sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ...":lembranças de Gonzaguinha.

Nesse mês o cantor Luiz Gonzaga Júnior, popularmente conhecido como "Gonzaguinha", desconhecido das novas gerações (mas muito conhecido por aqueles que já passaram dos quarenta ou cinquenta) faria 70 anos. Morto em 1991, aos 45 anos, num acidente automobilístico no Paraná, após regressar de um show, Gonzaguinha ainda é uma das maiores vozes que o país já teve, ao lado de ícones como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. Infelizmente, diferente desses últimos que chegaram a terceira idade, Gonzaguinha não teve tempo de viver a vida por longo tempo, mas a viveu por inteiro, numa história de vida talvez tão fascinante quanto às letras e emoções das suas canções. Tratava-se de um compositor completo, poeta passional, genuinamente brasileiro, nativamente e emocionalmente carioca, romântico e politizado, como um Pablo Neruda do Corcovado. Filho do genial compositor nordestino Luiz Gonzaga, o cantor carioca reconciliou-se com o pai já na vida adulta, e apesar das diferenças de estilo, ambos foram para suas épocas, alguns dos mais talentosos artistas que a música brasileira já teve.

Gonzagão era tradicional, alegre, apolítico e regionalista, enquanto que seu filho, Gonzaguinha, era moderno, introvertido, politizado, rebelde e assumidamente multicultural, mas ambos, pai e filho, tinham um carisma incomensurável. Tais diferenças podem ser vistas no emocionante filme Gonzaga-de Pai pra Filho., de 2012, dirigido por Breno Silveira (o mesmo de "Os Dois Filhos de Francisco"). Assisti a vida dos Gonzaga em um cinema no bucólico e boêmio bairro de Santa Teresa, na altitude de seu morro, no centro do Rio de Janeiro, com sua vista esplendorosa da "cidade maravilhosa". Nada mais emblemático do que ver um filme sobre um compositor e cantor que era a cara do Rio, dentro de sua própria terra (que por sinal gosto muito e onde passei felizes dias de minha infância), ao mesmo tempo em que, por conta das raízes nordestinas que Gonzaguinha tinha, assim como eu, e um histórico de conflitos com o pai na adolescência, o filme de Silveira me fez até chorar, e criar uma relação de empatia, familiaridade e gosto musical pela obra do autor que, em muito transcendeu o filme.

Gonzaguinha era, antes de tudo, um apaixonado, tanto pela vida quanto pelas mulheres, numa escala diretamente proporcional ao seu talento de fazer músicas sobre paixões, política, paz ou natureza. Quem, com alma de poeta, jovem, intelectualizado, no começo de sua vida adulta e cheio de ideais na cabeça, não vai escrever poemas ou canções? Quem não faz isso, principalmente quando se tem uma mulher na mente ou no coração? Gonzaguinha era um apaixonado não só por sua esposa, amantes ou namoradas, mas também pela sua cultura, pelo seu povo, pela sua gente e pela natureza, das árvores, riachos e cachoeiras, contidos em sua canção como na canção Lindo Lago do Amor. Sua via politizada, e seu amor pelas causas progressistas, no combate à ditadura e a exploração capitalista, era bem expressada e cantada em canções como Você Merece. Talvez a música que mais desperte a alma brasileira para o fim dos anos de autoritarismo e início da Nova República foi a canção É, representando o desencanto dos militantes pró-democracia após a derrota do Movimento das Diretas-Já, com a rejeição da emenda Dante de Oliveira, onde Gonzaguinha cantava que " a gente não tem cara de panaca, a gente não tem jeito de babaca, com a bunda exposta na janela, pra passar a mão nela".

