segunda-feira, 11 de abril de 2011

MÚSICA: No fim do túnel pode não ter uma luz, mas tem a voz de Adele!

O mundo da música pop não vive sem suas divas. Desde os tempos da gravadora Motown, na década de 60 do século passado, até as paradas de sucesso da Billboard, dos clipes da MTV e do VH1, até os videos do youtube e arquivos do MySpace, não se houve música com voz feminina sem idolatrar esta ou aquela cantora. São as darlings da música, as rainhas do rádio da década de 50,  passando pelos pileques de Janis Joplin em Woodstock, até chegar ao estilo Dominatrix de Madonna. Pode-se dizer que, na verdade, a preferência midiática e quase messiânica pelas mulheres de bela voz, remonta desde a Idade Média, o surgimento da música clássica e as primeiras cantoras de música erudita, com a exuberância da potência vocal das primadonas espalhadas entre sopranos e contra-altos. Mas foi a música popular que notabilizou a linda voz de grandes mulheres, em especial a música negra, com o jazz e o blues de Bassie Smith, até a antológica e épica Billie Holliday. Depois tivemos o advento da soul music, o surgimento das Supremes, e com elas cantoras negras maravilhosas, verdadeiras estrelas da música e majestades que iriam reinar com suas vozes durante décadas, como Diana Ross (que parece hoje ter uma sucessora no trono à altura, através da potente e curvilínea Beyoncé). Sim, sim! Se mulheres são maravilhosas, mais maravilhosas ainda são aquelas de bela voz, que conseguem arrebatar seu público nas rádios, filmes, videos, clipes vistos na internet, ou simplesmente quando alguém deixa rolar o som revelador dos anjos, colocando sua música pra tocar durante uma festa.

Engraçado! Foi numa lanchonete, no fim de noite, comendo um sanduíche, que reparei na minha mais nova musa no mundo da música, que me conquistou no primeiro momento que ouvi sua voz. Apesar da fome, parei até de comer meu sanduíche, quando na lanchonete onde estava, perto de casa, tinha um telão onde passavam clipes tirados da internet, e gravados da MTV ou do canal Multishow, e lá pude ouvir uma jovem cantora inglesa, mostrando seus dotes vocais num single que hoje é tocado à exaustão nas rádios. Estou falando de Adele, e a música que ela canta chama-se Rollin in the Deep.

Adele  é o nome dela. Uma cantora inglesa ruivinha e gordinha, de apenas 22 anos, que apesar de sua cara de anjo, quando solta a voz parece a mais negra e calejada das cantoras de soul ou jazz. Não exagero quando digo que Adele tem a voz de uma cantora negra, e de como nos últimos anos, a Grã Bretanha vem exportando com perfeição, uma plêiade de cantoras jovens, belas e de voz que lembra aquelas cantoras de New Orleans, do começo do século passado, tais como Amy Winehouse e Joss Stone. Mas Adele parece fazer a diferença!

Amy Winehouse foi a grande promessa da primeira década do século XXI. A voz fulminante e o topete feminino esquisito e retrô, na hora certa, que fez a cantora de origem judaica vender milhões e milhões de cópias de seu disco Back to Black, além de arrebatar vários Grammys, parecia ser a promessa de que o mundo havia encontrado uma nova Billie Holliday. O problema de Amy, como é de conhecimento público, exaustivamente divulgado nos tablóides, é seu notório alcoolismo e tabagismo, seu vício frenético em drogas pesadas, e que o pior, seu vício em homens sem futuro. O problema dessa notável cantora é quando seu talento foi dando lugar às fofocas e às notícias das páginas policiais, devido a suas constantes bebedeiras, internações, vícios, e a conturbadíssima relação com seu ex-marido, Blake Civil, acusado de tráfico de drogas. O último show da cantora aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, foi até regular, com direito a Miss Winehouse estampar sua cara pálida e ressacada, na sacada de um hotel, em Santa Teresa. Mas seu desempenho nos palcos brasileiros foi bem distante dos últimos três anos que a consagraram, com uma atuação que não foi pífia, mas foi pra lá de modesta. Os admiradores de boa música com vocal feminino estristeceram-se pela ausência de criatividade de sua musa, que nunca mais fez um disco que estivesse à altura de seu talento. Parece que a fórmula tinha acabado. Só restava escutar Lady Gaga.

