O Dogma foi um movimento cinematográfico europeu, iniciado por diretores de cinema dinamarqueses na década de 90, através de um manifesto publicado em Copenhague, em 1995, tendo como um dos principais signatários, o então jovem cineasta Lars Von Trier. O movimento pregava uma ruptura com o cinema comercial, uma crítica ferrenha aos chamados blocksbusters e tudo o que vinha da indústria. Em sua estética, os adeptos do movimento pregavam um cinema que deveria ser feito muito mais de ideias, do que de parafernálias ou efeitos especiais. Voltava-se ao discurso de que, com uma câmera na mão, poderia se fazer uma revolução. Assim era o cinema para Von Trier.
Passados 16 anos, muito do que era o movimento original já se dissipou e, naturalmente, cineastas como Lars Von Trier não desperdiçam mais efeitos especiais ou uma mãozinha aqui ou acolá de computadores. Afinal, não é a tecnologia a grande inimiga da arte. "Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro"(já dizia finado Chico Science), mas o que mais se nota na genialidade, no estilo e na polêmica do diretor dinamarquês é que em sua profícua obra, geralmente alvo de prêmios (principalmente em Cannes) ou de insultos, fica demonstrado que Lars Von Trier é um depressivo profissional!
Von Trier se vale da depressão, da ironia e do ceticismo quanto à humanidade como artifício estético, como pano de fundo de seus filmes que brincam com diversos estilos cinematográficos. Se em "Dançando no Escuro", o diretor fazia uma paródia dos musicais, em "Godville" ele relembrava filmes de gângster, assim como em "Anticristo" seu foco eram os filmes de terror. Agora em "Melancolia" (Melancholia, no original), parece que Lars Von Trier vale-se dos filmes apocalípticos de ficção científica, para esmiuçar sua depressão, exercer um de seus alteregos, através das atrizes de seus filmes, que são suas musas sofredoras. Von Trier adora torturar suas atrizes (fazendo com que muitas delas façam apenas um filme seu), fazendo com que elas explorem em suas interpretações o ápice do sofrimento (ponto pra Charlotte Gainsbourg, que conseguiu fazer seu segundo filme com o diretor). Não é diferente com Kirsten Dunst em Melancholia, assim como não é diferente nos outros filmes da obra do diretor o grande teor de ironia, mais do que de desilusão. Afinal, são filmes de Von Trier, e se não fossem assim, não seriam filmes dele, não é mesmo?!
Em Melancholia vemos que o filme se divide em duas partes, centrado em duas protagonistas: duas irmãs, sendo que uma, Justine, interpretada por Dunst, é a tristeza pura em estado bruto; enquanto que sua irmã, Claire, feita por Gainsbourg, é o estado puro da resignação, o pragmatismo diante do imediatismo de uma vida curvada às convenções. O filme inicia-se com o casamento de Justine, na tentativa de ser "normal", de se adequar às convenções sociais, casando com um homem que ela não ama, mas que pode significar a saída para sua tristeza. Ledo engano. Quando a festa de casamento se desenvolve, percebemos aos poucos os reais traços depressivos da personalidade de Justine, seus medos e angústias, e do quanto eram forçados seus olhares apaixonados e sorrisos para o noivo e convidados da festa, quando na verdade, por debaixo das aparências, estava alguém ali louco para gritar. Destaque para a atuação dos pais de Justine, interpretados pelos equilibrados e consagrados John Hurt e Charlote Rampling, além de Kiefer Sutherland (sim, ele mesmo, fazendo filme de arte! Na tentativa de se firmar como ator "sério" e retornar ao cinema depois de anos na série de TV, 24 Horas), interpretando o marido de Claire, cunhado de Justine, e responsável pela festa de casamento.
Justine, através da brilhante atuação de Kirsten Dunst (vencedora da Palma de Ouro de melhor atriz), é a tristeza personificada, a verdadeira "melancholia" do filme, e não o planeta de mesmo nome, que descoberto pelos astrônomos, em breve, deverá colidir contra a Terra, provocando uma iminente e inevitável destruição. O suposto "filme de ficção científica", na verdade serve como metáfora dos nossos mundos: um, o imaginário, inatingível, imperecível, que acaba por se chocar com o mundo real, dos destinos, das regras, rituais e convenções sociais que, um belo dia, somos obrigados a seguir. O filme de Von Trier é um drama existencial ao extremo, assim como é a personalidade complexa do diretor, permeada por surtos maníaco-depressivos. A depressão é a tônica do filme, pois Justine logo será assombrada pela doença, prostrada a ponto de não conseguir sequer caminhar ou tomar banho sozinha, sendo auxiliada pela irmã, enquanto a Terra se aproxima de sua destruição. É no apocalíptico momento do final que Justine recupera o sentido da vida, ou, ao menos, o sentido do fim da vida, enquanto que a tristeza passa agora a tomar conta de sua irmã, inconformada com o fim iminente, já que acha injusto que toda a existência acabe assim, de uma hora para outra. Ela tem uma família e sua única preocupação de mãe é salvar seu filho da destruição. É o que toda mãe faria, mas sente a impotência do destino final, por ter as mãos atadas é não poder remar contra o inevitável, o armagedon que está por vir. Não é à toa que o nome da protagonista é Justine, o mesmo nome, na literatura, da personagem do Marquês de Sade, que estava fadada a uma vida de dor, privações e sofrimentos. A Justine do filme também é uma figura sofrida, a partir de seus lindos, mas sorumbáticos olhos, mas é um sofrimento que surge bem antes do mundo se acabar, por uma total consciência do absurdo de se estar nesse mundo.
Se em Dogville, a personagem de Nikole Kidman era a versão de um Cristo vingativo, que não redime mas pune a humanidade ingrata e pecadora, em Melancholia a humanidade é vítima do próprio universo, quando um planeta aparece por detrás do sol, numa trajetória mortal em direção à Terra. Tudo porque, segundo Justine: "a humanidade é ruim, e se estamos sozinhos no universo, pois só há vida aqui, logo em breve nenhuma vida existirá". Triste? Sim, é triste sim, mas antes de mais nada a metáfora sobre o fim do mundo, ou sobre o juízo final onde não haverá final feliz, é o recado de Von Trier para uma Cannes que o expulsou com quatro pedras na mão, ao não entender suas piadas sem graça sobre o nazismo ou Hitler, e ter menosprezado a arte de um gênio que é ao mesmo tempo genial e estúpido, seja porque decide largar seus remédios de vez em quando, para liberar toda sua potencialidade criativa, outrora entorpecida pelos medicamentos, seja para meter o dedo na ferida, e falar com extrema ironia da natureza humana, que merece ser desvelada em seus aspectos mais sombrios. Talvez Lars Von Trier seja tão e simplesmente um puritano desencantado, daqueles que amaldiçoam uma humanidade que deveria ser tão boa, por viver num mundo tão bom, e não é. Talvez ele seja apenas um diretor de cinema arrogante, preocupado em fazer cinema de autor, com seus disparates e leviandades intimistas. Não sei! Só sei que ele faz bons filmes, e se bons filmes são aqueles que te apanham para pensar, creio que filmes como Melancholia fazem a gente pensar até demais!
Melancholia é um bom filme, que naturalmente deverá ser visto por muitos psicólogos e psicanalistas, que estudam o fenômeno da depressão. Porém, o filme também merece ser visto por todos aqueles que acreditam que existam pessoas que simplesmente não se preocupam com o fim do mundo, porque, no fundo, querem que isso aconteça. Vá entender certas pessoas! Vá entender cabeças como a de Lars Von Trier. Desta vez, o pessoal de Cannes não quis entender!
Um blog em forma de almanaque, com comentários sobre cultura, política, economia, esporte, direito, história, religião, quadrinhos, a vida do próximo, o que você desejar, ou que os seus olhos se permitam a ler e comentar, contribuindo para as reflexões desse humilde missivista, neófito nos mares internaúticos, em meio a esta paranoia moderna.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
CINEMA: Em "Gainsbourg" o hino à vida é hedonista,mesmo que isso custe um pulmão!
Serge Gainsbourg (1928-1991) era um cantor e compositor francês, mais conhecido internacionalmente pela canção Je t'aime...... moi non plus que até hoje é trilha sonora de muitos shows de strip tease ou quartos de motel do mundo inteiro. Confesso que até saber do filme que conta sua história, eu não sabia nada sobre a obra e existência desse artista, a não ser que ele é pai da talentosa atriz e cantora francesa Charlotte Gainsbourg, conhecida pelos filmes de Lars Von Trier: Anticristo (de 2009, onde ela atuou com William Dafoe) e o mais recente Melancolia, ainda a estrear nos cinemas brasileiros.
Pois através do filme "Gainsbourg:o homem que amava as mulheres" (Gainsbourg-Vie Heroique), dirigido por Johan Sfar, ficamos sabendo da vida, da obra e das mulheres de um dos maiores compositores populares da Europa, da segunda metade do século XX. Ele chegou a ser considerado uma lenda na cultura francesa, tanto quanto os brioches, queijos ou vinhos franceses, além de ser considerado um dos artistas mais mulherengos de sua geração. Porém, não obstante sua fama de "pegador", o que mais me interessou, no personagem interpretado pelo ator francês Eric Elmosnino, foi a personalidade única de um sujeito que nunca pensou ter chegado tão longe quanto chegou, e que, diante da fortuna, portou-se como um afortunado hedonista, um homem que fumou, bebeu e transou muito, como se, ao ligar um fuck you para o estabilishiment, ele quisesse dar o seguinte recado: "já que cheguei até aqui, vocês vão ter que me engolir".
O filme demonstra que na história de Gainsbourg, o cara tinha tudo pra ser um mero zero à esquerda. Nascido Lucien Ginzburg, oriundo de uma família de judeus russos imigrados para a França, vemos numa Paris ocupada pelos nazistas, o pequeno menino Lucien brincando entre soldados e militantes da resistência francesa, alheio ao conflito mundial que destruiria a Europa e chacinaria os judeus, rodeado de seus amigos imaginários e fantasias, entre aulas de piano que já detestava, e as fugas para fora da cidade nas gazeadas do colégio, para poder acender um cigarrinho entre as árvores dos bosques vizinhos, enquanto desenhava suas musas e fantasias. O filme é rodeado de um certo realismo fantástico e um clima de historia em quadrinhos ao mostrar os fantasmas ou alteregos do cantor, seja durante a infância quando é perseguido pela imagem de um boneco gigante de um judeu gordo, em formato de círculo, quando é criança; ou quando, já adulto, faz contato com a imagem de seu outro eu, já famoso (na verdade, um boneco de papelão com nariz, orelhas e mãos enormes, retratando o cantor, na visão dele mesmo).