Fico imaginando hoje Gonzaguinha aos 70 anos, idoso, se é que ainda chegaria a essa idade, mesmo salvando-se do acidente que o matou, escapando de uma cirrose por conta do alcoolismo ou de um câncer ou efisema pulmonar, por conta do tabagismo exacerbado. Será que ele continuaria progressista, um militante de esquerda, ou daria uma guinada à direita, como fizeram contemporâneos seus como Raimundo Fagner, Alceu Valença e Jards Macalé?  Será que ele continuaria fazendo shows, principalmente fora do país, como fazem Caetano e Gil, viraria ícone, e lançaria livros como um Chico Buarque, na falta de discos? Será que ele encontraria a fé evangélica e se converteria, tornando-se um representante da causa gospel, como Baby Consuelo, depois dos Novos Baianos em sua carreira solo, ou como o sambista Bezerra da Silva, no final da vida? Será que ele se isolaria, com a barba branca e o cabelo ralo, em algum apartamento em Copacabana, acompanhado apenas da presença esporádica dos filhos e de um violão, relembrando os tempos de glórias passadas e conversando de vez em quando com Nelson Motta, ou seria visto ainda à noite biritando em algum bar da Lapa, atrás do sorriso de uma bela mulher, enquanto rabiscasse poemas e versos num guardanapo, por detrás do balcão? Será que ele teria twitter, página do facebook ou instagram, ou escreveria artigos num blog, ou em algum artigo sobre música e cultura, de algum jornal ou revista de distribuição nacional?

E, principalmente? Em relação a esse governo federal, tão criticado pela oposição, raivosa ao PT, partido que nos anos oitenta Gonzaguinha respeitava. Será que ele também iria se transformar num "coxinha", viraria as costas para o partido, como já fizeram outros artistas, atores e cantores, chegando ao cúmulo de falar mal do governo para uma plateia de emergentes em Nova York, como fez o cantor Fábio Jr recentemente, ou sairia à francesa para fora do país, como faz, de vez em quando, Chico Buarque, mantendo ainda seu apoio ao governo e preservando seu status de ícone, dando a mínima para as críticas de uma juventude mimada, de classe média, que gosta de ir a protestos em dias de domingo contra o governo, vestido de verde e amarelo, só pra posar selfies em seus smartphones, que nunca ouviu ou não gostou de escutar suas músicas, e nunca soube o que é enfrentar e ser perseguido pela ditadura?

Talvez Gonzaguinha fizesse tudo isso, virasse um exemplo de cidadão comum ou repetisse a dinâmica das celebridades; ou talvez ele inovasse por completo, surpreendendo a todos nós, como nos surpreendeu, ao partir precocemente, naquela fatídica estrada que tolheu sua vida numa rodovia do sul do país. Talvez sua maior e última inovação tivesse sido a morte, o prenúncio de que nada seria do mesmo jeito outra vez, e o que país, assim como sua cultura e musicalidade sofreriam mudanças profundas. Gonzaguinha partiu antes, talvez para não ver e se decepcionar com a decadência da era do disco, a predominância das mídias digitais, a transformação das rádios FM em espaços para transmissão de "jabás", ou músicas pop de qualidade duvidosa, ou em redes cedidas para igrejas evangélicas. Gonzaguinha veria uma boêmia diferente, não mais de dinheiro contado na mão para pendurar a conta no bar, no fim da festa, mas de bêbados conscientes e preocupados em não serem pegos na Lei Seca, com seus cartões de crédito e débito no balcão para evitar uma peça de museu chamada fiado, saindo mais cedo e de táxi numa cidade com muitos mais ladrões e repressão policial, mesmo que dentro de uma democracia, que caras como Gonzaguinha ajudaram a construir. De qualquer forma, antes de morrer, Gonzaguinha viveu, e não teve a vergonha de ser feliz!! Ele cantou a beleza de ser um eterno aprendiz!!

Talvez para não ver o fracasso das UPPs, os equívocos, contradições e erros do lulo-petismo e os novos rumos da música brasileira, centrados em programas luxuosos de TV como o The Voice, no lugar de grandes festivais, Gonzaguinha tivesse que ter partido tão cedo. Talvez, e sobretudo, talvez, no meu enorme exercício de especulação, Gonzaguinha tivesse que ter morrido para se transformar em lenda, e que lenda: a lenda de um Brasil que resiste, mas não tem medo de se assumir brasileiro!! Um brasileiro típico, chamado Gonzaguinha.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

IN MEMORIAN: CHRISTOPHER LEE- o vilão de voz grave, mas fala adocicada que todos adoravam

