o imperalismo yankee, o inimigo mortal, representado pelo mais emblemático líder da terra do Tio Sam: o presidente dos Estados Unidos da América.

O problema é que, hoje, não é mais Kennedy ou Nixon que estão no poder, e George W. Bush já saiu (felizmente) de cena, com seus tristes oito anos de retrocesso político e democrático no mundo globalizado, na sua guerra ao terrorismo com seus Patriot Acts  e seriados de Jack Bauer na televisão. Quem está lá agora é Obama, e apesar de ser bastante diferente de seu antecessor (a começar pela cor da pele), parece que o encantamento mundial que surgiu com a vitória do primeiro afrodescendente a governar a nação mais poderosa do planeta, apagou-se com o último disparo de canhões e mísseis na Líbia, governada a mão de ferro por Kaddaffi, e agora, a bola da vez a ser chutada pelo tal "imperialismo yankee".

O bonde da história passa, e algumas frases, slogans ou palavras de ordem ficam datadas. Apesar disso, é muito comum, ao abrir as páginas de uma Caros Amigos ou ler alguns blogs de gente da esquerda, observar-se as mesmas críticas (fundadas ou não) sob a maléfica influência norte-americana nos rumos da economia e na condução da política global. Sabemos que Obama e seu governo não são bobos, e de boas intenções o inferno está cheio, mas o que me chama mais atenção é de como Obama, até então saudado pela esquerda moderada, como um representante dos seus, pôde naufragar como uma promessa vazia, assim como o fajuto trabalhismo de terceira via de Tony Blair, na Grã-Bretanha, também afundou após a farsa sobre a existência de armas de destruição em massa, num Iraque de Saddam Hussein. Obama chegou a Casa Branca como uma promessa autêntica de renovação, com seu irresistível slogan midiático: Yes,We can!, que conquistou toda uma juventude norte-americana para as urnas, numa bem orquestrada campanha que se iniciou na internet. Obama parecia ter tudo para dar certo: carisma, elegância, currículo acadêmico invejável, histórico de lutas como advogado de causas populares, posicionamento mais à esquerda dentro do ambiente político do Partido Democrata, pregações pacifistas contra a guerra e a defesa de uma rede de saúde pública, popular e gratuita para todos; uma biografia invejável de um filho de uma branca com um africano, que nasceu no Havaí e viveu na Indonésia, revelando o quanto o novo presidente era, ele mesmo, um grande representante do novo mundo globalizado.

"O homem certo na hora e no país errado". Essa foi a afirmação de reportagem da última semana da revista Carta Capital, que na sua capa mostrava um Obama deprimido e errático, dentro de um governo que não deu certo, naufragou diante da ofensiva republicana, ficando refém da mais reaçonária, racista, intolerante e alienada direita conservadora. Obama não soube ouvir os sinais de seu zeitgeist, e com isso, acabou por correr o risco de ser atropelado pelo bonde da história, quando caberia a ele mesmo fazer essa história. Nas razões bem explicitadas, na reportagem do semanário do jornalista Mino Carta, Obama não leu Roosevelt. Aquele que, assim como ele, pegou uns Estados Unidos no auge de uma crise econômica ( a Grande Depressão de 1929), soube peitar os empresários capitalistas, especuladores, e a partir da intervenção do Estado conseguiu reerguer a economia, restituir empregos, responsabilizar tributariamente os mais abonados e com isso levar a nação norte-americana, novamente, ao caminho do desenvolvimento. Obama, ao contrário, não cumpriu com suas promessas de campanha, como fechar a base militar de Guantánamo, onde pululam denúncias e mais denúncias de violação dos direitos humanos. Demorou mais do que deveria para retirar as tropas do Iraque e afundou num conflito no Afeganistão, onde até hoje não se sabe, se algum dia, definitivamente, a guerra contra os talibans será realmente vencida. Obama não conseguiu frear a ganância e o ímpeto destrutivo da grande indústria, não conseguindo impedir a continuação da emissão de gases tóxicos, que destroem o meio ambiente e comprometem a qualidade de vida no planeta, e ao propor uma rede de saúde pública e democrática para toda a população, acabou sendo acusado de comunista (coisa que ele não é), apanhando nas urnas com a vítoria do Partido Republicano sobre o Democrata, nas eleições parlamentares do ano passado, e tendo sua recente lei de saúde, aprovada no Congresso, questionada por juízes e tribunais neoliberais, em quase todos os estados norte-americanos, sob acusação de que sua lei de saúde pública é inconstitucional.