Um sujeito feio, narigudo, magricelo, com orelhas de abano e fumante inveterado, foi visitado pela sorte e pela fortuna desde quando largou os estudos de belas artes e seguiu carreira como músico, levando para bares os conhecimentos de piano adquiridos durante a infância, treinado rigidamente por um pai que sonhava ter um filho pianista clássico. Gainsbourg saiu dos botecos parisienses para as altas rodas dos compositores franceses, para teatros lotados, cassinos e direto para as rádios e gravadoras, não apenas mudando de nome, adotando o apelido Serge (mais adequado à visão estética de requinte que queria ter de seu trabalho) no lugar do simplório nome de batismo, mas também mudando de estilo, mesclando diversos elementos da música popular. No começo da carreira, Gainsbourg flertou com o jazz, o blues e a bossa nova, vindo posteriormente a se firmar como um cantor de música romântica, com sua voz grave e meio rouca, até aderir ao rock, à psicodelia e à guitarra elétrica na década de 70, mas sem descuidar da sonoridade de seu original pianinho. Na década de 80, o cantor ainda viajaria para o Caribe, num autoexílio após uma década de excessos e sucessivas desilusões amorosas, juntando-se com músicos jamaicanos e produzindo músicas com uma linha voltada para o reggae (sua versão em ritmo de reggae da Marseillaise, hino da França, gerou protestos violentos e quase provocou quebra-quebras e conflitos de rua na França). Pois é, o cara era conhecido pelo ecletismo e pela excentricidade nas suas canções. Uma mistura de Frank Zappa, Mick Jagger e Reginaldo Rossi.
Apesar da feíura, Gainsbourg conseguiu encarnar aquele tipo de homem que compensa a falta de beleza física com um charme irresistível do chamado "come quieto", com seus ares de discreta elegância e uma certa dose de machismo dosado, sem perder o cavalheirismo. Pela cama do rapaz passaram algumas das mulheres mais belas do mundo, tendo ele tido um tórrido romance com Brigitte Bardot (interpretada no filme pela ex-modelo e atriz Laeticia Casta) , o que escandalizou a sociedade francesa da época, uma vez que se tratava de uma mulher casada (no caso, o sorteado que levou um belo par de chifres era o cineasta francês, Roger Vadim). Além de Bardot, Serge Gainsbourg teve um sólido relacionamento com a atriz inglesa Jane Birkin (interpretada no filme pela linda atriz britânica Lucy Gordon, que, infelizmente, após o filme se matou, aos 28 anos, em Paris. Que desperdício!), com quem manteve um relacionamento de 13 anos, o que lhe rendeu duas filhas. Além de nutrir uma paixão pelas mulheres, Gainsbourg era fumante compulsivo, um adepto incontrolável da nicotina, com seu cigarrinho ao seu lado, como uma muleta eterna no canto da boca, além de um copo de uísque em uma das mãos. Com a outra mão o cantor ou alisava os cabelos de alguma bela dama ou empunhava um microfone, cantando algumas pérolas do cancioneiro popular francês.
Se Charles Aznavour, para muitos, é considerado uma espécie de "Roberto Carlos da França", Serge Gainsbourg era seu vice-rei, ou um Wilson Simonal branco que acabou virando Raul Seixas. Metáforas e comparações à parte, a verdade é que a obra de Gainsbourg é considerada hoje uma referência para muitos estudiosos de música popular, ou para quem simplesmente gosta de uma boa música cantanda em francês. Foi no sentido de chocar e aproveitar a onda da revolução sexual que explodia no final da década de 60, que Gainsbourg compôs seu maior clássico, Je t'aime... moi non plus, com seus gritos e sussuros no decorrer da música, entre a voz dele cantando e a de sua ex-esposa, Jane Birkin, numa canção que pode ser vista hoje como brega, mas que, na minha infância, consistia num hino de acasalmento essencial pra quem queria viver uma grande noite de amor. Entre seus drinques, idas ao hospital pelos excessos de álcool e tabaco ou pelo sexo frenético, mas romanticamente intenso que viveu com todas as suas amantes, Serge Gainsbourg entra no panteão daqueles que, por amar demais, não puderam amar uma só, tal como Vinícius de Moraes, Marcelo Mastroiani ou Pablo Picasso, ou por amarem demais a si mesmos não puderam viver na plenitude o amor, num pleno culto narcísico de um narcisismo que, para os feios mas charmosos só faz bem, ao invés de aniquilar a alma. Au revoir, mon ami Serge!!
Pois através do filme "Gainsbourg:o homem que amava as mulheres" (Gainsbourg-Vie Heroique), dirigido por Johan Sfar, ficamos sabendo da vida, da obra e das mulheres de um dos maiores compositores populares da Europa, da segunda metade do século XX. Ele chegou a ser considerado uma lenda na cultura francesa, tanto quanto os brioches, queijos ou vinhos franceses, além de ser considerado um dos artistas mais mulherengos de sua geração. Porém, não obstante sua fama de "pegador", o que mais me interessou, no personagem interpretado pelo ator francês Eric Elmosnino, foi a personalidade única de um sujeito que nunca pensou ter chegado tão longe quanto chegou, e que, diante da fortuna, portou-se como um afortunado hedonista, um homem que fumou, bebeu e transou muito, como se, ao ligar um fuck you para o estabilishiment, ele quisesse dar o seguinte recado: "já que cheguei até aqui, vocês vão ter que me engolir".
O filme demonstra que na história de Gainsbourg, o cara tinha tudo pra ser um mero zero à esquerda. Nascido Lucien Ginzburg, oriundo de uma família de judeus russos imigrados para a França, vemos numa Paris ocupada pelos nazistas, o pequeno menino Lucien brincando entre soldados e militantes da resistência francesa, alheio ao conflito mundial que destruiria a Europa e chacinaria os judeus, rodeado de seus amigos imaginários e fantasias, entre aulas de piano que já detestava, e as fugas para fora da cidade nas gazeadas do colégio, para poder acender um cigarrinho entre as árvores dos bosques vizinhos, enquanto desenhava suas musas e fantasias. O filme é rodeado de um certo realismo fantástico e um clima de historia em quadrinhos ao mostrar os fantasmas ou alteregos do cantor, seja durante a infância quando é perseguido pela imagem de um boneco gigante de um judeu gordo, em formato de círculo, quando é criança; ou quando, já adulto, faz contato com a imagem de seu outro eu, já famoso (na verdade, um boneco de papelão com nariz, orelhas e mãos enormes, retratando o cantor, na visão dele mesmo).
Um sujeito feio, narigudo, magricelo, com orelhas de abano e fumante inveterado, foi visitado pela sorte e pela fortuna desde quando largou os estudos de belas artes e seguiu carreira como músico, levando para bares os conhecimentos de piano adquiridos durante a infância, treinado rigidamente por um pai que sonhava ter um filho pianista clássico. Gainsbourg saiu dos botecos parisienses para as altas rodas dos compositores franceses, para teatros lotados, cassinos e direto para as rádios e gravadoras, não apenas mudando de nome, adotando o apelido Serge (mais adequado à visão estética de requinte que queria ter de seu trabalho) no lugar do simplório nome de batismo, mas também mudando de estilo, mesclando diversos elementos da música popular. No começo da carreira, Gainsbourg flertou com o jazz, o blues e a bossa nova, vindo posteriormente a se firmar como um cantor de música romântica, com sua voz grave e meio rouca, até aderir ao rock, à psicodelia e à guitarra elétrica na década de 70, mas sem descuidar da sonoridade de seu original pianinho. Na década de 80, o cantor ainda viajaria para o Caribe, num autoexílio após uma década de excessos e sucessivas desilusões amorosas, juntando-se com músicos jamaicanos e produzindo músicas com uma linha voltada para o reggae (sua versão em ritmo de reggae da Marseillaise, hino da França, gerou protestos violentos e quase provocou quebra-quebras e conflitos de rua na França). Pois é, o cara era conhecido pelo ecletismo e pela excentricidade nas suas canções. Uma mistura de Frank Zappa, Mick Jagger e Reginaldo Rossi.
Apesar da feíura, Gainsbourg conseguiu encarnar aquele tipo de homem que compensa a falta de beleza física com um charme irresistível do chamado "come quieto", com seus ares de discreta elegância e uma certa dose de machismo dosado, sem perder o cavalheirismo. Pela cama do rapaz passaram algumas das mulheres mais belas do mundo, tendo ele tido um tórrido romance com Brigitte Bardot (interpretada no filme pela ex-modelo e atriz Laeticia Casta) , o que escandalizou a sociedade francesa da época, uma vez que se tratava de uma mulher casada (no caso, o sorteado que levou um belo par de chifres era o cineasta francês, Roger Vadim). Além de Bardot, Serge Gainsbourg teve um sólido relacionamento com a atriz inglesa Jane Birkin (interpretada no filme pela linda atriz britânica Lucy Gordon, que, infelizmente, após o filme se matou, aos 28 anos, em Paris. Que desperdício!), com quem manteve um relacionamento de 13 anos, o que lhe rendeu duas filhas. Além de nutrir uma paixão pelas mulheres, Gainsbourg era fumante compulsivo, um adepto incontrolável da nicotina, com seu cigarrinho ao seu lado, como uma muleta eterna no canto da boca, além de um copo de uísque em uma das mãos. Com a outra mão o cantor ou alisava os cabelos de alguma bela dama ou empunhava um microfone, cantando algumas pérolas do cancioneiro popular francês.
Se Charles Aznavour, para muitos, é considerado uma espécie de "Roberto Carlos da França", Serge Gainsbourg era seu vice-rei, ou um Wilson Simonal branco que acabou virando Raul Seixas. Metáforas e comparações à parte, a verdade é que a obra de Gainsbourg é considerada hoje uma referência para muitos estudiosos de música popular, ou para quem simplesmente gosta de uma boa música cantanda em francês. Foi no sentido de chocar e aproveitar a onda da revolução sexual que explodia no final da década de 60, que Gainsbourg compôs seu maior clássico, Je t'aime... moi non plus, com seus gritos e sussuros no decorrer da música, entre a voz dele cantando e a de sua ex-esposa, Jane Birkin, numa canção que pode ser vista hoje como brega, mas que, na minha infância, consistia num hino de acasalmento essencial pra quem queria viver uma grande noite de amor. Entre seus drinques, idas ao hospital pelos excessos de álcool e tabaco ou pelo sexo frenético, mas romanticamente intenso que viveu com todas as suas amantes, Serge Gainsbourg entra no panteão daqueles que, por amar demais, não puderam amar uma só, tal como Vinícius de Moraes, Marcelo Mastroiani ou Pablo Picasso, ou por amarem demais a si mesmos não puderam viver na plenitude o amor, num pleno culto narcísico de um narcisismo que, para os feios mas charmosos só faz bem, ao invés de aniquilar a alma. Au revoir, mon ami Serge!!