Morreu na Inglaterra, aos 93 anos, num hospital em Westminster, por insuficiência respiratória, o ator britânico Christopher Lee. Não morreu apenas um grande e longevo ator, que até onde a saúde permitiu (mesmo esquálido pela velhice e coberto de rugas), atuou em grandes e memoráveis produções cinematográficas, dentre elas a premiada trilogia O Senhor dos Anéis. Lee era um típico ator de filmes do cinema fantástico ou de fantasia, temas que adorava. Foi o vilão Conde Dookan, na segunda trilogia de Star Wars, e sua imagem ficará para sempre na memória das novas gerações como o mago Saruman, da citada trilogia do diretor Peter Jackson.

Entretanto, Lee era mais conhecido, por aqueles muitos que já passaram dos quarenta como eu e alguns que já chegaram até os sessenta anos, como o mais célebre intérprete do Conde Drácula nos cinemas, ou, ao menos, o que mais representou o personagem nas telas (Bela Lugosi ficará para sempre como um dos mais famosos intérpretes do famoso vampiro, mas foi Lee quem mais celebrizou o personagem nos filmes). Dos anos 50 até os anos 70 do século passado, intercalando outros papéis, invariavelmente Christopher Lee aparecia nos cinemas com um novo filme do Drácula, sempre pelos estúdios da produtora britânica Hammer, e o seu personagem, ao menos na minha memória, deixa saudade.

Lembro-me do medo e fascínio que sentia ao ver os filmes de Drácula interpretados por Lee no cinema, que nos anos oitenta já passavam na TV, geralmente nas sessões do final da noite. Fã de filmes  de terror, eu mal podia esperar para ver o tenebroso e sedutor conde aparecer na tela, para, na hora mais improvável, abocanhar sua próxima vítima. Mas Lee também ficou famoso como o vilão dos filmes de 007, com Roger Moore no papel de James Bond, quando interpretou o criminoso Saramanga, no filme O homem da pistola de ouro. Ele também atuou no cinema interpretando Sherlock Holmes, além de uma série de personagens impagáveis, que requeriam um britânico de voz tonitroante, incorporando invariavelmente uma imagem de lorde, ou personagens mais exóticos, como o Doutor Fu Manchu, no filme do mesmo nome.

Christopher Frank Carandini Lee nasceu em 1922, teve 67 anos de carreira no cinema com mais de 200 filmes e uma vida fascinante. Antes de atuar, lutou pela Força Aérea Britânica, na II Guerra Mundial, sendo condecorado seis vezes. Homem culto, falava oito idiomas, inclusive russo e grego, e adorava história e música clássica, pois sonhava em ser bailarino ou cantor de ópera. Alto e magro, com uma voz grave, de nobre  sotaque inglês inconfundível, Lee era o europeu refinado típico, apesar de nascido de família modesta, segundo ele de origem cigana, que acabou se tornando sir no ano de 2009, quando foi condecorado pela rainha da Inglaterra com o título de Cavaleiro Real.

Na chegada da década de oitenta a carreira de Lee esfriou, vindo o ator a participar de produções menores por vinte anos, até que, para não ser esquecido pelas velhas gerações, e lembrado pelas novas, tornou-se o Conde Dookan nos filmes de Guerra nas Estrelas: A Guerra dos Clones e A vingança dos Sith. Entretanto, foi interpretando Saruman, em O Senhor dos Anéis (2001), As Duas Torres (2002), O Retorno do Rei (2003) e o Hobbit (2013), que Lee ficará para a memória recente de gerações de fãs do gênero fantástico, desde a primeira década deste século. Em filmes baseados no livro do escritor J.R. Tolkien, Christopher Lee incorporou como ninguém a figura misteriosa e imponente do mago branco que acaba se voltando para as trevas de Sauron. Ele chega a competir dramaticamente com seu colega britânico no mesmo filme, o ator  Ian McKellen, que interpretou Gandalf, um dos personagens principais da trilogia. Ao encarar com perfeição um dos personagens coadjuvantes do livro de Tolkien, Lee com seu Saruman, permanecerá para sempre como um dos ícones do cinema.

