terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MÚSICA: I Have Nothing-A morte de Whitney Houston é o adeus fatal das divas trágicas


Mais uma celebridade que morre tragicamente.
Whitney Houston não está mais entre nós.
 Vou estar mentindo se eu disser que era um fã de carteirinha, do trabalho da cantora Whitney Houston, encontrada morta sábado, dia 11 de fevereiro, tragicamente em um dos quartos do hotel Hilton, em Beverly Hills, dentro de uma banheira, com sinais aparentes de ter morrido por afogamento. Quando a cantora estourou, na segunda metade da década de 80, eu já gostava de algumas artistas oriundas da soul music ou da fase disco da música negra norte-americana, como  Diana Ross, Aretha Franklin ou Donna Summer. Eu preferia muito mais Tina Turner, já veterana, uma quarentona com sua vasta cabeleira encorpada, tingida de loiro, voz forte, meio rouca e seus requebrados geriátricos com um belo par de pernas ainda para mostrar. Já a Whitney eu achava pop demais (se é que pode existir algo que não seja excessivamente pop nos dias de hoje). Mas tenho de reconhecer: Whitney Houston legou uma voz, e uma legião de fãs, e fez parte da história da música popular nas últimas décadas. Por isso, sua obra merece ser homenageada.


Uma jovem e linda Whitney Houston, simbolizava a nova
face da Black Music nos anos oitenta
 Talvez como muitas das lendas da música pop, como o recente falecimento há poucos meses de outra estrela, Amy Winehouse, a morte de Whitney Houston seja marcada por uma história de fama, prestígio, sucesso mundial, prêmios, vários discos vendidos e aparições no cinema, tão fascinante quanto o histórico de excessos, as brigas homéricas com o ex-marido, o alcoolismo e o vício em drogas pesadas, a decadência pública com a perda da voz e o desaparecimento da vendagem de discos, a anorexia produzida à base de álcool e barbitúricos, além da tentativa de redenção, que nunca chegou. Michael Jackson, Amy Winehouse e Whitney Houston tem muito em comum, falecendo cada no seu ano respectivo, numa ciranda macabra de estrelas decadentes que subiram bem alto no hall da fama das celebridades e que se eternizaram tanto pelo sucesso que fizeram em vida, quanto pelas circunstâncias trágicas em que morreram. No caso de Whitney (assim como Michael) já fazia anos que o sucesso não batia a sua porta, revelando que a ex-estrela já estava distante do auge e fora de forma há muito tempo. Whitney Houston simboliza uma década e uma América que já não voltam mais, mas que deixaram marcas indeléveis no show business de hoje.


Na época do seu segundo álbum, nos anos oitenta,
Whitney já era considerada imbatível.
 Só para se ter uma ideia: Whitney Houston estava para os anos oitenta e noventa como Beyoncé está para os dias de hoje. Ao surgir na década de 80, lançada pela indústria fonográfica, Whitney representava o modelo bem sucedido da fábrica de hits , astros e estrelas que era a gravadora Motown e suas congêneres da música negra norte americana: linda, negra, oriunda do ambiente gospel e com uma voz maravilhosa. Foi com sua beleza física e de voz, aliada a um carisma inegável nos palcos que a jovem Whitney saiu dos corais da Igreja Batista onde congregava, para brilhar como estrela principal nos clipes da MTV, nas festas do Grammy, ou em shows apoteóticos em estádios, teatros e intervalos do Superbowl nos Estados Unidos(os jogos televisionados de futebol americano, vistos no país inteiro). Ela cantou até na final da Copa do Mundo de 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato em solo ianque.


Mais madura. A cantora tentava outros caminhos, no final
da década de 90.
 Whitney estava com tudo. Se sua prima Dionne Warwick tinha sido a duquesa do pop, Whitney tinha se tornado a sua rainha, vendendo discos como quem vendia picolés na praia em dias quentes de verão, contabilizando mais de 200 milhões de discos vendidos, segundo dados da Wikipédia. Recordo-me que na época do seu auge, a cantora estampava quase que semanalmente as capas de revistas de música e celebridades, e sua ida para o cinema foi só uma questão de tempo. Depois de uma pequena participação em um filme na década de oitenta, em 1992 Whitney estrelou com o ator Kevin Costner, o filme O Guarda-Costas (The BodyGuard). Filme que todo mundo já viu e que é reprisado até hoje nas Sessões da Tarde.  Na época, a formação de um par romântico entre um astro de cinema (também agora decadente) oscarizado e uma diva consagrada da música pop, foi a combinação irresistível para um filme esquecível do ponto de vista da crítica; mas imperdível para quem gostava de louvar seus ídolos pop. As pessoas iam ao cinema porque ali estava Whitney, interpretando uma personagem que era ela mesma, uma cantora de sucesso, cantando a música-tema do filme, I Will Always Love You, que nem era dela (mas baseada num sucesso das antigas, cantada por Dolly Parton, nos anos setenta), mas que se tornou inconfundível através de sua voz, sendo escutada até hoje nas FMs do mundo inteiro.