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
ANIVERSÁRIO:Finalmente,40 (quarenta, forty, quarante, viertzig, quaranta,四十,).
Hoje é meu aniversário: 5 de agosto, e completo 40 anos! Do alto de uma idade tão significativa, pedindo licença aos entendidos no assunto, digo, para arrepio de meus amigos teólogos e sociólogos que o dilema do homem moderno não é a fome, as guerras, os conflitos globais, o apocalipse, a queda da popularidade do Obama, a falta de amor ou a intolerância. O dilema do homem moderno é a crise dos 40 anos!
O problema de chegar aos 40 anos não é sentir que está ficando velho, mas sim que não está mais ficando novo. Com 40 você chega na certeza de que continua a mesma pessoa que era quando tinha 20, mas não com o mesmo corpo. Começa a se acostumar de ser tratado de senhor ou senhora, das brincadeiras dos mais jovens, chamando de "tio" ou de "tia", ou se deparar com aquele carinha das antigas, que nem amigo seu é ou se finge de velho amigo e quando lhe vê, depois de vários anos, diz na cara, sem nem perguntar como você vai: "e aí, fulano, há quanto tempo! Puxa, como você ficou gordo!", ou então diz:"puxa, fulano, como vc ficou careca!" ou "quantos cabelos brancos!".
Quando se chega aos 40 anos você começa a ficar careta nos gostos musicais e estéticos, começa a ouvir cada vez menos as músicas que a garotada de 20 anda escutando (mesmo sendo do mesmo gênero de música de você tanto gosta). Aos 40 você fica mais nostálgico. Fala cada vez mais como eram bons os anos oitenta e setenta, porque naquela época é que existiam bandas e grupos de rock de verdade, enquanto que nos dias de hoje não aparece nada de mais. Aos 40 você adora assistir aqueles canais de TV retrô, com filmes das antigas e reencontra os amigos da mesma idade para relembrar os seriados que via na adolescência. Aos 40 você não consegue mais ir a todo show de rock em todo final de semana, não porque não tem grana, mas porque não aguenta mais ficar em pé junto com mil a cem mil pessoas, suando perto do palco, porque suas costas doem, vai ter uma crise de pânico com tanta gente ou porque suas pernas já não aguentam mais.
Aos 40 você prima por qualidade ao invés de quantidade; ou ao menos engana quanto a isso, dizendo que prefere um bom vinho com os amigos em casa, do que passar a noite inteira bebendo cachaça num boteco fedorento do centro da cidade.Você percebe que tem 40 anos quando não consegue mais virar da noite pro dia com os amigos, em algum bar badalado, boate ou rave, porque seu organismo não aguenta mais ficar sem água e sono por menos de cinco horas seguidas durante a noite.
Quando se é quarentão você percebe que chegou nas quatro décadas de existência quando reencontra os melhores amigos num churrasco na casa de um deles, e revê a cena de que há vinte ou quinze anos anos atrás, você estava ali, no mesmo lugar, com seus amigos todos solteiros, acompanhados das namoradas ou envolvidos em flertes ou paqueras, e agora vê todos eles casados, com suas respectivas esposas, muitos acompanhados dos filhos pequenos ou pré-adolescentes. Você chega aos 40 e olha pros seus pais e vê que eles sim é que estão ficando velhos, bem velhos, e com problemas de saúde, e que sua estadia pela vida, dentro de poucos anos, pode se esgotar.
Constata-se que se chegou aos quarenta anos, quando você relembra como foi a sua infância, e lembra que você e seus colegas ainda brincavam de pipa, subiam muros e árvores, jogavam pelada em terrenos de areia e que videogame era uma imensa novidade, só para as famílias de classe média alta e os aparelhos mais avançados eram Atari e Odissey, enquanto que nos dias de hoje os garotos não vivem sem internet, aparelho celular ou tablets.
Por fim, aos quarenta você tem a certeza de que vai ter que procurar um médico regularmente, fazer exames para ver as taxas de colesterol e trigliceres, a pressão alta, os batimentos cardíacos (além do infame exame de próstata, para os homens), começar ou voltar a usar óculos de leitura, e pensar em transformar a academia de ginástica ou musculação como seu destino final, ou um lugar para você eternamente se afastar, se quiser ou não se livrar de uma barriga de chope que pode lhe acompanhar até a cova. O quadro de preocupação do recém-quarentão só aumenta se ele lembrar que em grande parte das civilizações antigas da humanidade ou sociedades tribais, o nível de vida médio dos homens só chegava aos 40!
É! Não é fácil ter 40 anos! Como também não é difícil, quando você percebe que já conseguiu viver tanto tempo, tem uma boa carga de leitura sobre sua própria vida que já dá um bom livro autobiográfico (olha que o Justin Bieber escreveu o dele aos 16!) e que aos 40 você consegue recapitular todas as suas mancadas nos últimos vinte anos anteriores, e, ao se deparar com as mesmas situações, ver como é tão fácil o que você outrora achava tão difícil.
Portanto, nessa data em que completo 40 anos, que venham as comemorações, independente da passagem do tempo, das enfermidades ou curas futuras, dos quilômetros que teremos ou não teremos mais fôlego de correr e das pessoas e novos amigos que ainda possamos vir a conhecer. Se já cheguei aos 40, que venham agora os 50, os 60, os 70, os 80, os 90, os 100 e..... muito mais!!!!
O problema de chegar aos 40 anos não é sentir que está ficando velho, mas sim que não está mais ficando novo. Com 40 você chega na certeza de que continua a mesma pessoa que era quando tinha 20, mas não com o mesmo corpo. Começa a se acostumar de ser tratado de senhor ou senhora, das brincadeiras dos mais jovens, chamando de "tio" ou de "tia", ou se deparar com aquele carinha das antigas, que nem amigo seu é ou se finge de velho amigo e quando lhe vê, depois de vários anos, diz na cara, sem nem perguntar como você vai: "e aí, fulano, há quanto tempo! Puxa, como você ficou gordo!", ou então diz:"puxa, fulano, como vc ficou careca!" ou "quantos cabelos brancos!".
Quando se chega aos 40 anos você começa a ficar careta nos gostos musicais e estéticos, começa a ouvir cada vez menos as músicas que a garotada de 20 anda escutando (mesmo sendo do mesmo gênero de música de você tanto gosta). Aos 40 você fica mais nostálgico. Fala cada vez mais como eram bons os anos oitenta e setenta, porque naquela época é que existiam bandas e grupos de rock de verdade, enquanto que nos dias de hoje não aparece nada de mais. Aos 40 você adora assistir aqueles canais de TV retrô, com filmes das antigas e reencontra os amigos da mesma idade para relembrar os seriados que via na adolescência. Aos 40 você não consegue mais ir a todo show de rock em todo final de semana, não porque não tem grana, mas porque não aguenta mais ficar em pé junto com mil a cem mil pessoas, suando perto do palco, porque suas costas doem, vai ter uma crise de pânico com tanta gente ou porque suas pernas já não aguentam mais.
Aos 40 você prima por qualidade ao invés de quantidade; ou ao menos engana quanto a isso, dizendo que prefere um bom vinho com os amigos em casa, do que passar a noite inteira bebendo cachaça num boteco fedorento do centro da cidade.Você percebe que tem 40 anos quando não consegue mais virar da noite pro dia com os amigos, em algum bar badalado, boate ou rave, porque seu organismo não aguenta mais ficar sem água e sono por menos de cinco horas seguidas durante a noite.
Quando se é quarentão você percebe que chegou nas quatro décadas de existência quando reencontra os melhores amigos num churrasco na casa de um deles, e revê a cena de que há vinte ou quinze anos anos atrás, você estava ali, no mesmo lugar, com seus amigos todos solteiros, acompanhados das namoradas ou envolvidos em flertes ou paqueras, e agora vê todos eles casados, com suas respectivas esposas, muitos acompanhados dos filhos pequenos ou pré-adolescentes. Você chega aos 40 e olha pros seus pais e vê que eles sim é que estão ficando velhos, bem velhos, e com problemas de saúde, e que sua estadia pela vida, dentro de poucos anos, pode se esgotar.
Constata-se que se chegou aos quarenta anos, quando você relembra como foi a sua infância, e lembra que você e seus colegas ainda brincavam de pipa, subiam muros e árvores, jogavam pelada em terrenos de areia e que videogame era uma imensa novidade, só para as famílias de classe média alta e os aparelhos mais avançados eram Atari e Odissey, enquanto que nos dias de hoje os garotos não vivem sem internet, aparelho celular ou tablets.
Por fim, aos quarenta você tem a certeza de que vai ter que procurar um médico regularmente, fazer exames para ver as taxas de colesterol e trigliceres, a pressão alta, os batimentos cardíacos (além do infame exame de próstata, para os homens), começar ou voltar a usar óculos de leitura, e pensar em transformar a academia de ginástica ou musculação como seu destino final, ou um lugar para você eternamente se afastar, se quiser ou não se livrar de uma barriga de chope que pode lhe acompanhar até a cova. O quadro de preocupação do recém-quarentão só aumenta se ele lembrar que em grande parte das civilizações antigas da humanidade ou sociedades tribais, o nível de vida médio dos homens só chegava aos 40!
É! Não é fácil ter 40 anos! Como também não é difícil, quando você percebe que já conseguiu viver tanto tempo, tem uma boa carga de leitura sobre sua própria vida que já dá um bom livro autobiográfico (olha que o Justin Bieber escreveu o dele aos 16!) e que aos 40 você consegue recapitular todas as suas mancadas nos últimos vinte anos anteriores, e, ao se deparar com as mesmas situações, ver como é tão fácil o que você outrora achava tão difícil.
Portanto, nessa data em que completo 40 anos, que venham as comemorações, independente da passagem do tempo, das enfermidades ou curas futuras, dos quilômetros que teremos ou não teremos mais fôlego de correr e das pessoas e novos amigos que ainda possamos vir a conhecer. Se já cheguei aos 40, que venham agora os 50, os 60, os 70, os 80, os 90, os 100 e..... muito mais!!!!
terça-feira, 26 de julho de 2011
FUTEBOL: As lições do Uruguai.