Mas não foi apenas no cinema que o veterano ator britânico se notabilizou no mundo das artes. Talvez realizando na velhice o velho desejo da juventude de se tornar cantor, Christopher Lee foi vocalista de uma banda de heavy metal, isso aos 91 anos!! Declaradamente fã desse gênero musical, o ator gostava de bandas como Manowar, que retomavam nas músicas o universo mítico do Senhor dos Anéis, com letras voltadas para batalhas épicas entre cavaleiros, elfos, duendes e dragões. Como se sabe, os filmes de terror e o heavy metal tem uma relação quase siamesa, e nesse embalo Lee foi chamado para cantar em dois discos, da banda italiana Rapshody on Fire, onde primeiro aparecia somente como narrador, mas depois passou a cantar suas próprias músicas. Em 2014, Lee chegou a lançar seu próprio álbum de metal, Metal Knights, e com a canção Jingle Hell, ele se tornou o cantor mais idoso de heavy metal da história, a ingressar num hit parade do rock internacional. 

Retirou-se, portanto, da vida entre os mortais um ator que se imortalizará para sempre, na pessoa de seus personagens, tanto no cinema quanto na música. Como fã de ambos, eu não poderia aqui deixar de postar minha homenagem a esse grande ator, que viveu muito, teve uma vida intensa e cheia de experiências interessantes, e, nesse momento, deve estar entoando cânticos, com sua voz grave, mas adocicada, entre anjos e demônios, em algum lugar do além. Que Deus cumprimente nos jardins do Paraíso sua alma, Sir Christopher Lee, e que as valquírias lhe carreguem suavemente, como um bruxo Saruman que novamente retornou aos caminhos do bem!! Farewell!!

domingo, 10 de maio de 2015

CRÔNICAS SÓCIO-AFETIVAS: Sobre a maternidade

Meu filho nasceu no dia 10 de abril de 2015, uma sexta-feira, exatamente às 11 (onze) horas. Estive presente ao parto de minha esposa e pude vislumbrar a pequena criança sair do ventre de sua mãe. Exatos 30 dias depois, calhou de o aniversário de um mês de vida de Miguel Antonio cair exatamente no segundo domingo do mês de maio; ou seja, no Dia das Mães. Como recente mãe, creio que minha esposa ganhou este ano o maior dos presentes!! Um baita, pequenino e às vezes chorão presente do Dia das Mães.

Dia esse que tem um histórico curioso, a começar pelos gregos na Antiguidade, que comemoravam o Dia de Rhea, a mãe dos deuses, para celebrar a chegada da primavera na região, nos idos de março.

Mas foi nos Estados Unidos do século XIX, durante a sangrenta Guerra da Secessão no país, que em 1865, foi organizado o Mother's Friendship Days (Dia de Amizade às Mães), para promover entre as mães dos soldados feridos na guerra uma campanha de solidariedade e auxílio às famílias necessitadas, bem como pregando a paz e o desarmamento. No séxulo XX, em 12 de maio de 1907 a religiosa metodista Anna Jarvis criou um memorial em celebração à memória de sua mãe, morta dois anos antes, iniciando uma campanha para que o dia fosse reconhecido como um feriado nacional. A campanha seguiu até 1914, quando o Mother's Day foi aprovado no Congresso americano, e no mesmo ano o presidente Woodrow Wilson proclamou uma resolução declarando o Dia das Mães como data oficial nos edifícios e repartições públicas, sempre no segundo domingo do mês de maio, sendo celebrado naquele ano, primeira vez, em 9 de maio de 1914. No Brasil, em 1932, o presidente Getúlio Vargas reconheceu a data no segundo domingo de maio, passando a vigorar no país o Dias das Mães a partir de então. O curioso é que, historicamente, o Dia das Mães manteve na era moderna uma relação de proximidade com o advento das guerras. A começar pela Guerra da Secessão entre os norte-americanos, sua proclamação como dia oficial no começo da I Guerra Mundail, até ser reconhecido por outros países, como o Brasil, poucos anos antes de estourar o conflito da II Guerra Mundial.