Resumindo o governo Obama em uma palavra, poderíamos dizer:  desastre. Infelizmente, para muitos que torciam  para que o charme de um negro simpático pudesse fazer chover e mover moinhos, parece que o mandato do presidente norte-americano caminha tropegamente para o fracasso, para a tristeza mundial, que acreditava que com a volta do Partido Democrata ao poder, caso não se visse o apogeu e a vitória dos direitos civis com Kennedy e Lyndon Johnson, ao menos poderiam ser vistos, quem sabe, os pragmáticos anos da era Clinton, nos anos noventa, com ou sem charutos envolvendo ex-estagiárias e escapadinhas no local de trabalho. Ao invés disso, parece que o mandato de Obama tende a se encerrar da mesma forma que o de seu companheiro de partido, Jimmy Carter, no final dos anos 70: com o término da vida política de um cara legal, comprometido com as causas democráticas, mas que não chegou a lugar nenhum , num país e num governo de alienados, consumistas, autoritários e gananciosos; pois, afinal: That is the american way of life!

Resta a Obama a satisfação pessoal de um pai de família, de ter garantido à esposa e às filhas um belo passeio por uma linda cidade, localizada nos trópicos, num litoral paradisíaco como é o Rio de Janeiro, em seu lindo horizonte da América do Sul. Se não conseguiu mudar o mundo, as relações imperiosas de submissão e sacanagem que sempre fizeram parte do vínculo entre Brasil e EUA, e se não conseguiu encantar com sua viagem seu eleitorado nativo (que já acha meio manjado esse papo de save the world do presidente norte-americano), Obama ao menos jogou para a torcida e fez o que sabe melhor fazer, como político e como pessoa pública: encantar. Restará na memória dos brasileiros, não melhorias substanciais ou transformações alvissareiras, por conta da visita do presidente norte-americano ao Brasil,  governado por Dilma Roussef, mas sim a recordação dos sorrisos, do charme e da elegância de um presidente e de uma primeira dama, que mais pareciam modelos saídos de uma gravadora de soul music, do que de um chefe de Estado da nação mais poderosa do mundo.

Obama ainda terá pela frente seus próprios calos, seus próprios espinhos, através da direita raivosa  e meio rottweiller do Tea Party, em solo norte-americano, além da demagogia explícita de canais como o Fox News ou os meios de comunicação a serviço do grande capital. Enquanto isso, nas ruas, ainda se verão gatos pingados clamando contra Obama, como se ainda estivéssemos nos tempos da Guerra Fria ou da ditadura militar no Brasil, queimando bandeiras dos EUA e bonequinhos do Tio Sam ou do presidente norte-americano. Só um detalhe: criticar o bombardeio à Líbia de um canalha como Kaddaffi? Aí, já é demais!! Não confundamos esquerdismo com burrice!! É pena, Obama, mas teu jargão se inverteu, diante da realidade global grotesca que vivemos: NO, WE CAN'T!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

TRAGÉDIA: O dia em que todo o mundo virou japonês!

O NHK é um dos canais mais pitorescos da TV por assinatura. É a emissora japonesa mais conhecida do mundo, ofertada em vários pacotes de canais de televisão em TV fechada. Chega a rivalizar com sua célebre colega do Oriente Médio, a Al Jazeera, mas é muito curioso assisti-la aqui no Brasil. Afinal, fora a comunidade japonesa e de descendentes de orientais que residem em bairros como a Liberdade, em São Paulo, ninguém entende uma palavra do que se diz!