Em 1950, no fatídico dia 16 de julho, no Rio de Janeiro, a seleção do Uruguai, liderada por seu capitão, Obdúlio Valera, ganhava a final da Copa do Mundo, no estádio do Maracanã, derrotando o anfitrião, Brasil, por 2 X 1, num episódio que ficou conhecido na história do futebol e na crônica esportiva uruguaia como maracanazo (ou "maracanaço" em bom português). Sobrou, durante anos, a culpa pela derrota para o injustiçado goleiro brasileiro, Barbosa, e no gramado silencioso ao final do jogo, de uma torcida brasileira emudecida nas arquibandas lotadas, restou a glória uruguaia e a cena que entraria para a posteridade, do craque uruguaio Máspoli, consolando o derrotado e em prantos jogador brasileiro, Augusto, ao final do jogo. Diz a lenda que foi um vitorioso Varela a comemorar solitário pelos bares da Lapa na noite carioca, a vitória uruguaia e a consequente derrota brasileira que, no orgulho nacional ferido, jamais deveria ter acontecido. Naquela época, ao menos naquele período, a festa no solo brasileiro era uruguaia!
Voltando o relógio do tempo para os dias atuais, Buenos Aires esteve em festa no último domingo, mais uma vez com a celebração de uma vitória futebolística, com o tradicional monumento do Obelisco, na avenida Nueve de Julio ocupado por.........uruguaios??? É que desta vez coube aos torcedores da nação vizinha a comemoração do campeão de 2011 da Copa América, que ao invés de ser sempre os favoritos Brasil ou Argentina, agora cederam o cetro para o Uruguai. Mais uma vez, o Uruguai comemorava uma vitória futebolística no terreno do adversário e vizinho. Coube aos dois países que fazem fronteira com a república gaucha o cenário para a comemoração de um dos países sul-americanos com mais tradição no futebol.
Tradição que sempre foi a marca do futebol uruguaio, apesar dos mal resultados nos últimos anos e um imenso jejum de décadas sem conseguir chegar às fases finais de um torneio mundial, como foi na última Copa do Mundo, e um período de imenso ostracismo da região no futebol internacional, apesar de dois títulos mundiais. Com o passar do tempo, mais precisamente nos últimos cinco anos, o futebol uruguaio passa por um processo de renovação, com o surgimento de novos craques, a consolidação de seus clubes esportivos em torneios internacionais (o vice-campeonato do Peñarol na última Taça Libertadores da América é exemplo cabal disso), a exportação de bons jogadores para clubes europeus e a recuperação da glória nacional, com a multidão de milhares de uruguaios concentrados em Montevideo ou nos países vizinhos, comemorando os feitos da equipe de seu país-natal, num país com menos habitantes que o estado da Paraíba.
A seleção de futebol do Uruguai, é bem verdade, não chega com ineditismo com a vítória do campeonato na Copa América, mas de fato e de direito se consagra como o maior campeão da história das Américas, com seu 15º título conquistado na partida final de domingo, dia 24 de julho. Contra um inexpressivo e inesperado Paraguai, a seleção de Lugano, Fórlan, Loco Abreu e Suarez, ergueu orgulhosa a taça de campeão, ao final dos 90 minutos de jogo, após uma bela e antológica vitória de 3 X 0 contra o adversário. Ao adversário Paraguai restou a comemoração de um vice-campeonato obtido quase por acidente, pois foi a única equipe a chegar à final do torneio sem ter ganho um jogo sequer. Com a derrota para o Uruguai na final, parece que a seleção paraguaia ficou no seu merecido lugar, fazendo com o que o país ficasse mais conhecido no torneio não pela qualidade dos seus jogadores, mas sim pelo que se viu nas arquibancandas, na beleza das curvas e nos seios siliconados da torcedora fanática e modelo paraguaia, Larissa Riquelme. Felizmente, no final da Copa América venceu o bom futebol e venceram, merecidamente, os uruguaios. Os deuses do futebol sorriram novamente!
O Uruguai ganhou porque demonstrou garra, teve espírito de equipe e valorizou o título obtido com a competição, num sentimento que somente rivalizou com a Argentina, país-sede do campeonato este ano, mas que nem de longe acometeu a seleção brasileira, liderada pelo técnico Mano Menezes. Ao contrário da apatia brasileira na humilhante disputa de pênaltis, nas quartas de final, que resultou na vitória do Paraguai e a consequente eliminação precoce do Brasil no torneio, a seleção do Uruguai não apenas valorizou a vitória na cobrança das penalidades máximas com a Argentina, como também levou seu espírito de equipe para o campo, nas duas partidas seguintes, na semifinal e na final, carimbando o título de forma merecida, numa fase histórica que demonstra o ressurgimento do Uruguai, bicampeão mundial, como um dos gigantes do futebol internacional, através de um respeitável quarto lugar na última Copa do Mundo da África do Sul. Até o momento, em termos de continente, é o Uruguai que chega mais longe nas competições internacionais, na frente dos tradicionais favoritos, Brasil e Argentina, mostrando que la mano de Diós também é uruguaia.
Foi bonito ver o Uruguai jogando nesta Copa América, como foram bonitos os gols da partida final, feitos pelo artilheiro da competição, Suarez, e os gols seguintes feitos por Fórlan, maior goleador da história recente da seleção uruguaia, um dos melhores do mundo e considerado o melhor jogador da Copa passada. Fórlan desencantou depois de uma série de partidas sem fazer gol pela seleção uruguaia, sendo responsável na final da Copa América pelos dois últimos gols da bela goleada feita pela Celeste contra a seleção do Paraguai. Para os amantes do futebol, como eu, só posso dizer: Vila el equipo del Uruguay!!!
Em relação ao futebol brasileiro, fica a lição e o respeito pela conquista uruguaia. Irrito-me com as opiniões arrogantes e o argumento derrotista carregado de oportunismo de alguns defensores do atual técnico brasileiro, dizendo que para um país pentacampeão do mundo como o Brasil, a conquista de uma Copa América é uma vitória de menos, pois corresponde a um título menos expressivo. Ledo engano! Hoje em dia, com a globalização e a mundialização do esporte, com centenas de telas de TV, celulares e computadores acessando pela internet torneios futebolísticos internacionais com mesmo grau de interesse e quantidade de anunciantes, competições como a Eurocopa e a Copa América, rivalizam com torneios globais como o Mundial Interclubes, a Copa das Confederações, o campeonato da Europa e a própria Copa do Mundo. Hoje em dia, é comum encontrar em diversos países e continentes, jovens das mais diversas nacionalidades ostentando camisetas do Barcelona, do Real Madri ou do Manchester United, com tanto orgulho ou fanatismo quanto torcedores flamenguistas, corintianos ou botafoguenses. Desta forma, cada torneio tem sua grau de importância equivalente, não cabendo a palpiteiros oportunistas considerar que por conta de uma vergonhosa e desastrosa derrota nos pênaltis para o Paraguai, poderá manchar a credibilidade de uma seleção "vitoriosa" como a brasileira. Ah! Tá!
Só sei que o peso da arrogância já comprometeu outras seleções, de outros países, que amarelaram feio e deram vexames históricos, como as derrotas respectivas, na primeira fase da última Copa, de equipes como as da França e da Itália. Certamente, por toda sua história, compromisso com a formação de craques e a dimensão cultural que o futebol tem no país, como modalidade esportiva mais praticada, faz do Brasil um fortíssimo candidato ao título no próximo Mundial, com a responsabilidade de fazer bonito na competição de 2014, onde, mais uma vez é anfitrião. Novos e maravilhosos craques, como Neymar, são emblemáticos exemplos de como o sangue novo poderá ser crucial para o êxito da seleção brasileira e a conquista do hexacampeonato mundial. Entretanto, se continuarmos a nos pavonear em nosso preconceito regional, e considerar como sendo títulos menores os conquistados pela atual seleção uruguaia, correremos o risco de experimentar amargamente mais um maracanazo. Portanto, te cuida Mano Menezes!!
Voltando o relógio do tempo para os dias atuais, Buenos Aires esteve em festa no último domingo, mais uma vez com a celebração de uma vitória futebolística, com o tradicional monumento do Obelisco, na avenida Nueve de Julio ocupado por.........uruguaios??? É que desta vez coube aos torcedores da nação vizinha a comemoração do campeão de 2011 da Copa América, que ao invés de ser sempre os favoritos Brasil ou Argentina, agora cederam o cetro para o Uruguai. Mais uma vez, o Uruguai comemorava uma vitória futebolística no terreno do adversário e vizinho. Coube aos dois países que fazem fronteira com a república gaucha o cenário para a comemoração de um dos países sul-americanos com mais tradição no futebol.
Tradição que sempre foi a marca do futebol uruguaio, apesar dos mal resultados nos últimos anos e um imenso jejum de décadas sem conseguir chegar às fases finais de um torneio mundial, como foi na última Copa do Mundo, e um período de imenso ostracismo da região no futebol internacional, apesar de dois títulos mundiais. Com o passar do tempo, mais precisamente nos últimos cinco anos, o futebol uruguaio passa por um processo de renovação, com o surgimento de novos craques, a consolidação de seus clubes esportivos em torneios internacionais (o vice-campeonato do Peñarol na última Taça Libertadores da América é exemplo cabal disso), a exportação de bons jogadores para clubes europeus e a recuperação da glória nacional, com a multidão de milhares de uruguaios concentrados em Montevideo ou nos países vizinhos, comemorando os feitos da equipe de seu país-natal, num país com menos habitantes que o estado da Paraíba.
A seleção de futebol do Uruguai, é bem verdade, não chega com ineditismo com a vítória do campeonato na Copa América, mas de fato e de direito se consagra como o maior campeão da história das Américas, com seu 15º título conquistado na partida final de domingo, dia 24 de julho. Contra um inexpressivo e inesperado Paraguai, a seleção de Lugano, Fórlan, Loco Abreu e Suarez, ergueu orgulhosa a taça de campeão, ao final dos 90 minutos de jogo, após uma bela e antológica vitória de 3 X 0 contra o adversário. Ao adversário Paraguai restou a comemoração de um vice-campeonato obtido quase por acidente, pois foi a única equipe a chegar à final do torneio sem ter ganho um jogo sequer. Com a derrota para o Uruguai na final, parece que a seleção paraguaia ficou no seu merecido lugar, fazendo com o que o país ficasse mais conhecido no torneio não pela qualidade dos seus jogadores, mas sim pelo que se viu nas arquibancandas, na beleza das curvas e nos seios siliconados da torcedora fanática e modelo paraguaia, Larissa Riquelme. Felizmente, no final da Copa América venceu o bom futebol e venceram, merecidamente, os uruguaios. Os deuses do futebol sorriram novamente!
O Uruguai ganhou porque demonstrou garra, teve espírito de equipe e valorizou o título obtido com a competição, num sentimento que somente rivalizou com a Argentina, país-sede do campeonato este ano, mas que nem de longe acometeu a seleção brasileira, liderada pelo técnico Mano Menezes. Ao contrário da apatia brasileira na humilhante disputa de pênaltis, nas quartas de final, que resultou na vitória do Paraguai e a consequente eliminação precoce do Brasil no torneio, a seleção do Uruguai não apenas valorizou a vitória na cobrança das penalidades máximas com a Argentina, como também levou seu espírito de equipe para o campo, nas duas partidas seguintes, na semifinal e na final, carimbando o título de forma merecida, numa fase histórica que demonstra o ressurgimento do Uruguai, bicampeão mundial, como um dos gigantes do futebol internacional, através de um respeitável quarto lugar na última Copa do Mundo da África do Sul. Até o momento, em termos de continente, é o Uruguai que chega mais longe nas competições internacionais, na frente dos tradicionais favoritos, Brasil e Argentina, mostrando que la mano de Diós também é uruguaia.