A "Mãe" de Gorki:Mãe de todas as revoluções.
Sobre guerras, lembro-me da "Mãe", uma das grandes obras do escritor revolucionário russo, Máximo Gorki. Na história, Pavel, jovem operário seduzido pelas ideias bolcheviques, enfrenta a fúria do Czar Nicolau II, escudado pela mãe, Pelágia, a verdadeira heroína, protagonista da saga, que suportando a miséria e um marido violento e bêbado que acaba morrendo, ela segue com o filho na luta revolucionária, tornando-se a mãe não apenas de Pavel, mas de todos os revolucionários que sofrem com a opressão czarista. Pelágia torna-se a "mãe da Revolução". Apesar de todo o seu conteúdo político, a obra de Gorki não deixa de captar alguns elementos da cultura russa, onde a instituição do matriarcado tem uma influência muito forte. Afinal, fazer alusão a "Mãe Rússia", é um dos traços característicos do nacionalismo russo, e até no hino do país faz-se referência a figura materna, sendo concebida a pátria como uma grande mãe que abraça a todos os seus filhos.

Pai é pai, e não obstante toda nossa cultura patriarcal oriunda desde os gregos, que antecedeu mesmo a influência judaico-cristã, de valorizar muito mais a figura do pater do que a mãe, acredito, sem sombra de dúvida, que retirando a importância social, nós, homens que somos pais, nunca desfrutaremos em sua completude do amor que uma mãe compartilha por seu filho. O amor de mãe transcende a Criação, antecede a concepção, e talvez por isso o catolicismo seja até mesmo, do seu jeito, uma versão cristã dos velhos ritos orientais, onde a figura materna era deificada muito mais do que a figura masculina do genitor. Não é a toa que o teólogo Leonardo Boff já afirmou em seus escritos que uma das principais e fortes características do catolicismo é seu caráter mariano. Maria, mãe de Jesus, durante séculos, até a Reforma Protestante, foi vista por alguns crentes como uma divindade até maior do que Cristo. A santificação da figura da mãe tem, portanto, uma fundamental influência do cristianismo e um pouco disso herdamos em nossa cultura ocidental, até mesmo na sacralização da palavra "mãe", que envolve alguém que, por ter concebido a vida em seu ventre, ganha um destaque todo especial na vida de qualquer um, pois foi através dela que conhecemos o mundo, respiramos pela primeira vez fora do líquido amniótico do ventre materno, e é ela a primeira pessoa que acolhe o nosso choro, o primeiro de muitos e muitos choros!!

É por isso que, este ano, celebrei o Dia das Mães de uma forma mágica e totalmente especial, em relação aos dias anteriores, pois pude ter ao meu lado duas significativas mães: a minha própria mãe, a quem já homenageava, beijava e presenteava há muitos anos, e agora minha esposa, mãe de meu filho, uma mãe jovem, de primeira viagem, mas que já demonstra o comovente carinho, amor, devoção e preocupação que só uma mãe consegue ter. A elas e a todas as mães do mundo, eu desejo, do fundo do coração, muitos e cada vez mais felizes, DIA DAS MÃES!!! Obrigado por existirem, mamães!!!

sexta-feira, 20 de março de 2015

MÚSICA: No Dia Internacional do DJ a minha homenagem a um deles-Dj Magão, o artista que faz da música um futebol campeão!!

Em 9 (nove) de março é celebrado o Dia Internacional do DJ, e também nesse dia, e nesse mês eu tirei esse espaço pra homenagear um de meus amigos e cara de profundo talento: Alessandro Duarte, mais conhecido como DJ Magão!!



Filho de um ex-jogador, ex-técnico e comentarista de futebol, Magão tem o futebol no sangue, mas é nas pistas de música e não nos gramados, que o cara se revela um craque. Magão organiza seu setlist de músicas em suas apresentações em festas e bares como um técnico que escala um time: alguns podem não gostar da escalação, mas o plantel acaba cumprindo com sua missão, fazendo gols no decorrer da partida. É o estilo Magão de fazer música num Maracanã lotado de sonoridade e rock'n roll!!

