segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ESPORTE: Olimpíadas de Londres-Agora uma lembrança que vale para 2016.

O lugar mais alto do pódio para usar uma destas: é o sonho
de todo atleta olímpico.
17 medalhas. Foram 17 vezes que atletas brasileiros subiram o pódio na XXX edição dos Jogos Olímpicos em Londres. Na terra da Rainha, a imprensa esportiva tinha maiores pretensões para os atletas brasileiros, sonhando com que superássemos o recorde de medalhas de ouro da Olimpíada de Atenas, em 2004 (cinco medalhas) ou mesmo que fizéssemos bonito e até nos superássemos como nação esportiva, trazendo para casa mais de 20 medalhas. Quanta pretensão! O sonho permanece sonho; mas a realidade é bem diferente.

Quando o barão francês Pierre de Coubertin, fundador do COI (Comitê Olimpíco Internacional), reiventou os Jogos Olímpicos na era moderna, outrora disputados numa longínqua Grécia Antiga e agora  revitalizados no final do século XIX, com as Olimpíadas de Atenas, em 1896, ele tentou recuperar o mérito dessas competições, que tinha um significado geopolítico bem interessante: uma demonstração de força de um país ou nação, fora dos conflitos bélicos, através de seus atletas e não mais de soldados. As Olimpíadas são, assim como eram entre os gregos da Antiguidade, um evento político-esportivo que celebra a paz ao invés da guerra. As diferenças entre povos deviam ser medidas não pela violência de suas armas, mas sim pela força e habilidade de seus atletas, que disputando partidas épicas, eram consagrados heróis ao final dos torneios em que se sagrassem vencedores, cabendo ao perdedor o reconhecimento ético de quem se saiu melhor, numa disputa com regras claras e justas, cada um recebendo, proporcionalmente, entre ouro, prata e bronze, aquilo que correspondeu ao seu esforço. Os Jogos Olimpícos são um exemplo de manifestação de civilidade da humanidade, mas também de plena ideologia liberal, da livre iniciativa, livre concorrência e do estímulo à competição. Afinal, só ganham medalha os melhores, segundo a lógica esportiva da competição. Para os outros que perderam, fica a preparação para os jogos seguintes!

A PRATA QUE VIROU OURO:Esquiva Falcão no boxe.
De 1896 pra cá, muita coisa mudou. Novas modalidades esportivas ingressaram nos jogos, a tecnologia passou a integrar as competições,  e além do surgimento da participação de mulheres e para-atletas, surgiu e  aumentou também a quantidade de povos e nações aptos a participar das Olimpíadas. Por diveras vezes, os Jogos foram utilizados como instrumento de propaganda por governos democráticos ou autoritários (vide o exemplo das Olimpíadas de Berlim, em 1936, em plena Alemanha Nazista) e foram sujeitos até a ataques terroristas (a triste morte de atletas israelenses, assassinados nas Olimpíadas de Munique, em 1972, nos recordam isso). Durante quase  um século vivemos disputas olímpicas que reacendiam a perigosa rivalidade da Guerra Fria entre capitalistas e socialistas, entre os Estados Unidos da América e a extinta União Soviética, como nas Olimpíadas boicotadas por cada um, como nos Jogos de Moscou, em 1980 (com maioria de medalhas soviética) e as Olimpíadas de Los Angeles, em 1986 (onde os EUA foi vencedor absoluto). As Olimpíadas de Pequim, em 2008, viram surgir um novo gigante, que há tempos vinha buscando a supremacia global, com a vitória da China, nação anfitriã dos jogos daquele ano, no quadro geral de medalhas, superando os Estados Unidos, tradicional campeão de medalhas nas edições modernas das Olimpíadas.