Foi bonito ver o Uruguai jogando nesta Copa América, como foram bonitos os gols da partida final, feitos pelo artilheiro da competição, Suarez, e os gols seguintes feitos por Fórlan, maior goleador da história recente da seleção uruguaia, um dos melhores do mundo e considerado o melhor jogador da Copa passada. Fórlan desencantou depois de uma série de partidas sem fazer gol pela seleção uruguaia, sendo responsável na final da Copa América pelos dois últimos gols da bela goleada feita pela Celeste contra a seleção do Paraguai. Para os amantes do futebol, como eu, só posso dizer: Vila el equipo del Uruguay!!!
Em relação ao futebol brasileiro, fica a lição e o respeito pela conquista uruguaia. Irrito-me com as opiniões arrogantes e o argumento derrotista carregado de oportunismo de alguns defensores do atual técnico brasileiro, dizendo que para um país pentacampeão do mundo como o Brasil, a conquista de uma Copa América é uma vitória de menos, pois corresponde a um título menos expressivo. Ledo engano! Hoje em dia, com a globalização e a mundialização do esporte, com centenas de telas de TV, celulares e computadores acessando pela internet torneios futebolísticos internacionais com mesmo grau de interesse e quantidade de anunciantes, competições como a Eurocopa e a Copa América, rivalizam com torneios globais como o Mundial Interclubes, a Copa das Confederações, o campeonato da Europa e a própria Copa do Mundo. Hoje em dia, é comum encontrar em diversos países e continentes, jovens das mais diversas nacionalidades ostentando camisetas do Barcelona, do Real Madri ou do Manchester United, com tanto orgulho ou fanatismo quanto torcedores flamenguistas, corintianos ou botafoguenses. Desta forma, cada torneio tem sua grau de importância equivalente, não cabendo a palpiteiros oportunistas considerar que por conta de uma vergonhosa e desastrosa derrota nos pênaltis para o Paraguai, poderá manchar a credibilidade de uma seleção "vitoriosa" como a brasileira. Ah! Tá!
Só sei que o peso da arrogância já comprometeu outras seleções, de outros países, que amarelaram feio e deram vexames históricos, como as derrotas respectivas, na primeira fase da última Copa, de equipes como as da França e da Itália. Certamente, por toda sua história, compromisso com a formação de craques e a dimensão cultural que o futebol tem no país, como modalidade esportiva mais praticada, faz do Brasil um fortíssimo candidato ao título no próximo Mundial, com a responsabilidade de fazer bonito na competição de 2014, onde, mais uma vez é anfitrião. Novos e maravilhosos craques, como Neymar, são emblemáticos exemplos de como o sangue novo poderá ser crucial para o êxito da seleção brasileira e a conquista do hexacampeonato mundial. Entretanto, se continuarmos a nos pavonear em nosso preconceito regional, e considerar como sendo títulos menores os conquistados pela atual seleção uruguaia, correremos o risco de experimentar amargamente mais um maracanazo. Portanto, te cuida Mano Menezes!!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
MÚSICA: Na morte de Amy Winehouse, o talento se desperdiça aos 27!
27 é um número cabalístico no cenário artistico. É a cifra negra da música popular, o número negro que simboliza morte, o fim de astros precoces da música, talentos geniais da arte que perderam a vida no auge da fama e popularidade, rodeados de fãs e de seus demônios internos. Foi assim com Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain. Foi assim, no último final de semana, com Amy Winehouse.
Quem me contou da morte da cantora foi um amigo das antigas, um ex-hippie, ex-doidão e ex-bon vivant que já percorreu o mundo, foi mordomo de Debbie Harry do Blondie nos anos oitenta, ainda muito ligado em música e que hoje, vive da gastronomia em solo potiguar, atento ao noticiário na TV, enquanto eu começava a degustar o meu almoço. Foi na hora do almoço, num restaurante das redondezas de minha casa, num tórrido sábado de inverno tropical, que eu soube da morte de uma das maiores revelações da música pop britânica (e mundial) da última década, encontrada morta em sua casa pela polícia, numa acizentada Londres, tão cinzenta quanto a vida e as letras das canções de mais uma diva da música que se foi.
Por conta de sua vida exposta tão violentamente ao público, seu vício em drogas e bebidas, suas gafes nos últimos shows e a decadência física explícita, de quem não segurou a onda e está prestes a se acabar, assim foi pelo ralo a vida de Amy Winehouse, numa torrente de drogas, birita, remédios e amores mal resolvidos. Amy simbolizou o sofrimento da mulher moderna, que, ao mesmo tempo em que é autosuficiente e talentosa, adquirindo fama e sucesso, também não tem medo de se expor e de sofrer como homem, nem que seja lambendo, literalmente, a sarjeta. É aquela típica explosão de sentimentos da mulher que chega a pagar micos, bêbada ou drogada, chorando ou rindo confusamente, cantando o amor perdido e cafajeste, preso em alguma cela da vidinha presidiária na Grã-Bretanha.
Miss Winehouse cometeu uma série de erros em sequência, passou pelo processo humilhante de ser vaiada em público pelo que não demonstrou, do tanto do que já havia apresentado (e maravilhado) milhões de fãs em todo o planeta, seja no desapontamento de seus fãs brasileiros na sua passagem por aqui em janeiro no Rio (com direito a mostrar os peitos secos na sacada de um hotel em Santa Teresa), seja em maio passado, num patético show cancelado na Sérvia, mostrando uma Amy feia, desequilibrada (literalmente) aos tombos no palco, aparentando estar visivelmente bêbada ou drogada. É uma pena! A fama é, de fato, uma merda! Tão malcheirosa que do perfume da glória nos palcos, o cheiro muda em fração de segundos, para aquele que não aguenta o peso do sucesso e que acaba por desabar em seu próprio vômito, vítima dos excessos e da falta de limites que o show business pode conduzir. Definitivamente, a fama não é para os mais frágeis!
Foi como uma figura frágil, quase quebradiça, que uma moça branca, de volumosos cabelos negros, magricela e tatuada, de origem judaica, oriunda do subúrbio londrino, acabou encantando a todos com sua voz de negra norte-americana, de cantora de soul dos anos cinquenta, arrebatando multidões nas lojas de discos e na internet, baixando-se suas canções ou ouvindo-as nas FMs ou no Youtube, em dois discos que se tornaram antológicos. Durante um tempo, ao menos no ano de 2007, quando conquistou 4 Grammys numa mesma noite, Amy Winehouse era nosso Lionel Messi da música, ou se preferirem na minha alusão futebolística, nossa Marta. A melhor do mundo durante o ano. A cantora revelação que revelou não apenas o talento de uma voz magistral, única, irreverente, mas também revelou o poço fundo do âmago de uma alma atormentada, de um corpo presente no palco, mas de uma mente que não estava lá. Amy Winehouse era uma cantora de coração atormentado, tal como uma Billie Holiday, Janis Joplin ou tantas outras que sucumbiram cedo, tristemente apagadas da existência por não conseguir se livrar da depressão. É bem verdade que em relação a suas antecessoras, Amy produziu pouco. Já estava sendo superada por novas leoas da cena musical britânica, como Adele, mas é inquestionável o seu papel histórico para a música contemporânea, no curto espaço de tempo em que viveu. Muitos fãs inconformados podem dizer que se sentiram traídos pela fraqueza de seu ídolo, mas Amy Winehouse foi traída pelo seu próprio coração!
Um coração que deixou de bater depois de sofrer tantas porradas no corpo e no destino, devido a testes sobrehumanos por abuso de substâncias e pela imensa quantidade de drogas, tabaco, álcool e vida desregrada que vinha assumindo a cantora inglesa, a ponto de muitos apostarem que seu obituário era uma questão de tempo. E acabou acontecendo, sem que ao menos se esperasse que ela completasse 28 anos, agora perto do mês de setembro. A polícia britânica, que investiga a morte da cantora, ainda não publicou um relatório conclusivo, atestando a causa da morte por consumo de drogas, mas é inquestionável que o que vier a público, acerca das razões da morte dela, vai ter relação com todos os últinos anos vividos por Winehouse, de fama e de autodestruição. O coração de Amy Winehouse foi traído pelas drogas que consumiu, mas também pelo amor canalha que cultivou com o ex-marido, o aprendiz de cafa, traficante e atual presidiário, Blake Fielder-Civil, que, segundo muitos, foi o responsável por introduzir à ex-mulher ao maléfico mundo das drogas pesadas. Amy fazia o tipo das mulheres desafortunadas que parecia não saber escolher homem, mas também revelava ser uma simples garota de subúrbio que conquistou a fama muito cedo, e que só queria, na verdade, conquistar um amor para chamar de seu.
Não escutaremos mais, cantando ao vivo, a cantora de Rehab, Valerie ou Tears Drive on Their Own e isso realmente é triste. Como que pressagiando uma morte anunciada, a canção título do álbum Back to Black e o video que mostra Amy rodeada por seus músicos, toda vestida de preto e comparecendo a um funeral, parece retratar o futuro que seria o da própria cantora. Os vexames, bebedeiras, ataques de histerismo ou pitis da diva não serão mais motivos de piada em programas humorísticos ou na internet, pois só resta aos mortos a devida homenagem, e, com certeza, se seus discos não vendiam bem antes, agora voltarão a vender em escalada avassaladora, como se dá com todo grande artista da música morto recentemente (vide o que aconteceu com os discos de Michael Jackson). La Winehouse preferiu seguir o caminho de tantos que morrem jovens, exatamente na mesma idade de 27 anos, que agora vão figurar nos livros de história como fantasmas do mito da juventude que se eterniza no pós-morte. Eu bem preferia um futuro com uma Amy Winehouse velhinha, cantando bêbada nos botecos londrinos, talvez sem mais tanto sucesso, mas ao menos, feliz, definitivamente acompanhada do homem que amasse; mas, enfim, não deu. Para Amy Winehouse, unfortunately, a exemplo de suas canções: Love was a losing game!