Eu lembro do cara há mais de vinte anos, nas grandes festinhas, festivais de rock e luaus que havia na cidade de Natal, na praia de Ponta Negra. Foi numa dessas raves pré-históricas que eu vi, pela primeira vez, um rapaz branco e franzino, magro como um macarrão, debaixo de uma lona, lotado de equipamentos e caixas de som, fazendo aquela garotada universitária de vinte e poucos anos dançar chapada ao som de hinos da época, que iam de Legião Urbana a Echo and The Bunnymen. Bons tempos aqueles. E o bom foi que o cara continuou fazendo música. Aquele moleque franzino acabou se tornando um respeitável senhor, convidado para grandes eventos sonoros da cidade, como o MADA (Música Alimento da Alma) e muito mais!!

Sobre o estilo musical, aqui nosso querido Dj merece um capítulo aparte: numa cidade invadida nos últimos anos pela colonização do forró, axé-music e sertanejo universitário, como um bom jogador old style, Magão permaneceu fiel às suas origens rockeiras, mantendo uma escalação de músicas entre o rock clássico e o rock mais moderno. Na junção de velhos zagueiros do rockabilly,  progressivo e metal, aos novos craques pós-grunge e pós-brittpop, nosso Dj predileto produz aventuras sonoras interessantes, que não deixam nada a perder às grandes festas rockeiras de espaços do gênero, como em São Paulo ou Porto Alegre. Assim, Magão concebe seus "jogadores" musicais, que agradam as velhas e novas gerações. É "dando um chapéu" na mesmice e "chutando de bicicleta" que Magão fez emplacar um estilo original numa cidade pequena, mas globalizada, que apesar de provinciana ainda mantém na reunião de suas tribos urbanas, em festas bem musicadas, a presença e o estilo de artilheiros das pistas, que sem "firula", fazem um"gol de placa" ao tocar música de qualidade.

Se na "catimba" das rádios, principalmente em Natal, não vemos hoje clássicos ou novidades do rock rolarem nas caixas de som, ao menos Magão é um dos caras que faz o seu dever de casa, de Dj rocker, iluminando o placar nas suas pickups, tocando músicas que muita gente (ou ninguém antes) ouviu!! Como numa "marcação homem a homem", Magão marca cada música como um olheiro do Barcelona, mirando a escalação de canções como que prevendo um estádio lotado de ouvintes, a aplaudir ou vaiar seus atletas em campo. Seja nos bares ou festivais, na sua fan page na internet, seja em casa ou nas rodas de amigos, Magão Duarte transforma qualquer "pelada" rockeira num Lollapalloza papa-jerimum, ao colocar pra rolar músicas que qualquer rockeiro de respeito montaria torcida organizada para escutar. O melhor da noite para um Dj, suponho eu, seja quando, "ganhando de virada" numa noite insossa e de pouco papo, um desses profissionais da música consegue fazer com que uma coletividade inteira se movimente e comece a dançar e cantar, "matando a jogada" do tédio e da falta de inspiração. Afinal, som de verdade ganha em campo e não no tapetão!! E pra isso existem Djs como Magão, "matando no peito" qualquer sonoridade,  colocando seu escrete musical em campo.

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Neste blog, portanto, após meses de inércia mental e bloqueio criativo sem escrever uma linha sequer, inauguro em grande estilo os artigos de 2015 rendendo homenagem a um grande amigo e cara que considero, mais do que eu, um profundo conhecedor de sons híbridos e sensacionais. Talvez um de meus sonhos de moleque fosse "fazer tabela" com um desses craques, e quem sabe fazer um "gol olímpico", ao trazer para os lugares e pessoas que curto um som que elas também gostem. Nesse sentido, sou "camisa 12" do Rock, e apesar de ver muita gente "fazendo cera" e cometendo "um frango" ao ouvir determinadas porcarias que não são música, mas poluição sonora, gostaria de "dar um chocolate" nos defensores do mau gosto,  mandando meu recado para aqueles que preferem ficar escutando Ivete Sangalo, Anita ou ou Funk Pancadão: "Magão!! Aumenta que isso aí é rock'n roll!".
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