O casamento com Bobby Brown, para muitos críticos,
foi o começo da decadência da cantora.
 Mas, assim como colheu duas décadas de êxitos, Whitney conheceu a derrocada na vida profissional e pessoal, com a chegada dos anos 2000. Ela teve um casamento conturbado com o rapper Bobby Brown, outro remanescente dos grupos de sucesso dos anos oitenta (era um dos integrantes do New Ediction, boy band muita ouvida na época). As idas e vindas do relacionamento repleto de brigas, chegada da polícia e baixarias em público faria corar Ike e Tina Turner (outro casal cujo talento musical era diretamente proporcional aos casos de violência doméstica). Após 7 anos de convivência e a concepção de uma filha, Bobby Cristina, Whitney separou-se de Brown; não sem antes reconhecer de público seu alcoolismo e vício frenético em cocaína, suposta razão pela qual a cantora teve um casamento tão atribulado.


Uma Whitney envelhecida e irreconhecível, após uma das
idas e vindas dos centros de reabilitação para drogados.
 Eis que as drogas cobraram seu preço. Não tendo mais a mesma voz de antes, Whitney Houston aparecia cada vez mais magra e pálida diante das câmeras nos eventos, e sua degradação era visível. Ela ainda tentou um retorno no final da década passada, lançando o álbum I Look to You, em 2009, mas ela não apresentava mais o carisma e o vigor de antes. Apesar das intervenções estéticas, discursos otimistas, afirmando estar livre das drogas após passar por clínicas de reabilitação e os esforços dos produtores, Whitney parecia uma pré-senhora de meia idade cansada, ainda bonita apesar dos percalços da vida, mas bem distante daquela musa negra cheia de vida e beleza que tinha brilhado vinte anos antes.O fim, que parecia estar proximo, finalmente chegou aos 48 anos.


Apesar de supostamente recuperada, a aparência magra ainda
retratava os traços da dependência química.
 As primeiras estimativas da imprensa e da polícia norte-americana acerca das causas da morte da cantora são uma combinação de álcool e drogas que culminou em afogamento. Sabe-se que em seus últimos dias, Whitney Houston utilizava muito de antidepressivos, e isso pode ter contribuído para abreviar sua vida. Mesmo que não tenha se drogado horas antes de sua morte, a verdade é que o corpo da cantora já tinha sido muito castigado pelos anos recentes de excessos e pelo uso indiscriminado de várias substâncias químicas. De qualquer forma, sofrimento maior devem estar passando seus familiares, especialmente sua filha de 18 anos, obrigada a conhecer a tragédia de perder uma mãe bem no começo de sua vida adulta; bem como do ex-marido da cantora, Bobby Brown, que a essa hora lamenta publicamente a perda da mulher que pode ter sido a mulher da sua vida. Enfim! Quando eu soube da morte de Whitney Houston, martelou-me a cabeça um de seus sucessos, que simboliza bem a vida e a morte da célebre cantora norte-americana. Afinal, para mulheres que falaram tanto de amor em suas músicas, a cantora Whitney Houston parecia em sua fama, ser uma mulher muito sozinha. Assim, tal como Whitney, não temos nada, se quem mais amamos fica longe de nós, e não temos mais a quem amar. Afinal:

Don't walk away from me
Don't you dare walk away from me
I have nothing, nothing, nothing
If I don't have you!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO: Onde os Especialistas não tem vez!

Participando de uma recente reunião docente na instituição de ensino onde leciono, fui informado pela coordenação do curso que os professores que tinham apenas o título de especialista não teriam turmas nesse semestre. A alegação da faculdade foi que as orientações do MEC para as instituições privadas de ensino superior no Brasil, este ano, seria a de que todo o corpo docente das instituições deveria ser formado por mestres e doutores; e que, além disso, tais professores só poderiam lecionar disciplinas que tivessem aderência; ou seja, fossem formados ou pós-graduados, especificamente para aquela área de conhecimento. Isso implica em dizer que um professor com mestrado em Direito Tributário, somente poderia lecionar a disciplina do mesmo nome, e nunca Direito Processual ou qualquer disciplina de Direito Público, enquanto que um profissional com pós-graduação em Direito Penal não poderia dar aula de Direito Constitucional e vice-versa.