Pois eis que o NHK chamou mais uma vez a atenção do público, desta vez não por uma curiosidade cultural, mas sim por divulgar as espetaculares e arrasadoras cenas do último terremoto e dos tsunamis que se abateram sobre o Japão na semana passada. Como se não bastasse ter sofrido o mais violento e pior terremoto de sua história moderna, que provocou no mar ondas gigantescas que devastaram cidades e povoados inteiros, o povo japonês ainda vive sob a iminência de uma catástrofe nuclear, devido as usinas nucleares, próximas à costa, atingidas pelos devastadores tremores de terra. Não bastou Hiroshima e Nagasaki, agora o povo da terra do sol nascente corre o risco de viver uma nova Chernobyl!

Desde criança, quando somos advertidos em sala de aula sobre a necessidade de bom comportamento e disciplina, vemos um ou outro professor (geralmente de história ou geografia) falar da dedicação e da disciplina do povo japonês, que fez com que eles reconstruíssem um império destruído na II Guerra, e se tornassem uma das nações capitalistas mais ricas do planeta. Desde os seriados de TV, com seus Nacional Kid, Ultraman, Espectroman e Jaspion, passando por Pokemon, Dragon Ball Z, mangás, animês, hentais, os poemas haikay, e os filmes de artes marciais, além do sushi e sashimi comido nos restaurantes, a cultura japonesa invadiu o imaginário pop, fazendo com que nos acostumássemos com aqueles sorridentes turistas amarelos, dos olhos puxados, sempre com uma câmera fotográfica enrolada no pescoço, e com um jeito de falar engraçado, que nos lembra da sabedoria milenar de uma terra que já foi povoada por shoguns e samurais. Havia um lema jocoso nos banheiros da USP, segundo comentários de vestibulandos da FUVEST, zombando da forte concorrência estabelecida nos cursos de engenharia pelos descendentes de japoneses, na disputa de vagas da universidade: "mate um japa e ganhe uma vaga!". Isso denota bem a crença de que o povo japonês sempre foi extremamente dedicado, aguerrido em seus propósitos, ordeiro e até certo ponto comedido, na temperança cultivada com os ensinamentos do budismo e do xintoísmo.

Pois essa mesma mansidão e disciplina agora está sendo posta à prova, diante do cataclisma que se abateu sobre o arquipélago japonês, localizado numa área repleta de falhas geológicas, entre placas tectônicas conflitantes, que já fazem dos abalos sísmicos um cotidiano de um povo habituado com tremores de terra, por séculos e séculos. Sabe-se que no Japão, a população é rotineiramente treinada para lidar com terremotos e que as construções feitas no solo japonês tem a melhor qualidade do mundo, pelo seu nível de estabilidade e segurança, capazes de suportar abalos terríveis em sua estrutura. Mas será de que desta vez os japoneses estão preparados para tamanho infortúnio? No saldo final do último terremoto de 8.9 na escala Richter (considerado de proporções apocalípticas), ainda se contabilizam mais de 3.000 mortos, sem contar os desaparecidos, e o pior ainda está por vir: uma crise de abastecimento, com falta maciça de alimentos, por conta do tsunami surgido com o terremoto, ter alagado praticamente 1/3 das terras irrigáveis no Japão. Tragédia pouca é bobagem!