Quanto a Gaga. É necessário um breve comentário a essa cantora norte-americana, a contraparte dos EUA à música feminina difundida na Inglaterra, e que serviu para torná-la a sucessora da rainha de todas as divas pop dos últimos anos: Madonna. Admito que Stephanie Germanotta (nome verdadeiro da cantora. Também, com um nome desses, tinha que se tornar Gaga, mesmo!) tem lá o seu talento, quando passou a difundir música muito mais através da imagem, do que do som. Lady Gaga foi uma das cantoras que voltou a apostar na estética do videoclipe, um pouco abandonado com a chegada da internet, mas foi essa mesma internet que tornou Lady Gaga uma cantora poderosa, celebrizada como ídolo cult e objeto até de teses acadêmicas. Curto os clipes, o visual erótico-psicodélico da cantora, e o ritmo dançante de sua batida disco meio trivial, mas não compraria um disco de Lady Gaga. Até porque não preciso! É só baixar as que acho mais interessantes pela internet e tocar no rádio (até pra agradar minha esposa, que adora ouvir Lady Gaga).

Agora, quando se trata de ouvir cantoras cujo repertório dá pra fazer uma coleção. Aí, não dispenso, orgulhoso, os álbuns cujas capas posso estender na minha estante, montar minha própria discoteca, e escutar por várias horas canções maravilhosas, de vozes femininas poéticas (de preferência, sorvendo um bom vinho). Por isso que a música de Adele tanto me conquistou: pela suavidade, frescor, uma certa pureza oriunda não apenas de uma voz, mas de um espírito angelical, tratando das dores do mundo, do sofrimento do amor perdido e das dores de ser mulher, como Adele canta. É! Pra alguns que me chamem de exagerado, acho que Adele é a nossa Maísa inglesa. Ouvi-la é tão bom quanto minhas outras musas, que adoro escutar as canções, como Sara Mclahalan, Bjork, Tori Amos, Diana Krall, Dido, Elis Regina, Rita Lee, Gal Costa, Julieta Venegas e tantas outras, que agora me foge a memória. Pra se ter uma ideia, é só escutar a singela canção Turning Tables, pra entender o que eu estou dizendo, ou então escutar a magnética Someone like You ou a swingada Rumour Has It para entender porque a música de Adele está conquistando o mundo. Não se trata de uma conquista agressiva e selvagem, como Lady Gaga fez, quase a forcéps (e com calcinhas de mais e potência vocal de menos), ou da forma meteórica como Amy Winehouse alcançou o estrelato. Na verdade, a música de Adele começou a se impor de forma gradativa, tímida, discreta, assim como parece ser a própria cantora, mas de maneira definitiva e eficaz.

Adele conseguiu a impressionante marca de ter se igualado aos Beatles, ao figurar entre as cinco primeiras colocações nas paradas de sucesso da Grã-Bretanha e EUA, simultaneamente, e ter superado Madonna, pela primeira vez na história, figurando seu segundo disco por mais de dez semanas como um dos mais  vendidos na parada de sucessos britânica. Para se ter uma ideia, nenhum disco ficava tanto tempo na parada dos mais vendidos, desde o álbum Immaculate Collection de Madonna, gravado em 1990.  O sucesso veio de seus dois discos, cujos títulos lembram exatamente a idade da cantora quando foram feitos: 19 e 21. Não sei se Adele vai continuar com seus discos indicando a sua idade até chegar aos 60 (até porque, após os trinta, nenhuma mulher gosta de revelar a idade), mas pelo menos esses, que revelam uma cantora e compositora de tenra idade, se não são de um brilhantismo digno de uma Sara Vaughn, ao menos destacam uma cantora que não é simplesmente uma diva fabricada pela indústria, feita pra fazer um sucesso diáfano nas FMs, para depois desaparecer.

Talvez o sucesso precoce contamine essa jovem e promissora artista. Talvez não! Alguns críticos já comentaram o desempenho de Adele a de outras cantoras que, pós-adolescentes, conheceram o sucesso e marcaram uma geração, como Alanis Morrisseti, nos anos noventa, mas depois perderam o rumo e a criatividade com discos ruins ou de baixa vendagem, ao passarem dos trinta anos. Pode ser que a cantora gordinha, com cara de anjo e que fala de ex-namorados em suas canções também seja uma febre passageira. Quem sabe?! O futuro a Deus pertence! Mas como bom amante de música e tendo em casa coleções e mais coleções de CDs, só posso dizer que em CD, em algum arquivo de computador, ou em meu pendrive, jamais me esquecerei da voz e da música de Adele, assim como não  me esqueço de muitas outras que, pela voz, também conquistaram meu coração. Agora, deixem-me aqui ouvir o disco 21, mais uma vez. Apertei a tecla play! Até a próxima, pessoal!

terça-feira, 5 de abril de 2011

MÚSICA: Com o Iron Maiden em Recife.