Quem me contou da morte da cantora foi um amigo das antigas, um ex-hippie, ex-doidão e ex-bon vivant que já percorreu o mundo, foi mordomo de Debbie Harry do Blondie nos anos oitenta, ainda muito ligado em música e que hoje, vive da gastronomia em solo potiguar, atento ao noticiário na TV, enquanto eu começava a degustar o meu almoço. Foi na hora do almoço, num restaurante das redondezas de minha casa, num tórrido sábado de inverno tropical, que eu soube da morte de uma das maiores revelações da música pop britânica (e mundial) da última década, encontrada morta em sua casa pela polícia, numa acizentada Londres, tão cinzenta quanto a vida e as letras das canções de mais uma diva da música que se foi.
Por conta de sua vida exposta tão violentamente ao público, seu vício em drogas e bebidas, suas gafes nos últimos shows e a decadência física explícita, de quem não segurou a onda e está prestes a se acabar, assim foi pelo ralo a vida de Amy Winehouse, numa torrente de drogas, birita, remédios e amores mal resolvidos. Amy simbolizou o sofrimento da mulher moderna, que, ao mesmo tempo em que é autosuficiente e talentosa, adquirindo fama e sucesso, também não tem medo de se expor e de sofrer como homem, nem que seja lambendo, literalmente, a sarjeta. É aquela típica explosão de sentimentos da mulher que chega a pagar micos, bêbada ou drogada, chorando ou rindo confusamente, cantando o amor perdido e cafajeste, preso em alguma cela da vidinha presidiária na Grã-Bretanha.
Miss Winehouse cometeu uma série de erros em sequência, passou pelo processo humilhante de ser vaiada em público pelo que não demonstrou, do tanto do que já havia apresentado (e maravilhado) milhões de fãs em todo o planeta, seja no desapontamento de seus fãs brasileiros na sua passagem por aqui em janeiro no Rio (com direito a mostrar os peitos secos na sacada de um hotel em Santa Teresa), seja em maio passado, num patético show cancelado na Sérvia, mostrando uma Amy feia, desequilibrada (literalmente) aos tombos no palco, aparentando estar visivelmente bêbada ou drogada. É uma pena! A fama é, de fato, uma merda! Tão malcheirosa que do perfume da glória nos palcos, o cheiro muda em fração de segundos, para aquele que não aguenta o peso do sucesso e que acaba por desabar em seu próprio vômito, vítima dos excessos e da falta de limites que o show business pode conduzir. Definitivamente, a fama não é para os mais frágeis!
Foi como uma figura frágil, quase quebradiça, que uma moça branca, de volumosos cabelos negros, magricela e tatuada, de origem judaica, oriunda do subúrbio londrino, acabou encantando a todos com sua voz de negra norte-americana, de cantora de soul dos anos cinquenta, arrebatando multidões nas lojas de discos e na internet, baixando-se suas canções ou ouvindo-as nas FMs ou no Youtube, em dois discos que se tornaram antológicos. Durante um tempo, ao menos no ano de 2007, quando conquistou 4 Grammys numa mesma noite, Amy Winehouse era nosso Lionel Messi da música, ou se preferirem na minha alusão futebolística, nossa Marta. A melhor do mundo durante o ano. A cantora revelação que revelou não apenas o talento de uma voz magistral, única, irreverente, mas também revelou o poço fundo do âmago de uma alma atormentada, de um corpo presente no palco, mas de uma mente que não estava lá. Amy Winehouse era uma cantora de coração atormentado, tal como uma Billie Holiday, Janis Joplin ou tantas outras que sucumbiram cedo, tristemente apagadas da existência por não conseguir se livrar da depressão. É bem verdade que em relação a suas antecessoras, Amy produziu pouco. Já estava sendo superada por novas leoas da cena musical britânica, como Adele, mas é inquestionável o seu papel histórico para a música contemporânea, no curto espaço de tempo em que viveu. Muitos fãs inconformados podem dizer que se sentiram traídos pela fraqueza de seu ídolo, mas Amy Winehouse foi traída pelo seu próprio coração!
Um coração que deixou de bater depois de sofrer tantas porradas no corpo e no destino, devido a testes sobrehumanos por abuso de substâncias e pela imensa quantidade de drogas, tabaco, álcool e vida desregrada que vinha assumindo a cantora inglesa, a ponto de muitos apostarem que seu obituário era uma questão de tempo. E acabou acontecendo, sem que ao menos se esperasse que ela completasse 28 anos, agora perto do mês de setembro. A polícia britânica, que investiga a morte da cantora, ainda não publicou um relatório conclusivo, atestando a causa da morte por consumo de drogas, mas é inquestionável que o que vier a público, acerca das razões da morte dela, vai ter relação com todos os últinos anos vividos por Winehouse, de fama e de autodestruição. O coração de Amy Winehouse foi traído pelas drogas que consumiu, mas também pelo amor canalha que cultivou com o ex-marido, o aprendiz de cafa, traficante e atual presidiário, Blake Fielder-Civil, que, segundo muitos, foi o responsável por introduzir à ex-mulher ao maléfico mundo das drogas pesadas. Amy fazia o tipo das mulheres desafortunadas que parecia não saber escolher homem, mas também revelava ser uma simples garota de subúrbio que conquistou a fama muito cedo, e que só queria, na verdade, conquistar um amor para chamar de seu.
Não escutaremos mais, cantando ao vivo, a cantora de Rehab, Valerie ou Tears Drive on Their Own e isso realmente é triste. Como que pressagiando uma morte anunciada, a canção título do álbum Back to Black e o video que mostra Amy rodeada por seus músicos, toda vestida de preto e comparecendo a um funeral, parece retratar o futuro que seria o da própria cantora. Os vexames, bebedeiras, ataques de histerismo ou pitis da diva não serão mais motivos de piada em programas humorísticos ou na internet, pois só resta aos mortos a devida homenagem, e, com certeza, se seus discos não vendiam bem antes, agora voltarão a vender em escalada avassaladora, como se dá com todo grande artista da música morto recentemente (vide o que aconteceu com os discos de Michael Jackson). La Winehouse preferiu seguir o caminho de tantos que morrem jovens, exatamente na mesma idade de 27 anos, que agora vão figurar nos livros de história como fantasmas do mito da juventude que se eterniza no pós-morte. Eu bem preferia um futuro com uma Amy Winehouse velhinha, cantando bêbada nos botecos londrinos, talvez sem mais tanto sucesso, mas ao menos, feliz, definitivamente acompanhada do homem que amasse; mas, enfim, não deu. Para Amy Winehouse, unfortunately, a exemplo de suas canções: Love was a losing game!
terça-feira, 12 de julho de 2011
HQs: O jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco é um chute no saco da hipocrisia generalizada das guerras.
Histórias em quadrinhos são algumas de minhas paixões, tendo a estante recheada de livros, CDs, DVDs, jornais, revistas em geral e, é claro, HQs. É uma arte literária que vem ganhando reconhecimento nos últimos anos, sobretudo pela chegada ao Brasil de grandes editoras internacionais como a Panini e a Conrad, que distribuem em grandes livrarias, e não apenas em bancas de jornal ,uma forma de leitura que deixou de ser monopólio do público infanto-juvenil e conquistou um grande segmento social adulto, intelectualizado e de formação universitária. São os chamados quadrinhos adultos ou de temática social, e nesses, obras-primas como Maus, do quadrinhista norte-americano Art Spiegelman, ou Gen-pés descalços, do japonês Keiji Nakasawa, são apostas certas de vendas, nas prateleiras dos vendedores de livros. Ambas são obras que tratam de conflitos mundiais: o primeiro, da história da briga entre gatos e ratos para retratar, na verdade, como pano de fundo, o horror do holocausto e da ditadura nazista; o segundo se refere às memórias do autor, criança na época em que a bomba atômica explodiu em Hiroshima e Nagasaki.
Nesse horizonte de histórias em quadrinhos tão interessantes e didáticas, eu destaco o papel do jornalista e desenhista, nascido em Malta e radicado nos Estados Unidos, Joe Sacco, que esteve no Brasil recentemente, na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), passando por São Paulo, onde deu algumas palestras. Os quadrinhos de Sacco também retratam o horror dos conflitos bélicos. Nesse caso, o conflito árabe-israelense e a tragédia dos palestinos, nas graphic novels "Palestina", de 1996, ou "Notas sobre Gaza", de 2010. Sacco esteve nas principais áreas de conflito do globo, convivendo com famílias de refugiados e todas as sofridas vítimas dos últimos sangrentos conflitos mundiais, capturando nas suas histórias as imagens de dor, sofrimento, ódio e esperança que nutrem todos esses povos.
Joe Sacco conseguiu aliar a profissão de repórter com sua grande paixão:os quadrinhos, criando um novo gênero literário, segundo alguns, chamado de "reportagem em quadrinhos". Através de suas gravuras, Sacco consegue transmitir amplamente a notícia, de uma forma que não consegue ser captada pelas câmeras, até porque equipes de televisão são proibidas nos territórios ocupados, e qualquer jornalista que se arrisque a ir muito longe, nesse tipo de terreno perigoso, pode pagar com a própria vida. Pois foi enfrentando o medo, a intimidação de fuzis, a pressão de soldados e a desconfiança de simpatizantes de grupos terroristas, que Joe Sacco entrou em lugares tão díspares, mas semelhantes no cenário de caos e destruição, como Gaza, na Palestina, ou Goradze, nos Balcãs, na antiga Guerra da Bósnia, conseguindo transmitir histórias impressionantes. Foi nesses lugares que ele conviveu com diversas pessoas, e fez amigos que vivenciaram o conflito, ouviu e relatou conversas de mães que perderam seus filhos, jovens com pouca fé no futuro ou nutrindo algum tipo de ódio no coração. Ouviu os dois lados do conflito, conversando com jovens e intelectuais em cafés, em Israel ou Tel-Aviv, como também presenciou cenas dantescas, como a ação da repressão, num Estado-Policial que finge ser democrático.
Mas, o que há de mais interessante nos livros em quadrinhos de Joe Sacco é a fidelidade jornalística que ele tem com a informação, não deixando que sua obra se transforme numa peça de propaganda, preferindo retratar as imperfeições dos dois lados do conflito, permitindo que o leitor faça um julgamento isento. Ora, se o conflito é narrado do ponto de vista das pessoas palestinas que vivem nos territórios ocupados, essa é uma opção estética válida, tanto quanto para aqueles que preferem relatar o cotidiano das famílias judaicas, vítimas cotidianas do terrorismo em Israel. É difícil não ter uma certa compaixão e até mesmo cultivar um sentimento de revolta diante do sofrimento passado pela população palestina, uma vez que eles podem ser comparados a tantos povos vítimas da opressão ou da injustiça, vivendo em favelas ou bairros miseráveis, como são muitos que desfrutam o cotidiano da periferia das grandes metrópoles na América Latina ou mesmo nos Estados Unidos, com seus guetos étnicos, entre hispânicos, negros e asiáticos. A experiência de ter conhecido de perto esses povos marcou profundamente a experiência do quadrinhista e jornalista, afetando suas crenças na humanidade e sua esperança na resolução há curto prazo de graves conflitos globais, adotando sempre o ponto de vistas dos excluídos.