Ouve-se o "sábio" dito popular de que o brasileiro é um povo abençoado, porque aqui podemos ter de tudo: enchentes, queimadas, fome, miséria, os mais corruptos políticos e a mais rasteira criminalidade; mas ao menos não temos desastres naturais que afetam outros povos, como terremotos e furacões. Mas como será que está a situação de milhares de brasileiros, muitos deles dekasseguis (descedentes de japoneses, nascidos no Brasil, que decidem voltar à terra de seus ancestrais, em busca de trabalho e melhores condições de vida)? Conheço algumas pessoas, filhos e netas de japoneses,  e acredito que muitos que leem este blog também conheçam, e me pergunto o que dizer para essas pessoas quando a terra de seus familiares é abatida por um acontecimento horroroso, de tamanha proporção, e só resta a eles acompanhar de forma sofrida o noticiário. Ano passado, testemunhamos o sofrimento dos chilenos no terremoto no Chile, e depois com seus mineiros enterrados, e no trágico abalo no Haiti, vimos que a tragédia natural matou centenas, milhares de pessoas, numa proporção catastrófica, até mais do que são dizimadas populações inteiras em grandes guerras, e onde brasileiros ilustres perderam a vida, como a militante social Zilda Arns, além de muitos militares brasileiros (vide comentário sobre o terremoto no Haiti, escrito no ano passado, neste blog). Agora, pudemos apenas assistir como expectadores atônitos, com um frio na barriga, os dantescos acontecimentos no Japão, diante de cenas que beiram o pesadelo, numa situação em que podemos pensar:"puxa, isso poderia estar acontecendo aqui, comigo".

A meu ver, não resta outro caminho, diante da tragédia inevitável, do que a solidariedade. Sim, a boa e velha palavra bonita e manjada chamada solidariedade. Alguns mais caústicos, de humor ácido ou que simplesmente manifestam sua revolta, podem dizer que é falta do que fazer escrever sobre as vítimas do terremoto no Japão, mas, como cristão e humanista (lá vem as minhas autorotulações!), eu sempre chamo atenção para uma postura minimamente sensível, que podemos ter diante de tragédias como essa, que abatem o povo japonês; pois o sofrimento não é um sentimento exclusivo e próprio, exibido egoísticamente como unicamente nosso, com direito a exibir uma nota de compra ou um título de propriedade, dizendo que nós é que temos que chorar os nossos mortos, e os outros que se danem. É verdade que temos as nossas vítimas das enchentes, enxurradas e desabamentos aqui para chorar, mas sempre temos também um sentimento universal que nos diferencia enquanto gênero humano: a capacidade de se compadecer e compartilhar a dor da outro.

Acredito que os blogs, como qualquer outro meio de comunicação, também tem o seu papel social, e, diante disso, junto-me ao movimento de solidariedade e apoio às vítimas do terremoto e dos tsunami no Japão, enviando aqui alguns endereços e e-mails, sob respaldo da Aliança Cultural Brasil-Japão, a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, a Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, além de muitas outras organizações,  fornecendo conta bancária e contatos, para aqueles que se interessarem em contribuir com as vítimas da catástrofe japonesa, a partir dos seguintes dados:

e-mail: contato@bunkyo.org.br e telefone (11)3208-1755, assim como no endereço eletrônico info@kenren.org.br e nos números (11)3277-8569, (11)3277-6108 e (11)3399-4416.  Também é possível obter informações pelo e-mail: enkyodiretoria@enkyo.org.br e os telefones (11) 3274-6482, (11) 3274-6484, (11) 3274-6489 e (11) 3274-6507.

Bradesco - agência: 0131-7, contas-correntes 112959-7 e 131.000-3; Santander, agência: 4551, conta-corrente:130900004-4; Banco do Brasil, agência: 1196-7, conta-corrente 29921-9

Naturalmente, quem se interessar, ligue e confirme os dados, a fim de dar essa grande e importante contribuição para o povo japonês. Como fazem os budistas em suas meditações, proferindo as palavras rituais que atraem energias positivas e harmonia diante do sofrimento, entôo o daymoko: Nam-Myoho-Rengue-Kyo . Boa sorte, Japão!

Gates e Jobs

Gates e Jobs
Os dois top guns da informática num papo para o cafézinho

GAZA

GAZA
Até quando teremos que ver isso?