E a América Latina? E o Brasil? Se no começo tivemos uma participação inexistente, ou depois modesta, supertímida ou até inexpressiva nos jogos, no decorrer dos anos  e das competições, o Brasil começou a aparecer no cenário internacional do esporte, em relação diretamente proporcional ao seu crescimento econômico e político. Apesar de só ter obtido 3 medalhas de ouro nos jogos recentes de Londres (o mesmo resultado de Pequim, em 2008), o COB (Comitê Olimpíco Brasileiro) ainda comemora o feito histórico das Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando conseguimos nosso récorde histórico de 5 medalhas de ouro, além de celebrar o resultado de 17 medalhas no total em Londres, este ano, que, no cômputo final, foi a maior quantidade de medalhas conquistadas pelo Brasil em todas as Olimpíadas.

Sarah Menezes no judô: nossa primeira medalha de ouro
feminina na modalide, no primeiro dia de competições.
Uma atleta que nos deu orgulho e não vergonha.
Ok! Estamos crescendo, e como nos dá orgulho ver um de nossos atletas subir no degrau mais alto do pódio olimpíco, ostentando uma medalha de ouro, vendo a bandeira brasileira tremular, enquanto escutamos nosso hino (que só foi tocado no primeiro dia, durante a metade, e no último dia de competições olimpícas). O problema é que, ao se deparar com apenas 3 medalhas de ouro (não obstante as honrosas medalhas de prata e bronze conquistadas por nossos atletas), vemos como ainda estamos distantes das outras nações desenvolvidas, ou mesmo de países africanos ou insulares, como a Jamaica (que tem verdadeiras lendas correndo nas pistas, como o corredor jamaicano Usain Bolt), que ostentam no quadro geral de medalhas, resultados bem mais interessantes para nações menores e com um PIB ou renda per capita bem menores que o Brasil, mas que investem mais no esporte e na qualificação de seus atletas. O patrocínio estatal, ou mesmo o auxílio de entidades privadas e grupos empresariais nacionais ao esporte brasileiro, ainda é pequeno ou quase ínfimo, sendo que muitos deles (principalmente os nadadores)são obrigados a se mudar para os Estados Unidos, onde tem ginásios melhores, treinadores bem pagos, e melhores condições de desenvolverem seu potencial de atletas olímpicos. Não adianta nada chorar e reclamar quando nossa equipe de atletismo, após duas décadas de medalhas em competições olímpicas, voltou de mãos abanando na recente edição dos jogos, sem receber uma mísera medalha de bronze, conseguindo, no máximo, uma quinta colocação no revezamento 4 X 100 da equipe feminina de corrida. Também não dá pra reclamar das derrotas no basquete masculino e feminino, sendo que no primeiro chegamos a ganhar um jogo por marmelada da seleção da Espanha, na primeira fase da competição, para evitar pegar um adversário mais forte na fase seguinte, e que acabou virando vice-campeão olímpica, perdendo para os quase sempre invencíveis norte-americanos.

Não adianta chorar, garotão. Tem que fazer diferente em
2016, meu caro Cielo.
Tivemos, é bem verdade, também os fiascos. Antigos favoritos, campeões mundiais em suas modalidades, não se saíram bem nestas Olimpíadas, voltando para casa com a vergonha de sequer terem chegado à fase final das competições; ou trouxeram bronze ou prata no lugar do ouro, como aconteceu com o nadador César Cielo, o maior nadador brasileiro da história, campeão dos 50 metros livres, na Olimpíada de Pequim; mas que não conseguiu repetir o resultado e nem o bicampeonato olimpíco, por ter, segundo ele, ficado cansado na final da competição em que ele é campeão e especialista. A meu ver, parece que Cielo quis ter o seu dia de Michael Phelps, ao disputar no dia anterior, sem brilho, os 100 metros nado livre, quando, na verdade, na sua modéstia de campeão ele deveria reconhecer: Cielo não é Phelps! Ninguém pode ser! Por falta de dedicação, cansaço mesmo ou por falta de humildade, botamos o salto alto na água cedo demais, nas competições da natação olimpíca, e acredito que o grande vencedor do torneio, na verdade, foi o nadador Thiago Pereira, medalha de prata nos 400 metros, que revelou que, à sombra de Cielo, e sem Michael Phelps nas Olimpíadas futuras, o atleta brasileiro das piscinas ainda pode render muitas medalhas para o Brasil, como já fizeram outros e ilustres nadadores da pátria verde-amarela, com tradição iniciada desde a década de oitenta com Ricardo Prado, e nos anos noventa com Gustavo Borges e Fernando Scherer.