Discordo, portanto, quando alguns patetas da "nova direita", do alto de sua pose intelectualóide, de intelectual burguês, com seus cachimbos refinados, saem nos meios de comunicação propagandísticos do pensamento neoliberal, como a revista Veja ou Folhas da vida, achando que é reducionismo de esquerdista satanizar os israelenses e beatificar os palestinos, como se antissemitismo e antissionismo fossem a mesma coisa. Na verdade, lamento o holocausto sofrido pelos judeus, assim como lamento o governo de um Estado judeu massacrar bairros e famílias inteiras, com lançamentos de mísseis, invasão de tanques e tiros de metralhadora, em Gaza e na Cisjordânia, sob o pretexto de combater o terrorismo. Se não retratam apenas os traços mais brutais da violência, os quadrinhos de Sacco também servem para demonstrar o terror psicológico que vivem essas famílias, quando passam pelo sentimento de impotência de ver um ente querido seu, detido pela polícia, sem saber se ele retornará, ou quando temem que seus filhos saíam à noite pelas ruas, principalmente quando há toque de recolher, pois não tem a certeza de que eles voltarão vivos para casa. É realmente uma situação muito triste!
Mas é o fascínio revolucionário de adotar a causa dos injustiçados, que faz tão bem para certas pessoas fazerem jornalismo, denunciando ao mundo atrocidades e tentando mostrar um lado que as grandes emissoras não vêem. Para isso é que o trabalho, a escrita e os desenhos de Sacco seguem como referência obrigatória, para quem quer entender melhor os motivos de conflitos como os entre israelenses e palestinos, e torcer sempre para que um dia exista um final feliz. Afinal de contas, se nos contos de fada, contados antigamente nos mais pueris gibis, contentávamos-nos com o mundo de faz-de-conta da Turma da Mônica ou das histórias do Tio Patinhas, agora se o mundo é triste e feio, pela dura realidade relatada nas graphic novels, ao menos podemos esperar se algum Super-homem pode aparecer, senão com uma sunga vermelha por cima de uma ceroula azul, que ao menos seja de paletó e gravata, numa grande sala oval fechada, acompanhado ou não de seu staff de assessores, mas que tenha ali à disposição uma caneta, já que não tem a visão de calor ou superforça, e ao menos tenha a dignidade de assinar um acordo de paz, ou um tratado, reconhecendo mutuamente o direito de exitir um Estado palestino, ou de que tantos povos possam ter definitivamente a paz, nem que seja para constatar tristemente que a necessidade de reconstrução de suas vidas vai depender de reconhecer seus próprios erros, e que essa reconstrução poderá levar vários anos. Torçamos para que, enfim, a Liga da Justiça consiga se sobrepor à Legião do Mal. Os quadrinhos de Joe Sacco estão aí para demonstrar isso.
Nesse horizonte de histórias em quadrinhos tão interessantes e didáticas, eu destaco o papel do jornalista e desenhista, nascido em Malta e radicado nos Estados Unidos, Joe Sacco, que esteve no Brasil recentemente, na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), passando por São Paulo, onde deu algumas palestras. Os quadrinhos de Sacco também retratam o horror dos conflitos bélicos. Nesse caso, o conflito árabe-israelense e a tragédia dos palestinos, nas graphic novels "Palestina", de 1996, ou "Notas sobre Gaza", de 2010. Sacco esteve nas principais áreas de conflito do globo, convivendo com famílias de refugiados e todas as sofridas vítimas dos últimos sangrentos conflitos mundiais, capturando nas suas histórias as imagens de dor, sofrimento, ódio e esperança que nutrem todos esses povos.
Joe Sacco conseguiu aliar a profissão de repórter com sua grande paixão:os quadrinhos, criando um novo gênero literário, segundo alguns, chamado de "reportagem em quadrinhos". Através de suas gravuras, Sacco consegue transmitir amplamente a notícia, de uma forma que não consegue ser captada pelas câmeras, até porque equipes de televisão são proibidas nos territórios ocupados, e qualquer jornalista que se arrisque a ir muito longe, nesse tipo de terreno perigoso, pode pagar com a própria vida. Pois foi enfrentando o medo, a intimidação de fuzis, a pressão de soldados e a desconfiança de simpatizantes de grupos terroristas, que Joe Sacco entrou em lugares tão díspares, mas semelhantes no cenário de caos e destruição, como Gaza, na Palestina, ou Goradze, nos Balcãs, na antiga Guerra da Bósnia, conseguindo transmitir histórias impressionantes. Foi nesses lugares que ele conviveu com diversas pessoas, e fez amigos que vivenciaram o conflito, ouviu e relatou conversas de mães que perderam seus filhos, jovens com pouca fé no futuro ou nutrindo algum tipo de ódio no coração. Ouviu os dois lados do conflito, conversando com jovens e intelectuais em cafés, em Israel ou Tel-Aviv, como também presenciou cenas dantescas, como a ação da repressão, num Estado-Policial que finge ser democrático.
Mas, o que há de mais interessante nos livros em quadrinhos de Joe Sacco é a fidelidade jornalística que ele tem com a informação, não deixando que sua obra se transforme numa peça de propaganda, preferindo retratar as imperfeições dos dois lados do conflito, permitindo que o leitor faça um julgamento isento. Ora, se o conflito é narrado do ponto de vista das pessoas palestinas que vivem nos territórios ocupados, essa é uma opção estética válida, tanto quanto para aqueles que preferem relatar o cotidiano das famílias judaicas, vítimas cotidianas do terrorismo em Israel. É difícil não ter uma certa compaixão e até mesmo cultivar um sentimento de revolta diante do sofrimento passado pela população palestina, uma vez que eles podem ser comparados a tantos povos vítimas da opressão ou da injustiça, vivendo em favelas ou bairros miseráveis, como são muitos que desfrutam o cotidiano da periferia das grandes metrópoles na América Latina ou mesmo nos Estados Unidos, com seus guetos étnicos, entre hispânicos, negros e asiáticos. A experiência de ter conhecido de perto esses povos marcou profundamente a experiência do quadrinhista e jornalista, afetando suas crenças na humanidade e sua esperança na resolução há curto prazo de graves conflitos globais, adotando sempre o ponto de vistas dos excluídos.
Discordo, portanto, quando alguns patetas da "nova direita", do alto de sua pose intelectualóide, de intelectual burguês, com seus cachimbos refinados, saem nos meios de comunicação propagandísticos do pensamento neoliberal, como a revista Veja ou Folhas da vida, achando que é reducionismo de esquerdista satanizar os israelenses e beatificar os palestinos, como se antissemitismo e antissionismo fossem a mesma coisa. Na verdade, lamento o holocausto sofrido pelos judeus, assim como lamento o governo de um Estado judeu massacrar bairros e famílias inteiras, com lançamentos de mísseis, invasão de tanques e tiros de metralhadora, em Gaza e na Cisjordânia, sob o pretexto de combater o terrorismo. Se não retratam apenas os traços mais brutais da violência, os quadrinhos de Sacco também servem para demonstrar o terror psicológico que vivem essas famílias, quando passam pelo sentimento de impotência de ver um ente querido seu, detido pela polícia, sem saber se ele retornará, ou quando temem que seus filhos saíam à noite pelas ruas, principalmente quando há toque de recolher, pois não tem a certeza de que eles voltarão vivos para casa. É realmente uma situação muito triste!
Mas é o fascínio revolucionário de adotar a causa dos injustiçados, que faz tão bem para certas pessoas fazerem jornalismo, denunciando ao mundo atrocidades e tentando mostrar um lado que as grandes emissoras não vêem. Para isso é que o trabalho, a escrita e os desenhos de Sacco seguem como referência obrigatória, para quem quer entender melhor os motivos de conflitos como os entre israelenses e palestinos, e torcer sempre para que um dia exista um final feliz. Afinal de contas, se nos contos de fada, contados antigamente nos mais pueris gibis, contentávamos-nos com o mundo de faz-de-conta da Turma da Mônica ou das histórias do Tio Patinhas, agora se o mundo é triste e feio, pela dura realidade relatada nas graphic novels, ao menos podemos esperar se algum Super-homem pode aparecer, senão com uma sunga vermelha por cima de uma ceroula azul, que ao menos seja de paletó e gravata, numa grande sala oval fechada, acompanhado ou não de seu staff de assessores, mas que tenha ali à disposição uma caneta, já que não tem a visão de calor ou superforça, e ao menos tenha a dignidade de assinar um acordo de paz, ou um tratado, reconhecendo mutuamente o direito de exitir um Estado palestino, ou de que tantos povos possam ter definitivamente a paz, nem que seja para constatar tristemente que a necessidade de reconstrução de suas vidas vai depender de reconhecer seus próprios erros, e que essa reconstrução poderá levar vários anos. Torçamos para que, enfim, a Liga da Justiça consiga se sobrepor à Legião do Mal. Os quadrinhos de Joe Sacco estão aí para demonstrar isso.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
POLÍTICA: O fim da era FHC se dá com a morte de seus principais colaboradores.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida, tem uma vida longeva. Aos 80 anos de idade, recém-comemorados, com direito a diversas homenagens, e até uma reabilitação política inédita pela presidenta Dilma Roussef, FHC retornou à ribalta e ao centro das atenções de que tanto gosta, seja por ter chegado à idade de um ancião, seja pela sua participação no polêmico documentário sobre a legalização da maconha, Quebrando o Tabu, ou por estar sempre presente no enterro dos amigos e aliados.
Por esse último fator, nas últimas décadas, FHC tem colecionado perdas. As primeiras dolorosas e inesperadas, ainda no tempo em que era presidente, com o falecimento de seu melhor amigo e principal articulador político, o antigo ministro das telecomunicações, Sérgio Motta. Se Fernando Henrique chorou com a perda do amigo Serjão, o presidente tucano sentiu ainda mais com a perda do grande aliado, do antigo PFL, o deputado Luiz Eduardo Magalhães, filho do dinossauro e coronelíssimo Antônio Carlos Magalhães (o finado "rei da Bahia"), morto precocemente aos 42 anos devido a um infarto fulminante, gerando um vácuo de poder com sua morte, pulverizando a eterna aliança entre tucanos e pefelitas (agora, chamados de democratas, alojados no DEM de José Agripino e cia). FHC aprendeu a conviver com a morte dos que lhe são próximos, tendo que digerir a morte por câncer de Mário Covas, em 2001, último baluarte ético de um partido surgido no começo dos anos 90, e que tinha a promessa de permanecer, no mínimo, vinte anos no poder (sabe-se agora que o PSDB só governou mesmo os oito anos de FHC, sendo superado pelos petistas).