Já assisti a tantos shows de rock (nacionais e internacionais) que perdi a conta, sendo simplesmente impossível recordar quantos eventos musicais espetaculares já presenciei. Confesso que debutei em shows internacionais vendo o antológico, memorável (e à exaustão será contado para os netinhos) show dos Rolling Stones, no dia 4 de fevereiro de 1995, num Maracanã lotado, no Rio de Janeiro. Naquela que seria a primeira (de várias) tournês da dupla Mick Jagger X Keith Richards e seus comparsas no solo nacional. Talvez eu tenha me tornado tão viciado em assistir meus adorados shows de rock, por conta da frustração de minha adolescência, quando ainda um jovem púbere de 14 anos, e fiquei impossibilitado de ir ao primeiro Rock in Rio de 1985, por conta da pouca idade, falta de grana e de um pai militar, que não levaria o filho de Brasília para o Rio de Janeiro, assistir aquela "besteira" de música, com seus "cabeludos drogados" rodopiando em cima de um palco.

Pois eis que desde que cheguei a vida adulta e à independência financeira, não deixei de ir sequer a um showzinho de rock, sem me arrepender dos trocados bem gastos, sempre quando tenho tempo e a possibilidade geográfica de ir. Foi assim durante várias vezes, e felizardo fui quando morei por quase 3 anos em Porto Alegre, a atual meca nacional dos shows globalizados (até mais do que São Paulo), e tive a possibilidade de assistir inúmeros shows, com o conforto de ter uma atração internacional sempre perto de casa. Retornando ao nordeste, pela pobreza de opções culturais e shows internacionais em Natal, só me resta Recife!

E foi através de uma excursão, através do empreendedorismo do simpático empresário Rubens Pedrassoli, é que pude, junto com minha esposa, ir até Recife assistir o show do Iron Maiden, num domingo superdivertido. As poucas horas de viagem, a presença de um coletivo de fãs animado no ônibus, de várias origens e idades, além da possibilidade de assistir uma das melhores bandas de heavy metal do planeta, animou-me para assistir pela primeira vez a apresentação da banda de Bruce Dickinson e companhia.

É verdade! Apesar de meus quase 40 anos de vida e de ter visto centenas e mais centenas de grupos, eu nunca tinha ido a um show do Iron Maiden. Lembro-me, inclusive, que já não me encontrava mais tão ligado no som do grupo, uma vez que, pra mim, a música do Iron Maiden representava aquelas bandas de rock pesado que eu tanto gostava na adolescência, nos anos oitenta; mas com o advento do grunge, das novas tendências do metal, e quando comecei a me interessar mais por rock brasileiro (principalmente o manguebeat), havia me distanciado um pouco do som da turma do Iron.


Nos primórdios dos anos oitenta, o Iron Maiden despontou como uma das grandes bandas da chamada  New Wave of British Heavy-Metal, numa onda de criatividade e de novos grupos musicais interessantes na Inglaterra, com novas bandas britânicas além do Iron,  tais como: Saxon, Def Leppard, Venom e Diamond Head. De todas essas, o Iron Maiden foi, de fato, a banda de metal que mais se consolidou mundialmente, formando um universo de fãs em todos os continentes do mundo. O Iron Maiden foi uma das escolhas acertadas do empresário Roberto Medina, para se apresentar no primeiro Rock in Rio, de 1985, e de lá pra cá, a banda desses ingleses baixinhos e cabeludos, fanáticos por futebol e cerveja, e tendo um pitoresco mascote como o monstro Eddie (que aparece em todas as capas dos discos do grupo), não parou mais de fazer sucesso e encantar os fãs brasileiros. Pode-se dizer que, em certo sentido, nos anos oitenta, grupos como Iron Maiden, Whitesnake e AC/DC reinaram absolutos no universo do heavy metal, na primeira metade da década, até surgirem seus sucessores, como Metallica e Pantera. É dessa época álbuns antológicos e que ficaram marcados não apenas na carreira da banda, mas na história do heavy-metal, como os ótimos e primeiros  álbuns Iron Maiden, Killers, The Number of  Beast e Piece of Mind, até chegar à obra prima Powerslave e à consagração ao vivo, com o álbum duplo Live after Death. Depois dessa época o Iron Maiden decidiu testar novas sonoridades, introduzindo o som de sintetizadores ( o que rendeu muitas críticas dos fãs mais puristas) em discos como Somewhere in Time e Seventh Son, mas nunca perdeu sua marca principal que definiu seu estilo: o baixo encorpado do músico virtuose Steve Harris, a parede de guitarras, sustentada em grande parte pelo autêntico Dave Murray, pelo melódico guitarrista Adrian Smith (que depois saiu e voltou pra banda) e pelo endiabrado Janick Gers, a bateria sincopada de Nicko McBrain, e, é claro, a inconfundível voz do cantor Bruce Dickinson: um vocalista e piloto da aviação comercial, fanático por aviões, que como frontman, foi responsável por algumas das perfomances de palco mais arrebatadoras do rock'n roll.