Apesar de toda a torcida, Fabiana Murer não conseguiu.
No atletismo, a pior decepção veio com a amarelada na disputa feminina do salto com vara, com a atleta Fabiana Murer. Última campeã mundial, nossa musa a competir com beleza e talento com a bicampeã olímpica russa, Yelena Isinbaeva (que só conseguiu o bronze, desta vez), Murer simplesmente não decolou, não conseguiu, pela segunda vez consecutiva, chegar a final do salto, e conquistar melhores colocações ou, ao menos medalha, na disputa com vara. Nos jogos de Pequim o argumento foi que tinham furtado uma de suas varas, o que desestabilizaria qualquer atleta; mas agora, em Londres, Fabiana culpou o vento. O vento?? Fala sério?! Para a derrota sempre existe uma série de justificativas, mas a mais coerente pode ser dita na seguinte e dura frase: "eu não soube ganhar!!".

Emanuel & Alison:dois gigantes do vôlei de praia, que foram prata.
Frase essa que pode ser dita pelo ginasta Diego Hipólito, também a segunda vergonha e decepção em jogos olimpícos, ao cair novamente (assim como foi em 2008, em Pequim), no torneio de ginástica masculina, na exibição do solo, onde amargou uma segunda (e horrível) queda. Parece que uma legião de psicólogos na delegação olimpíca brasileira não foi suficente para domar os egos ou as inseguranças dos atletas brasileiros, campeões naturais em suas modalidades, que simplesmente desaparecem durante uma competição olimpíca, não aguentando o fardo de ter de assumir a responsabilidade de ser não apenas um campeão, mas também um medalhista olimpíco. O prestígio dessa competição milenar, tão antiga tanto quanto tão fascinante, parece ainda gelar a espinha de muitos atletas nossos, que contaminados do "complexo de vira-lata" a que se referia o dramaturgo Nelson Rodrigues, ainda não conseguiram se convencer que o jargão das campanhas do Governo Lula cai bem para atletas olímpicos brasileiros, apesar de todos os clichês: "sou brasileiro, e não desisto nunca"!.

Eu só não culpo a derrota no salto em distância de Mauren Maggi, campeão olímpica de Pequim, em 2008, por conta de suas sucessivas lesões, o peso da idade e as incertezas quanto a repetir o feito histórico da melhada de ouro anterior. Para mim, Mauren não tinha que provar mais nada a ninguém, e sua participação nesta Olimpíada, com dores e medo de se machucar gravemente na disputa que já a consagrou na história do esporte mundial, foi mais do que válida, apenas a título de despedida, daquela que até hoje é exemplo de superação para muitas atletas (e mulheres) brasileiras.

"Aquele menino das argolas" cresceu e apareceu, levando o
Brasil a um pódio inédito. Ouro para Artur Zanetti.
Ao menos palmas para Artur Zanetti, o primeiro ouro na história da ginástica artística brasileira, com sua consagrada exibição nas argolas. O pequeno Zanetti demonstrou que apesar da baixa estatura, os braços fortes e musculosos serviram não só para erguer o seu corpo no difícil aparelho de ginástica onde foi campeão, mas também para segurar toda a credibilidade esportiva da nação verde-amarelada, em seus firmes ombros. Palmas para a medalha de Sarah Menezes, medalha de ouro no judô feminino (também o primeiro da história), uma jovem e pequena piauiense que demonstrou que não apenas de força ou exibição midiática que se faz uma grande atleta.  Também devo fazer  uma saraivada de elogios ao nosso "Rocky Balboa nacional", o heróico pugilista Esquiva Falcão, com uma honrada medalha de prata no boxe, marcando a participação histórica do Brasil, em seu primeiro pódio olímpico nessa tradicional e honrada competição, além da medalha de bronze, conseguida por seu irmão, Yamaguchi, e outro bronze, para nossa pugilista, Adriana Araújo. Parabéns, heróis olimpícos brasileiros!