Percebi a celeuma que tais medidas adotadas pela faculdade tiveram numa série de professores especialistas da casa (o que não é o meu caso); mas não deixei de me solidarizar com um corpo docente de professores jovens e esforçados, que foram responsáveis pelo erguimento do curso, nos primórdios da faculdade, e que agora estavam sendo colocados de lado, jogados ao escanteio, pelo fato de não terem uma pós-graduação strictu sensu. Percebi  que parte das demandas do Ministério da Educação tinha haver com a necessidade de se cobrar um maior empenho e qualidade acadêmica dos cursos jurídicos das instituições de ensino privadas, de nível superior. O que é louvável. Mas, percebi que, nas determinações do MEC, ao menos no que tange à aderência de discipllina, algumas injustiças ou mesmo impropriedades acadêmicas foram cometidas.


Para o filósofo Edgar Morin, esse papo de
"aderência" do Ministério da Educação,
na exigência de qualificação de professores,
é conversa fiada!
 Edgar Morin, pedagogo de fama mundial reconhecidíssima e filósofo da teoria da complexidade, diz que a multiplicidade de formações técnicas num diálogo entre conhecimentos faz com que haja uma pulverização das especializações, onde cada um tem que conhecer um pouco de cada coisa. Chama-se a isso de transdiciplinariedade, algo que vai se encontrar presente na pedagogia de Morin e que irá nortear as técnicas de ensino mais modernas. Desta forma, pela pedagogia transdiciplinar de Morin, o papel da escola é propiciar a comunicação entre as diversas áreas do saber, a fim de possibilitar a liberdade criativa que a ciência proporciona, com seu leque de possibilidades, e, desta forma, construir um conhecimento mais rico e diversificado, levando em conta as várias áreas do conhecimento estudadas conjuntamente. Nos termos apontados pela transdiciplinariedade, o propósito de "aderência" defendido pelos think tanks do MEC, não faria o menor sentido. Para que um profissional é obrigado a aderir a determinada área, ficando preso num âmbito de conhecimento, se  a ciência é multidisplinar e pode envolver várias formas de saber? Será que um professor especializado em Direito Econômico não poderia, por exemplo, dar aulas de Direito Penal, enfatizando na disciplina o conteúdo dos crimes econômicos? Ou será que um constitucionalista não poderia lecionar Direito Civil, se toda a legislação civilista encontra-se presa a dispositivos constitucionais?

Compreendo que deve ser cobrada a contrapartida das instituições privadas no tocante à excelência do ensino, tendo em vista a autorização do MEC para o seu funcionamento. Muitas faculdades e universidades privadas recentemente criadas ou desenvolvidas nas últimas duas décadas já lucraram muito e ganharam muito dinheiro. Afinal, está na hora dessas instituições mostrarem serviço e revelarem sua relevância pública, formando alunos bem formados. Entretanto, creio que isso não pode ser feito simplesmente demitindo-se professores especialistas, ao invés de lhes ser dada a oportunidade de capacitação, através de mestrados e doutorados incentivados pelas próprias instituições de ensino onde esses profissionais trabalham. Ter uma instituição de ensino bem avaliada, com uma grande produção técnico-científica, repleta de professores mestres e doutores, é o sonho de qualquer empreendedor educacional e reitor de universidade minimamente comprometido com a edução; mas o caminho até chegar a isso depende do aproveitamento e valorização do corpo docente que ainda é especialista, a fim de que esses profissionais do ensino obtenham a reconhecida e desejada titulação. Não creio que mandar jovens especialistas para o olho da rua contribua para o aprimoramento da educação de nível superior nacional, e, pelo contrário, acredito que isso possa gerar um coro de ressentimentos que faça com que muitos profissionais frustrados deixem de lecionar, apesar da vocação despertada em sala de aula, e, desgostosos, venham a desempenhar outras atividades. É uma pena! Quando comecei a lecionar ninguém me disse que para entrar numa sala eu tinha que concluir um mestrado ou doutorado primeiro, mas sim que precisavam de alguém que soubesse (e gostasse) de ensinar. Apesar disso, e para aqueles que entendem que ensinar é uma arte, mais do que uma profissão, não esmoreçam! O verdadeiro artista muitas vezes não tem sua arte reconhecida, mas acaba por criar belas obras, de qualquer forma, pois seu ofício de artista o obriga a criar. Traduzindo essas palavras: estudem e ensinem, meus caros professores especialistas, dediquem-se à profissão que escolheram e se pós-graduem, pois o reconhecimento profissional, mais cedo ou mais tarde, irá acontecer!

Parodiando o romance célebre de Cormac McCarthy , cuja versão cinematográfica rodada pelos irmãos Cohen ganhou até Oscar com o ator espanhol Javier Bardem, se o título inicial do livro No Country for Old Men fosse aplicado à realidade dos professores especialistas nas instituições de nível superior do país, eu diria que, no Brasil, para o Ministério da Educação: No Country for Specialists! What a Shame!

Revista Samuel - nº 1 - Livraria Última Instância

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