No documentário Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal (2005), o cineasta, músico e antropólogo canadense Sam Dunn, entrevista várias personalidades desse estilo musical, para explicar o fascínio que o rock pesado exerce em milhares de fãs, atravessando gerações. Em uma dessas entrevistas, aparece o simpático baixinho Bruce Dickinson, ensaiando uma passagem de som, na lendária casa de espetáculos londrina, Hammersmith Odeon, falando de sua arte e de como, mesmo chegando aos 50 anos, o vocalista consegue manter o inesgotável vigor da juventude, toda vez que sobe num palco e vê milhares de faces que podem se resumir em apenas uma: aquele fã, jovem, garoto sardento, no meio da multidão, que, segundo Bruce, num exercício de nostalgia, equivaleria a ele próprio na sua inocência de juventude e no amor genuíno a seu grupo musical e à música que tanto aprecia. É de cima do palco que Bruce pode (como fez em Recife), olhar direto nos olhos de cada fã entusiasmado, e dizer, apontando o dedo: Yes! It's you, you! É a magia e emoção da música em toda sua intensidade. É o vigor do Heavy-Metal. This is Iron Maiden!

Em Recife, a banda fundada pelo baixista Steve Harris e celebrizada por Bruce Dickinson, mais uma vez fez por merecer ter tantos fãs e tanta devoção. Os fãs fanáticos do Iron Maiden chegam a tratar a banda como se fosse uma religião, e eu pude ver o entusiasmo de diversos guris cabeludos, barbudos, que ao entrar no frontstage, no pátio externo do Centro de Convenções de Recife, pulavam e gritavam enlouquecidamente e pareciam ter sido tomados por uma benção súbita, ao entrar num estado de graça proporcionado pela alegria de poder ver sua banda favorita. No show, vi gente de todas as idades: fãs antigos, calvos ou de cabelos grisalhos, com mais de cinquenta anos, até adolescentes ou mesmo pré-adolescentes. A abertura do show, com músicas novas, do mais recente álbum, The Final Frontier, começou com o tema introdutório Satellite 15, seguida pela música título. No show, apesar da idade, Bruce Dickinson ainda consegue correr um pouco e dar pequenos saltos pelo palco, naturalmente sem mais aquela elasticidade e vigor físico do passado. Afinal, o tempo passa para todos, não é mesmo?!

Mas, como em todo show de banda que já se eternizou no tempo, o que os fãs mais queriam escutar eram as músicas mais antigas, de um repertório iniciado há mais de trinta anos atrás, mas que até hoje conquista o fã mais recente. Quem esteve em Recife, no dia 3 de abril, não teve do que reclamar, ao escutar sucessos como The Trooper, Fear of Dark, The Evil That Men Do, 2 Minutes to MidnightThe Wicker Man e as mais antigas, do tempo em que Paul D'iano era o vocalista do grupo, como Running Free e a clássica Haloweed by Thy Name. Na onda do politicamente correto, Bruce Dickinson ainda fez uma homenagem às vítimas do terremoto e do tsunami no Japão, dizendo o quanto os brasileiros eram felizardos de viver no lugar em que vivem (Ohh! Yeahh! Ele diz isso pra todos, nos outros países! Mas, e daí?!) e encerrou a noite com um bis, que dá vontade até agora de pular, dançar e tomar umas cervejas. I know! It's only rock'n roll, but I like it! Depois de sua estreia no país com o Rock in Rio, parece que o Iron Maiden adotou o Brasil como sua segunda casa, incluído obrigatoriamente em todas as turnês, nas sete vezes que o grupo já veio tocar aqui. E tomara que venham mais vezes! Apesar de não apresentar mais o brilho e nem a fama mundial dos anos passados, com estouros de vendagem, o Iron Maiden é uma das poucas bandas de rock, que consegue manter unido um séquito de fãs, que vão em romaria em todos os seus shows, cantarolando até os solos de guitarra, e cantando enlouquecidamente para seus ídolos: Can I Play with Madness?? Valeu, turma do Iron! Obrigado pela diversão! Up to the Irons!
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