Musas, lindas, maravilhosas, e autoras de um voleibol campeão.
Obrigado, meninas do vôlei!!
Resta falar de nosso desempenho no vôlei: o segundo maior esporte coletivo nacional, após o futebol. Vivemos no último sábado e domingo altos e baixos de glória e redenção, convivendo ao mesmo tempo com decepção e fracasso. A seleção feminina de vôlei conseguiu uma virada histórica e consagrada contra as jogadoras norte-americanas, favoritas no torneio, tornando-se merecidas bicampeãs olímpicas, além de consagrar o técnico brasileiro, José Roberto. Já a equipe masculina, liderada pelo técnico Bernadinho, fez o contrário, sendo massacrada após ganhar por 2 sets a 0 e ainda ter a bola do jogo durante três vezes no final do terceiro set, deixando escapar o ouro e o tricampeonato olímpico do vôlei brasileiro, após um quarto set arrasador da equipe russa e um tie-break pior ainda; numa partida que deve ser assistida em vídeo durante décadas, e demonstrada em aulas de educação física, para demonstrar a competente e memorável estratégia do técnico russo, Vladimir Alekno, que demonstrou ser o verdadeiro herói do jogo, aproveitando o potencial (e os saques indefensáveis) de seu principal jogador, o gigante Muserskiy.

Leandro Damião: esse brilhou muito mais no futebol do que
Neymar, o preferido da desastrosa "Era Mano".
E a seleção brasileira de futebol?? Ai, ai, ai. O fiasco da seleção, com seu fraco técnico, Mano Menezes, já serviria para escrever um outro extenso artigo neste blog. Para resumir, o desastre que foi a final do futebol olímpico, decepcionante tanto na equipe masculina, quanto na feminina, só demonstra a manutenção de um tabu: a pátria do futebol, pentacampeã mundial,  nunca conquistou medalha de ouro em Jogos Olímpicos, seja no time masculino, quanto no feminino. Para a equipe do craque Neymar, a decepção foi maior, porque o Brasil se viu diante de um poderoso México, talhado para vencer nos gramados e levar para casa a tão cobiçada medalha de ouro (que já ornamentou o pescoço dos jogadores argentinos, por duas vezes consecutivas). Restou para o Brasil a confirmação do fiasco e a inexistência de um técnico de verdade, num time que sequer tem meio-campo, tem uma defesa totalmente vazada e jogadores incapazes de acertar uma disputa de pênaltis, como foi na vergonhosa e deprimente eliminação do Brasil, na Copa América do ano passado. Méritos apenas para Leandro Damião, um dos artilheiros da competição, que venceu (sozinho) os jogos da fase inicial do torneio, por méritos próprios e não de sua equipe. Desse jeito, não vai ser campeão olímpico nem tão cedo, e também não será campeão mundial novamente, na Copa do Mundo que se aproxima em território brasileiro.

2016 está chegando. Daqui há quatro anos soarão não os tambores, mas sim os tamborins, nos Jogos Olimpícos do Rio de Janeiro, que prometem ser uma das festas mais animadas do esporte mundial, na Cidade Maravilhosa. A pergunta que não vai calar nesse período é se, de fato, estaremos livres das promessas demagógicas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), acerca dos investimentos nos atletas e no esporte nacional, e se realmente estaremos prontos para repetir o feito de tantas outras nações que foram sede de Olimpíada (como a própria Grã-Bretanha, anfitriã deste ano), e que, ao sediar os jogos, conseguiram somar investimentos no esporte que contribuíram não apenas para aumentar significativamente seu quadro de melhalhas, como também para auxiliar  no desenvolvimento e no prestígio internacional de uma nação inteira. "Está na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor...", como diz a música. Opsss! Quer dizer, "gente dourada". Afinal, é isso que queremos em 2016: muitas medalhas de ouro para o Brasil. Até lá!!
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