Porém, mais tristeza ainda estava por vir, para atingir o sociólogo no poder ou o "príncipe dos sociólogos", como alguns de seus fãs bajuladores gostam de dizer. A morte de sua esposa e primeira-dama, Ruth Cardoso, em 2008, foi o mais duro golpe na vida pessoal de Fernando Henrique. Afinal, não morria apenas a apoiadora e primeira-dama, mas também a companheira de vida, alguém com quem o ex-presidente dividia ideias e afetos, além dos lencóis. Ruth teve uma participação política importante no governo do marido, chefiando a ONG Comunidade Solidária, e seu perfil acadêmico de antropóloga, condizia com o do esposo intelectualizado, que do alto de sua vaidade, queria ser uma espécie de Sartre no poder, acompanhado de sua Simone de Beuvoir. Foi muita pretensão de um sujeito pretencioso, mas este é FHC, e enquanto ele permanece vivo, seu séquito de apoiadores parece não ter a mesma longevidade, caindo um a um por doenças e ataques cardíacos repentinos, ou morrendo de velhice mesmo.
Um dos últimos a tombar foi seu ministro da educação e mentor intelectual na pasta, Paulo Renato de Souza. Aos 65 anos, bem menos que o ex-presidente, Paulo Renato sucumbiu após passar mal em uma aula de dança, na provinciana cidade paulista de São Roque, a poucos quilômetros da capital, São Paulo, vítima de um infarto, encerrando mais um capítulo da história do tucanato, com a morte de um componentes do núcleo duro do partido: um nicho de intelectuais burgueses e neoliberais, alguns oriundos da esquerda tradicional da década de 70, e que agora vestiam o figuro moderno da livre iniciativa, da abertura de mercado e da defesa dos interesses do capital. Com a morte de Paulo Renato, desaparece mais um dos queridinhos da Revista Veja, hoje, símbolo maior dos meios de propaganda do alto tucanato, e só resta a FHC a companhia indigesta de José Serra, seu correligionário que representa o segmento maiis raivoso, oposicionista e reaçonário do partido, ou a presença cândida de um Geraldo Alckmin, renascido das cinzas e das urnas, com mais uma governança tucana em seu reduto-mor, o estado de São Paulo. Com a morte de seus principais líderes e a ausência de renovação, sem lideranças mais jovens (com exceção de Aécio Neves, mas este representa um protetorado bem específico do partido), o partido de FHC fica cada vez mais atrelado moralmente à figura de seu velho timoneiro, além de algumas figuras carrancudas e inexpressivas, como o presidente da legenda, Sérgio Guerra, ou o eterno escudeiro de Serra, o deputado José Aníbal, e a figura do surpreendentemente eleito, senador Aloísio Nunes Ferreira. Enfim, uma turma augusta de senhores idosos e vaidosos, que não dispensam um bom cafézinho num restaurante de luxo, de preferência no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Até mesmo o ex-presidente Itamar Franco, morto neste final de semana, entra na conta. Pra quem não sabe ou é muito jovem para lembrar, Itamar catapultou FHC ao estrelato político, quando o brindou com o ministério da fazenda, e com ele veio a criação do Plano Real, que tirou definitivamente o país dos trilhos da inflação. FHC foi eleito no primeiro turno da eleição, contra um ainda inexperiente Lula, no sucesso do plano econõmico, mas graças à oportunidade que Itamar deu ao seu subordinado, passando FHC e não Itamar para a história, como o presidente brasileiro que domou a inflação. Itamar morreu angustiado e com um eterno rancor de seu ex-aliado, chegando a comentar uma semana antes de sua morte, aos 81 anos, que ninguém tinha vindo lhe cumprimentar ou render homenagens quando completou 80 anos, ao contrário de FHC.
Resta a FHC ver seus netos crescerem enquanto ainda cultiva uma boa saúde, com tantos anos de vida e tantos cabelos brancos a lhe ornamentarem a vasta cabeleira. Se não tem fôlego mais para uma nova disputa presidencial, FHC ainda está vivo para disputas políticas, envaidecido toda vez que os meios de comunicação lhe procuram, como uma espécie de oráculo do neoliberalismo, diante de um governo social-democrata ( o que o PSDB não é, apesar da sigla), e que nos oito anos de governo Lula, trocou mais o liberal pelo social. Não se sabe ao certo quem será o próximo a morrer, na longa lista de apoiadores e pessoas públicas que influenciaram a carreira política do ex-presidente e sociólogo, mas se sabe que o maior representante do tucanato ainda tem muito a dizer, mesmo que solitário, já que os seus mais próximos parecem não estar mais presentes nesse mundo, e os mais jovens possam considerar que já estão lidando com um velho ancião. Ledo engano! Pois o ex-presidente ainda tem muito a dizer. Afinal, FHC ainda está vivo!!!
Por esse último fator, nas últimas décadas, FHC tem colecionado perdas. As primeiras dolorosas e inesperadas, ainda no tempo em que era presidente, com o falecimento de seu melhor amigo e principal articulador político, o antigo ministro das telecomunicações, Sérgio Motta. Se Fernando Henrique chorou com a perda do amigo Serjão, o presidente tucano sentiu ainda mais com a perda do grande aliado, do antigo PFL, o deputado Luiz Eduardo Magalhães, filho do dinossauro e coronelíssimo Antônio Carlos Magalhães (o finado "rei da Bahia"), morto precocemente aos 42 anos devido a um infarto fulminante, gerando um vácuo de poder com sua morte, pulverizando a eterna aliança entre tucanos e pefelitas (agora, chamados de democratas, alojados no DEM de José Agripino e cia). FHC aprendeu a conviver com a morte dos que lhe são próximos, tendo que digerir a morte por câncer de Mário Covas, em 2001, último baluarte ético de um partido surgido no começo dos anos 90, e que tinha a promessa de permanecer, no mínimo, vinte anos no poder (sabe-se agora que o PSDB só governou mesmo os oito anos de FHC, sendo superado pelos petistas).
Porém, mais tristeza ainda estava por vir, para atingir o sociólogo no poder ou o "príncipe dos sociólogos", como alguns de seus fãs bajuladores gostam de dizer. A morte de sua esposa e primeira-dama, Ruth Cardoso, em 2008, foi o mais duro golpe na vida pessoal de Fernando Henrique. Afinal, não morria apenas a apoiadora e primeira-dama, mas também a companheira de vida, alguém com quem o ex-presidente dividia ideias e afetos, além dos lencóis. Ruth teve uma participação política importante no governo do marido, chefiando a ONG Comunidade Solidária, e seu perfil acadêmico de antropóloga, condizia com o do esposo intelectualizado, que do alto de sua vaidade, queria ser uma espécie de Sartre no poder, acompanhado de sua Simone de Beuvoir. Foi muita pretensão de um sujeito pretencioso, mas este é FHC, e enquanto ele permanece vivo, seu séquito de apoiadores parece não ter a mesma longevidade, caindo um a um por doenças e ataques cardíacos repentinos, ou morrendo de velhice mesmo.
Um dos últimos a tombar foi seu ministro da educação e mentor intelectual na pasta, Paulo Renato de Souza. Aos 65 anos, bem menos que o ex-presidente, Paulo Renato sucumbiu após passar mal em uma aula de dança, na provinciana cidade paulista de São Roque, a poucos quilômetros da capital, São Paulo, vítima de um infarto, encerrando mais um capítulo da história do tucanato, com a morte de um componentes do núcleo duro do partido: um nicho de intelectuais burgueses e neoliberais, alguns oriundos da esquerda tradicional da década de 70, e que agora vestiam o figuro moderno da livre iniciativa, da abertura de mercado e da defesa dos interesses do capital. Com a morte de Paulo Renato, desaparece mais um dos queridinhos da Revista Veja, hoje, símbolo maior dos meios de propaganda do alto tucanato, e só resta a FHC a companhia indigesta de José Serra, seu correligionário que representa o segmento maiis raivoso, oposicionista e reaçonário do partido, ou a presença cândida de um Geraldo Alckmin, renascido das cinzas e das urnas, com mais uma governança tucana em seu reduto-mor, o estado de São Paulo. Com a morte de seus principais líderes e a ausência de renovação, sem lideranças mais jovens (com exceção de Aécio Neves, mas este representa um protetorado bem específico do partido), o partido de FHC fica cada vez mais atrelado moralmente à figura de seu velho timoneiro, além de algumas figuras carrancudas e inexpressivas, como o presidente da legenda, Sérgio Guerra, ou o eterno escudeiro de Serra, o deputado José Aníbal, e a figura do surpreendentemente eleito, senador Aloísio Nunes Ferreira. Enfim, uma turma augusta de senhores idosos e vaidosos, que não dispensam um bom cafézinho num restaurante de luxo, de preferência no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Até mesmo o ex-presidente Itamar Franco, morto neste final de semana, entra na conta. Pra quem não sabe ou é muito jovem para lembrar, Itamar catapultou FHC ao estrelato político, quando o brindou com o ministério da fazenda, e com ele veio a criação do Plano Real, que tirou definitivamente o país dos trilhos da inflação. FHC foi eleito no primeiro turno da eleição, contra um ainda inexperiente Lula, no sucesso do plano econõmico, mas graças à oportunidade que Itamar deu ao seu subordinado, passando FHC e não Itamar para a história, como o presidente brasileiro que domou a inflação. Itamar morreu angustiado e com um eterno rancor de seu ex-aliado, chegando a comentar uma semana antes de sua morte, aos 81 anos, que ninguém tinha vindo lhe cumprimentar ou render homenagens quando completou 80 anos, ao contrário de FHC.
Resta a FHC ver seus netos crescerem enquanto ainda cultiva uma boa saúde, com tantos anos de vida e tantos cabelos brancos a lhe ornamentarem a vasta cabeleira. Se não tem fôlego mais para uma nova disputa presidencial, FHC ainda está vivo para disputas políticas, envaidecido toda vez que os meios de comunicação lhe procuram, como uma espécie de oráculo do neoliberalismo, diante de um governo social-democrata ( o que o PSDB não é, apesar da sigla), e que nos oito anos de governo Lula, trocou mais o liberal pelo social. Não se sabe ao certo quem será o próximo a morrer, na longa lista de apoiadores e pessoas públicas que influenciaram a carreira política do ex-presidente e sociólogo, mas se sabe que o maior representante do tucanato ainda tem muito a dizer, mesmo que solitário, já que os seus mais próximos parecem não estar mais presentes nesse mundo, e os mais jovens possam considerar que já estão lidando com um velho ancião. Ledo engano! Pois o ex-presidente ainda tem muito a dizer. Afinal, FHC ainda está vivo!!!
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